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08 abril 2009

Beethoven e Andrea Dorea

Considero a Legião Urbana uma das melhores bandas surgidas no Brasil. Mas admito que não sou grande admirador da banda. Esse posto vai para meu irmão Célio e nossos primos Daniel e Aline. Os três sim, sabem tudo da banda que, quando gravou o primeiro disco, na década de 80, era formada por Renato Russo (voz), Dado Villa-Lobos (guitarra), Renato Rocha (baixo) e Marcelo Bonfá (bateria). Com a saída de Rocha, Russo assumiu o baixo e a vida seguiu para o trio.

Apesar de não ser um admirador da estirpe dos familiares citados no parágrafo anterior, gosto de algumas canções da Legião. Uma delas é Andrea Dorea. A melodia e a letra são primorosas. Há uma beleza nesta canção que não sei explicar. Gosto tanto que até tocava no violão. Nunca mais toquei!

Quis postar para vocês. Saí procurando um clipe da canção. Encontrei este que foi criado por Janilson Xavier, um fã. Ele pegou cenas do filme O Segredo de Beethoven, da diretora polonesa Agnieszka Holland. O filme trata do encontro de genial compositor, interpretado por Ed Harris, com a copista Anna Holtz, vivida por Diane Kruger.

Não assisti ao filme, vou atrás do dvd. Como amo a obra de Beethoven, aplaudo a iniciativa de Xavier. Agora segue o clipe como uma homenagem ao Célio (que fez aniversário no dia 7 deste mês), ao Daniel e Aline (que festejou vida no dia 11 de março). Espero pelos comentários de vocês.
Harold

Legião Urbana- Andrea Dorea



02 abril 2009

Cinco perguntas para... Emílio Pacheco

Saúdo vocês leitores e as leitoras do blog. Hoje apresento lhes a figura simpática e inteligente de Emílio Pacheco, o sujeito da foto ao lado. Gaúcho de Porto Alegre, jornalista por formação e bancário por imposição da vida, Emílio é uma dessas pessoas muito antenadas nas notícias sobre o meio cultural gaúcho. Quem quiser saber sobre os lances culturais que acontecem naquelas paragens, necessariamente, precisa fazer uma visita ao blog

(www.emiliopacheco.blogspot.com) por ele editado.

Além de sua atuação no blog, Emílio também participa do Orkut. Muitas pessoas visitam sua página para lhe fazer questionamentos ou, simplesmente, para agradecer a acolhida que o colorado ser dedica a todos que passam naquele espaço. Prova da grande consideração a ele dedicada é a comunidade que tem o seu nome (http://www.orkut.com.br/Community.aspx?cmm=66351005), criada por Andréa Steiner.

Como sempre, Emílio usou de solicitude e paciência para responder as perguntas por mim formuladas e que seguem abaixo. Boa leitura!




Aroldo (A): Como você se define em termos políticos?

Emílio (E): Boa pergunta. Já escrevi até um texto sobre isso no meu blog ("Mistérios da Política"). Lá eu tento apresentar uma análise mais aprofundada do meu posicionamento político. Há alguns anos eu nutro uma simpatia pelo PT, mas sem radicalismos e sem compromisso perpétuo. Na última eleição para Prefeito de Porto Alegre, por exemplo, votei em Fogaça (meus amigos petistas vão querer meu fígado se lerem isto). Eu admiro o PT pelo que representou em termos de coerência, persistência e luta contra as injustiças sociais, mas prefiro que essa admiração continue livre e descompromissada. Acima de tudo, o eleitor brasileiro tem que aprender a viver numa democracia e aceitar ser voto vencido, quando for o caso. Eu, por exemplo, nunca votei em Fernando Henrique e mesmo assim acho que ele não foi um mau Presidente. Pelo menos, foi melhor do que eu esperava.


A: O que deixa indignado o cidadão Emílio?

E: Seria mais fácil perguntar o que não me deixa indignado. Certa vez minha irmã observou o quanto eu uso a palavra "irritado" no meu blog. Fico indignado com interpretações precipitadas, pessoas que me prejulgam com base em suas visões engessadas do ser humano, gente cética, gente que acredita em tudo (principalmente as mentiras que circulam por e-mail), gente burra, fãs alienados que não conhecem mais nada além de seu único ídolo e gente que acha que todos têm que ser iguais e gostar de futebol, carnaval, chope e novela. Também fico indignado com a insistência dos internautas em divulgar textos falsamente atribuídos a autores famosos, em especial Mario Quintana, Luis Fernando Verissimo e Arnaldo Jabor. E mais ainda quando essa divulgação errônea ocorre em vitrines respeitadas, como o programa de Ana Maria Braga, por exemplo.


A: Para as pessoas que moram em outras regiões, algumas vezes, o Rio Grande do Sul (RS) é percebido como um canto à parte, com uma vida e cultura que lhes são próprias. Você, algumas vezes, percebe o resto do país como se estivesse distante do RS ?

E: Eu nunca percebi isso. Na verdade, o que sempre me chama a atenção são os comentários em relação ao bairrismo gaúcho. Sim, nós gaúchos temos orgulho de ser gaúchos. E até uma certa idade eu achava que isso era comum em todos os estados, que o baiano tinha orgulho de ser baiano, que o paulista tinha orgulho de ser paulista e assim por diante. As pessoas falam como se esse "orgulho gaúcho" fosse algo inusitado, de outro mundo, e eu não vejo assim. Qual o problema? Segundo depoimento do antropólogo Hermano Vianna, a atriz Regina Casé achou curioso que, sempre que um gaúcho lhe pedia um autógrafo, fazia questão de dizer: "Eu sou gaúcho!" Nós temos mesmo essa identificação forte com o nosso Estado e não vejo por que isso deva ser considerado estranho.


A: O que você no passado e que hoje, por conta do amadurecimento, faria diferente?

E: Outra boa pergunta. Não sei exatamente o que eu fiz que possa ser considerado "errado". Para certas coisas, não existe a opção "certa". Você ganha de um lado e perde do outro conforme a escolha. Em inglês tem uma expressão que define bem situações assim: "trade-off". Viajando de ônibus, você economiza dinheiro para gastar quando chegar, mas leva mais tempo e tem menos conforto. Indo de avião você chega em questão de horas, mas fica com menos dinheiro. O que vale mais a pena? Ir de avião ou de ônibus? Não existe a resposta certa. Depende de suas prioridades no momento. Já houve uma época em que eu achava que, se pudesse voltar no tempo, me dedicaria integralmente ao jornalismo. Hoje já não penso assim. Pode ser um mecanismo de defesa, mas fico feliz de conseguir conciliar minhas atividades e ainda pagar minhas contas (aí se incluindo o tratamento de um filho com necessidades especiais). Para não dizer que não existe nada que eu faria diferente, quando eu tinha 21 anos, entrei em forma e comecei a correr. Foi uma boa fase. Mas só durou alguns anos. Logo eu perdi a forma e a resistência. Ainda insisti mais um tempo, mas corri pela última vez com 35 anos. Hoje estou com 48. Então, se eu pudesse voltar no tempo, talvez procurasse manter a forma, mesmo que para isso tivesse que correr mais devagar, sem tanta preocupação com desempenho. É que tem uma fase em que a gente quer "comer bem para correr melhor". Até que começam as lesões e outros problemas. De vez em quando alguém ainda me pergunta se eu não me entusiasmaria em tentar emagrecer e voltar a correr. Tentar emagrecer, até seria recomendável. Voltar a correr é mais difícil, pois a idade não diminui junto com o peso. Mesmo que eu entrasse em forma, não teria mais a resistência dos 20 e poucos anos. Se eu tiver tempo para dar umas caminhadas, já está de bom tamanho.


A: Dá para fazer paralelo entre a atual cena musical gaúcha, de onde são egressos Cachorro Grande, com aquela dos anos 70, em que pontuava o grupo Almôndegas?

E: Os Almôndegas lançaram seu primeiro LP em 1975. Naquele tempo, não existia nem mesmo disco independente ou os chamados selos independentes, muito menos Internet, mp3, CD-R e outras facilidades que temos hoje. Pra divulgar música, tinha que tocar no rádio. Pra tocar no rádio, tinha que ter disco. Pra ter disco, tinha que ser contratado por uma gravadora do centro do país, as chamadas majors. Nesse sentido, aconteceu um movimento bonito que foi o da saudosa Rádio Continental, a 1120 (AM). Furando o esquema que eu citei acima, a Continental começou a tocar gravações feitas no próprio estúdio da emissora, com músicos locais. A gente ouvia aquelas músicas todas com entusiasmo, mas também com uma pontinha de frustração, pois nem todas se podiam comprar em disco. Então tinha que ouvir a rádio, tinha que ir nos shows... Mas o movimento foi muito forte. Cada músico contratado por uma gravadora era motivo de comemoração. Os Almôndegas fizeram sucesso regional numa época em que isso era raro na música urbana. Os gaúchos que fizeram sucesso antes deles foram todos em nível nacional, como Lupicínio Rodrigues e Elis Regina. Além dos Almôndegas, entre 75 e 76 também lançaram disco Hermes Aquino, Inconsciente Coletivo, Pentagrama e Bixo da Seda. Depois vieram Fernando Ribeiro e Berê. Posso estar esquecendo alguém, mas não eram muitos os que lançavam disco, não. Dava pra contar nos dedos. Hoje qualquer um junta dinheiro e lança mil cópias de um CD independente. Sem falar em sites como o MySpace, onde é possível fazer uma divulgação de forma simples e eficaz. A cena musical gaúcha hoje está bem mais aberta para o rock, mas isso vem desde os anos 80, a partir da divulgação feita pela Ipanema FM e os LPs "Rock Garagem" e "Rock Grande do Sul". Não conheço todas as novas bandas gaúchas, mas descobri por acaso o trabalho da Poliéster, de São Leopoldo, na Grande Porto Alegre, e gostei bastante.



31 março 2009

Insoportable II- A letra e Tradução

Seguem a letra da canção Insoportable, de Fito Páez com a tradução para língua portuguesa fornecida por Letícia Contilde. A amiga gaúcha traduziu e me enviou. Aliás, Letícia traduziu com competência muita das canções de Fito. Gosto de compará-la ao meu primo Daniel, que é o tradutor da obra do poeta Navi Leinad para o idioma de Camões.
Em tempo, já que citei Daniel e Leinad, vale lembrar que Fito é grande amigo do poeta traduzido por meu primo. Vamos ao textos!
Aroldo
Insoportable
Fito Páez
Sólo pienso en ti, sólo pienso en ti
es la hora de amar
es la hora de brillar
yo sólo pienso en ti
sólo pienso en ti, sólo pienso en ti
y algo me arrasó
algo me mató de vos
yo sólo pienso en ti
yo no sé si es tu signo
o la forma en que me mentís
pero vos sos más sensual que la chica de Ipanema
de Vinícius y Jobim
sólo pienso en ti, sólo pienso en ti
algo se pasó,
algo terminó,
yo sólo pienso en ti
no me llames por teléfono
se me hace mucho más insoportable
es posible que al final yo me vuelva loco
y me quede encerrado solo en esta habitación
yo sólo pienso en ti, yo sólo pienso en ti
sólo pienso en ti, sólo pienso en ti
ya no tengo que fumar, ya me cansé de tomar
yo sólo pienso en ti
yo sólo pienso en ti, sólo pienso en ti
pero en realidad, nena,
yo sé que en verdad sólo pienso en mi
insoportable, insoportable
insoportable, insoportable
Tradução
Insuportável
Fito Páez
Só penso em ti, só penso em ti
se é hora de amar
se é hora de divertir
eu só penso em ti
Só penso em ti, só penso em ti
e algo me arrasou
algo me matou em ti
Só penso em ti, só penso em ti
eu não sei se é o teu signo
ou o modo como mentes para mim
o certo é que você é mais sensual que a garota de Ipanema
de Vinícius e Jobim
Só penso em ti, só penso em ti
algo aconteceu,
algo terminou,
eu só penso em ti
não me telefone
pois isso faz com que a coisa fique insuportável
é possível que, no final, eu enlouqueça
e fique trancado sozinho neste quarto
eu só penso em ti
Eu só penso em ti, só penso em ti
Já não tenho o que fumar, ja cansei de beber
eu só penso em ti
Eu só penso em ti, só penso em ti
mas de verdade mesmo, gata
eu sei que de verdade, eu só penso em mim
Insuportável, insuportável
Insuportável, insuportável

Insoportable

Fito Páez é, junto com Charly Garcia e Luiz Alberto Spinetta, o mais importante nome do rock argentino. Nascido Rodolfo Páez Ávalos, na cidade de Rosário, em 1963, Fito é um compositor e cantor de reconhecido talento. Depois de atuar em alguns grupos, estreeou na carreira solo com o disco Del 63 (1984). Porém seu trabalho de maior repercussão é El amor después de amor (1992), considerado o disco mais vendido na história do rock de seu país.
Também é conhecido nos demais países latino-americanos. No Brasil são célebres suas colaborações com Caetano Veloso, Rita Lee, Djavan, Paralamas e Titãs. As rádios do sul do país, com alguma regularidade, tocam suas canções. Fãs brasileiros criaram uma comunidade para ele no Orkut.
Fito é vencedor de dois prêmios Grammy Latino de 2000, como melhor artista e melhor canção de rock (Al lado del camino).
A canção que segue se chama Insoportable, faz parte do cd Naturaleza sangre (2003). Nela há citação de compositores brasileiros. Tenho este dsco e recomendo para quem quiser ouví-lo. Fito é um compositor que entende os dramas humanos.

Aroldo José Marinho

Fito Páez- Insoportable

25 março 2009

Flores do mais


Saudações palmeirenses aos leitores e às leitoras do blog. Hoje posto um poema de Ana Cristina César (1952-1983), poeta carioca de talento, que fez parte de um grupo de poetas alternativos que atuou na década de 70, do século passado. Esse grupo recebeu rótulos variados e engraçados (geração mimeógrafo, literatura udigrudi, marginal).


Publicou poemas e textos em prosa em coletâneas, revistas e jornais alternativos. Seus primeiros livros, Cenas de Abril e Correspondência Completa, foram lançados em edições independentes. Em 1982 lançou A teus pés, pela editora Brasiliense. Segundo alguns críticos, em sua produção há uma fina linha entre o ficcional e o autobiográfico.

Apesar do talento, Ana Cristina não conseguia lidar com as dificuldades emocionais de forma serena. Em 1983, praticou ato de suicídio, se jogando do apartamento dos pais.

Com respeito e carinho, publico o texto As flores do mais. O título é um trocadilho com o poema As flores do mal, do simbolista francês Baudelaire.
Aroldo José Marinho


Flores do mais


Ana Cristina César

devagar escreva

uma primeira letra

escrava

nas imediações construídas

pelos furacões;

devagar meça

a primeira pássara

bisonha que

riscaro pano de boca

aberto

sobre os vendavais;

devagar imponhao pulso

que melhorsouber sangrar

sobre a faca

das marés;

devagar imprima

o primeiro

olhar sobre o galope molhado

dos animais;

devagar

peça mais

e mais e

mais

24 março 2009

Bye Bye Clô!


Na terça-feira (18/03) a imprensa comunicou o falecimento do deputado Clodovil Hernandez (PR-SP). O parlamentar de 71 anos foi acometido por um Acidente Vascular Cerebral (AVC), sendo encontrado caído ao lado da cama. Foi internado, às pressas, num hospital de Brasília. Na manhã daquele di, Clodovil passou por exames que ajudaram a detectar a morte cerebral. Por volta das 17:00 foi declarado morto. Sua morte repercutiu na sociedade brasileira.

Durante mais de 40 anos, Clodovil atuou no mundo da alta costura. Sendo um profissional de talento reconhecido. Depois foi ao encontro do grande público através dos meios de comunicação social, principalmente, a televisão. Trabalhou em programas voltados para o público feminino na maioria das emissoras do país. Como comunicador, seu momento mais expressivo foi a participação no programa Tv Mulher, em 1980, produzido pela rede Globo. Famoso por sua língua ferina, nunca evitou a polêmica. Sempre disse o que quis. Mesmo que tal posição de independência, muitas vezes, lhe custasse o emprego. Fato que, muitas vezes ocorreu. Neste sentido ficopui famosa a polêmica envolvendo Clodovil com a equipe do programa Pânico na Tv, que lhe rendeu a demissão sumária da rede Tv.

Em 2005, Clodovil deu um passo surpreendente: decidiu entrar para a cena política. Para tanto, assinou ficha de filiação num partido nânico, o Partido Trabalhista Cristão (PTC). Lançou sua candidatura rumo à Câmara dos Deputados em 2006. Sua vitória foi surpreendente, Foi eleito com 493.951 votos, a terceira maior votação de São Paulo. Ainda, foi o deputado novato mais bem votado do país. Chegou em Brasília fazendo discurso de oposição ao governo federal e para, não perder o hábito dos tempos de comunicador, em 2007, arrumou polêmica com a Cida Diogo (PT-RJ), a quem teria ofendido com palavras grosseiras. A deputada apresentou ação contra ele na Comissão de Ética. Clodovil divulgou nota pedindo desculpas às mulheres que se sentiram ofendidas por seu comentário. A ação foi arquivada.

Completado o primeiro ano em Brasília, o parlamentar tomou novo rumo. Saiu do PTC assinando filiação no PR, que faz parte da base aliada do governo. Sua mudança não foi tranqüila, o partido abandonado tentou cassá-lo na mais alta corte de justiça do país. Sem êxito, os juízes não entenderam ser infidelidade partidária a mudança de Clodovil, aceitando o argumento de que ele sofria perseguição no PTC. Dentro da base, ele mostrou ser um bom soldado. Uma das provas foi o encontro Dilma Rousseff nos corredores da Câmara. Sem perda de tempo, Clodovil disse para ela que os votos conseguidos por ele na eleição parlamentar eram dela.

Outros fatos foram protagonizados pelo deputado. Mas a intenção desta postagem não é esmiuçá-los. Longe disso. Clodovil já não está mais aqui para se defender ou atacar. Seu sofrimento teve fim. O que se pode é louvar suas atuações que, pouquíssimas vezes, a mídia divulgou. Parece que era mais interssante divulgar as polêmicas do costureiro/comunicador/parlamentar do que suas boas ações. Poucas pessoas sabem de sua militância kardecista, onde procurava realizar ações de caridade para as pessoas mais necessitadas. Quase nada foi citado de sua ação em benefício da preservação histórica de Ubatuba, no interior paulista, onde morava. Outras ações poderiam ser citadas. Todavia agora é importante dizer: Clodovil, descanse em paz!

Aroldo José Marinho



20 março 2009

Cinco perguntas para... Julie Graziela Zanin


Na postagem de hoje, dirijo algumas perguntas para Julie Graziela Zanin. A moça aí, da foto ao lado, nasceu em Sapucaia do Sul (RS), cidade próxima de Porto Alegre, é uma amiga que conheci através das salas de bate-papo, no final do século passado. Das pessoas conhecidas nestas conversas, provavelmente, ela é a única que ficou. Depois nossa amizade genial ganhou os e-mails, as cartas e os telefonemas, sobretudo, nas datas de aniversário. Posteriormente, por motivos profissionais, precisei ir ao RS. Foi a chance de me encontrar face a face com a moça gremista, que é gente muito boa, da melhor qualidade.
Julie espalha alegria e faz amigos pelos lugares por onde passa. Desde seu bairro em Sapucaia do Sul, até as salas do curso de Biologia que ela freqüenta na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Perto dela é impossível se sentir inútil ou triste. Meiga, solidária e sempre adorável. Qualquer assunto é bom para conversar com ela. Exagero meu? Claro que não!
Como forma de extravasar tanta energia, ela posta fotos e informações em dois blogs tri-pessoais (escrevi como gaúcho, tchê!). São eles: http://julygrazy.brasilflog.com.br e http://julygrazy.spaces.live.com. Seguem abaixo as perguntas e respostas que embalaram nossa conversa.

Aroldo José Marinho (A): Quando nos conhecemos, em 1999, você era uma figura constante na internet. Isso era uma necessidade?
Julie Graziela Zanin (J): Não, era uma novidade! Era o primeiro computador que tivemos em casa e com ele, nossa primeira internet. Jovem e novata neste mundo, queria mais era devorar tudo que via pela frente: e-mails, chats, ICQ (puxa, que saudade...), TUDO. E não enjoava, adorava ficar horas “tc” com as pessoas, conhecendo gente de tudo que era lugar e de todas as idades.

A: Pode contar um pouco sobre sua infância em Sapucaia do Sul?
J: Minha infância foi feliz e divertida! Morava em outro bairro, que era meio “isolado” do resto da cidade, devido a duas rodovias que passam próximas. Parecia cidade de interior, onde todos se conheciam e todos se cumprimentavam. Corri muito pelas ruas, andava de “bike”, brincava de professora, de boneca, jogava vôlei no portão, subia nas ameixeiras no fundo de casa, sentava no muro...Tinha várias amizades e também foi lá que “iniciei” minha adolescência. Fazíamos as conhecidas reuniões dançantes nos fundos de casa, com passinhos de dança e a “famosa” dança da vassoura (um menino que ficou sobrando pega a vassoura e passa pra outro que esteja dançando, tirando o seu par e deixando-o com a vassoura). E mesmo tendo passado por problemas de saúde aos 11 anos, foi nesse período que descobri os verdadeiros amigos, que mantenho contato até hoje. Uma fase que lembro sempre com muito carinho e alegria!

A: Quais os seus planos para depois que completar a formação universitária?
J: Na verdade ainda estou um pouco perdida e ansiosa com isso. Tenho inicialmente a idéia de fazer concursos públicos e ainda estudar para a prova de mestrado, que ocorre no final do ano. Mas certo, não tenho nada ainda. Gostaria de poder continuar a trabalhar com algo na área da Microbiologia. Trabalhando, eu poderia fazer meu mestrado também, acho que isso me deixaria realizada profissionalmente. E que esse projeto fosse útil, que tivesse alguma aplicação e finalidade, e não apenas pelo conhecimento.

A: O que faz a mulher Julie seguir adiante?
J: A certeza de que não estou aqui sem motivo. A certeza de que, se estou aqui, hoje, vivendo, é porque o Pai me entregou uma missão e eu tenho de cumpri-la. Além disso, o que me mantém nessa jornada é saber que existe amor, que existem pessoas que valem a pena no mundo. A presença da minha família, amigos, e de tudo que eu admiro...a perfeição do corpo humano, como tudo forma ciclos que se encaixam perfeitamente; a beleza de paisagens verdes, árvores, flores, frutos; os animais, por mais excêntricos e diferentes, por mais nojentos pra alguns, a percepção de que eles são importantes e necessários, e com isso tem sua beleza particular.
O mundo, a vida, as pessoas valiosas, o amor e Deus me fazem seguir!

A: Deseja fazer mais alguma declaração?
J: Se minha voz pudesse chegar aos quatro cantos e ser refletida, gostaria que as pessoas parassem alguns instantes por dia pra pensar na sua vida, no mundo, nas pessoas. Será que estou feliz? Porque estou neste trabalho? Estou vivendo ou sobrevivendo? E o amor, está comigo? E o próximo? Será que está bem?
As pessoas precisam pensar mais e refletir mais sobre si e tudo o que os rodeia. Os relacionamentos inter-pessoais estão formados por laços cada vez mais frágeis, as pessoas só pensam em suas vidas e esquecem do resto, do outro, tantos animais racionais como os irracionais. Nossa vida, de uma forma geral e considerando a “grande massa” está desviada dos verdadeiros propósitos criados para nós. Ética é palavra que se aprende na escola e nunca mais se põe em prática. Amor é título de filme de cinema apenas. Amigos de verdade não existem, apenas amigos virtuais de orkut e msn. Meio ambiente, natureza e afins são palavras bonitinhas utilizadas em propagandas de grandes empresas pra fazer-nos acreditar que são corretas.
É hora de acordar pra vida! Ainda há tempo para viver de forma correta e feliz! Basta acreditar!

19 março 2009

Dia de São José

Saúdo os leitores e as leitoras deste blog e comunico com alegria que hoje é dia de São José. E daí? Pode perguntar alguém enter vocês. Respondo que, tenho motivações para fazer esta psotagem: o sa´nto é padroeiro de Macapá, minha cidade natal. A catedral da cidade foi erguida em sua homenagem. Além disso, ele é meu padroeiro. Já esqueceram que o meu segundo nome é José?
Sobre é dito um monte de coisas boas e justas. Aliás, o significado de seu nome, entre outras coisas, significa O Justo. Sinceramente, me orgulho por minha mãe me ter dado este nome. Para prestar uma singela homenagem ao santo, descobri um site que me ofereceu informação preciosa sobre o carpinteiro da Galiléia. Seguem a indicação do site e o texto lá citado.
Tudo de bom sempre!
Aroldo José Marinho
Esposo da Virgem Maria e padrasto de Jesus. Ele figura na infância de Jesus conforme a narrativa de Mateus (1-2) e Lucas (1-2) e é descrito com um homem justo. Mateus descreve os pontos de vista de José e Lucas descreve a infancia de Jesus com José.

José é descendente da casa real de David. Noivo de Maria ele foi visitado por um anjo que informou a ele que ela estava com um filho e que o filho era do "Sagrado Espirito". Ele tomou Maria e a levou para Belem e estava presente no nascimento de Jesus. Avisado de novo, por um anjo das intenções do Rei Herodes José levou Maria e Jesus para o Egito. Eles só voltaram a Nazaré quando outro anjo, apareceu de novo a José, avisando da morte de Herodes. José devotou sua vida a criar Jesus e estava cuidando da ovelhas e de Maria quando os reis magos chegaram. Defendeu o bom nome de Maria e Jesus Deus o chamava de pai e queria ser conhecido como filho de José. Ele levou Maria e Jesus para visitar o templo e apresentar Jesus a Deus no templo. E juntamente com Maria ficou preocupado quando Jesus teria se perdido no templo, isto quando Jesus tinha 12 anos.
A ultima menção feita a José nas Sagradas Escrituras é quando procura por Jesus no Templo de Jerusalem. Os estudiosos das escrituras acreditam que ele já era um velho e morreu antes da Paixão de Cristo. Veneração especial a José começou na Igreja moderna ,onde escritos apócrifos passaram a relatar a sua história. O escritor Irlandês, do nono século Felire de Oengus comemora José, mas veneração a José só se espalhou no 15° seculo. Em 1479 ele foi colocado no calendário Romano com sua festa a ser celebrada em 19 de março. São Francisco de Assis e Santa Teresa dAvila ajudaram a espalhar a devoção, e em 1870 José foi declarado patrono universal da Igreja pelo Papa Pio IX. Em 1889 Papa Leão XIII o elevou a bem próximo da Virgem Maria e o Papa Benedito XV o declarou patrono da jjustiça social. O Papa Pio XII estabeleceu uma segunda festa para São José, a festa de "São José, o trabalhador" em primeiro de maio. Ele é considerado pelos devotos como padroeiro dos carpinteiros e na arte litúrgica da Igreja ele é mostrado como um homem velho com um lírio, e algumas vezes com Jesus ensinando a Ele o ofício de carpinteiro.
De acordo com um antiga lenda, Maria e as outras virgens do Templo receberam ordens para retornar a sua casa e se casarem. Quando a Virgem Maria recusou-se, os anciões oraram por instruções e uma voz no Santuário instruiu a eles a chamarem todos os homens que podiam se casar para a Casa de David e para ele deixarem seus cajados no altar do templo durante a noite. Nada aconteceu. Os anciões então chamaram também os viúvos, entre eles estava José. Quando o cajado de José foi encontrado na manhã seguinte coberto de fores (" as flores no bastão de Jesse") a ele foi dito para tomar a Virgem Maria como esposa e a guardasse para O Senhor. Muitas vezes o cajado florido é mostrado como um bastão de lírios.

Outra versão da vida de São José é relatada nos "Atos de São José" que é tido por muitos como sendo apócrifa, mas estudiosos como Origens, Euzébio e São Cipriano fazem referência em suas obras. Nesses "Atos" José teria se casado jovem e só foi prometido a Maria quando já era viúvo. José teria tido, no primeiro casamento, duas filhas e quatro filhos sendo o caçula chamado Tiago, que Jesus considerava como irmão e com ele teria passado sua infancia e parte de sua adolecência. E Maria achou o menor Tiago na casa de seu pai e este estava triste pela perda de sua mãe e Maria o consolou e o criou. Assim Maria é as vezes chamada de mãe de Tiago. Com o passar dos anos o velho José tinha uma idade bem avançada, mas nunca deixou de trabalhar, nunca sua vista falhou e nunca ficava sem rumo, tonto, e como um rapaz ele tinha vigor e suas pernas e braços permaneceram fortes e livres de nenhuma dor. Quando aproximou-se a sua hora um anjo do Senhor veio até ele e disse a ele que estava para morrer e ele levantou-se e foi para Jerusalém orar no santuário e disse: "O Deus autor da consolação, O Senhor da compaixão, ó Senhor de toda a raça humana, Deus de meu corpo e espirito, com súplica eu Vos reverencio e Ó Senhor e meu Deus, se agora meus dias terminam e eu preciso deixar este mundo, peço a Vós que envie o arcanjo Miguel, o príncipe dos Vosso anjos, e deixe ele ficar comigo e leve minha alma deste aflito corpo sem problemas e sem terror. E José foi enterrado pelos seus amigos e parentes sem o odor dos mortos. Estaria explicado assim a grande polêmica do "irmão" Tiago que Jesus pediu para tomar conta de sua mãe Maria e deu origem a várias discussões sobre a virgindade de Maria.Desse modo os "Acts of Saint Joseph" teem o seu lado positivo e negativo e tem que se ter cuidado para lê-los assim como os "Acts of Saint Paul". Sua festa é celebrada no dia 19 de Março.
Cumpre observar que no passado , no mês de março, as cartas terminavamcom SJMJ que significa: Salve Jesus, Maria e José.

10 março 2009

Ludov- Dois a rodar

Dentre as bandas de rock surgidas no início deste século, Ludov está entre as que merecem o meu respeito. Herdeira do Maybees, grupo que interpretava canções em inglês, Ludov faz um rock rock gostoso, compentente e honesto. Nas suas canções há temas como amor e frustração, esperança e desespero entre outros. Nos dois primeiros discos, Dois a rodar (2003) e o Exercício das pequenas coisas (2005), sua formação era constituída por Vanessa Krongold (voz), Mauro Motoki (guitarra, teclados), Habacuque Lima (guitarra), Paulo "Chapolin" Rocha (bateria) e Eduardo Filomeno (baixo).
Após a gravação de Universo paralelo (2007), Filomeno decidiu sair da banda para viver no exterior. Para suprir sua ausência, a banda contrata baixista para lhes acompanhar em apresentações ao vivo.
A banda tem respeito da crítica e do público, Entre os prêmios recebidos está o Video Music Brasil, dado pela MTV, em 2004, pelo clipe Princesa. Além disso, caiu na minha simpatia. Assisti uma apresentação de Ludov na Fnac, em 2005. Foi muito legal! No final, conversei com Motoki que, assim, como Lima, é nascido em Brasília. Ganhei um beijo de Vanessa, que, para mim, se tornou a nossa Bjork.
Segue para vocês o belo clipe da canção Dois a rodar, tema composto por Motoki.
Ludov- Dois a rodar

08 março 2009

A Mulher e as Mulheres

Viva o dia internacional da MULHER!!! Talvez vocês perguntem espantados sobre o motivo de ser postada uma foto minha ao lado do grande ator Paulo José num texto que pretende homenagear às mulheres no seu dia internacional. Não seria melhor botar uma foto de madre Tereza ou de outra mulher importante para a humanidade? A resposta é simples mas merece uma historinha. Lá vai!
Na segunda-feira passada foi no cine-clube do sindicato bancário aqui do Distrito Federal. Toda segunda é dia exibição de filme nacional. Para este mês, foi decidido que todos os filmes exibidos tematizariam a mulher. O filme da vez era Todas as mulheres do mundo, de Domingos de Oliveira, estrelado por Paulo José e a musa Leila Diniz, Lançado em no abençoado ano de 1967 e tido como um dos raros sucessos de crítica e público.
O filme conta a história de Paulo, um jornalista que sempre acreditou que, por ser múltiplo, o amor masculino não só poderia como deveria ser oferecido para várias mulheres. Até que um dia, conheceu Maria Alice, namorada de um amigo. Foi paixão à primeira vista. Aí tudo mudou! Os conceitos dele foram balançados. O casamento e a fidelidade de possibilidades remotas passaram a ser conceitos a serem praticados. Descrevendo como estou fazendo agora, talvez, a história não pareça ser atrativa. Contudo, quem assistir ao filme, há de me agradecer pela indicação.

O filme consolidou a carreira de Leila como atriz e fez dela uma referência como mulher, alguém de atitude e carisma. Eu sempre ouvi falar dela, vi a cine-biografia Leila para sempre Diniz, de Luiz Carlos Lacerda, com Louise Cardoso vivendo a protagonista. Minha curiosidade me fez ler muita coisa sobre Leila, inclusive, a celebre entrevista dada para o Pasquim, em 1969. Fiquei com vontade de conhecê-la, ser da turma dela. Porém a musa foi para o andar superior da existência em 1972, quando este palmeirense que vos escreve tinha apenas quatro aninhos. Um pouco dessa curiosidade foi saciada em 2006 no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. Eu estava andando pelos corredores do hotel onde rolavam os eventos do festival quando dei de cara com Janaína Guerra, filha de Leila com o cineasta Ruy Guerra. Nos olhamos. Pensei rápido: É a filha da musa!!! Deu vontade de sair atrás dela. Mas o bom senso falou mais alto e eu segui meu caminho.

Não sei da história social deste país de uma mulher que tenha sido mais progressista e atual do que Leila Diniz. Ela teve a coragem necessária para peitar uma sociedade amarrada por um ditadura violenta e por grupos de moralismo extremado. No seu tempop, foi chamada de prostituta e exibicionista. Hoje todos sabem que é merecedora de carinho e aplausos. Certo que há outras musas geniais para a gente admirar. Mas da primeira musa, a gente nunca esquece.

No ano passado, num outro evento de cinema, encontrei com Paulo José. Apesar das dificuldades impostas pelo mal de alzheimer, o cara não pára. Trabalha e é solícito com as pessoas. Quando o encontrei, pedi para bater a foto aqui postada. Depois é que me toquei: eu estava ao lado do ator que trabalhou com Leila no filme que a consagrou. Em 1990, a rede Globo pediu para Domingos de Oliveira fazer uma versão televisiva de sua obra-prima. Ele topou, chamou Pedro Cardoso e Fernanda Torres para os papéis principais. O resultado não foi bom. Fernandinha tentou mas não fez ninguém esquecer Leila. Quanto ao Pedro Cardoso, bem... ele é muito bom na Grande Família e nas críticas contra o nú no cinema nacional. Mas não tem talento para ser namorado de musa.

A postagem vai em frente lemrando que paa homenagear todas as mulheres de nossas vidas, só mesmo homenageando uma MULHER acima das épocas. Que todas as mulheres que fazem parte de minha vida, entre elas, as leitoras deste humilde blog, recebam minha homenagem. Que assimn como Leila Diniz, ela sejam todas geniais e dignas, inteligentes e meigas, meninas doces e senhoras de atitudes soberanas. Que sejam sempre MULHERES! Que nós possam sempre ser bons admiradores e parceiros compreensivos. Feliz dia internacional da MULHER!!!
Aroldo José Marinho

06 março 2009

O mundo de Dilma

Então agora é verdade: o governo federal acredita que Dilma Rousseff poderá suceder o presidente Lula no comando da nação. Antes, o que havia era só especulação e tentativa de advinhação. Porém agora é fato. Tanto é que, mesmo que, de forma velada, a ministra-chefe da Casa Civil já está em campanha.

Conheço pessoas que têm restrição ou que não acreditam na candidatura da ministra. Para dar peso ao que pensam, tais pessoas enfatizam que em nenhuma pesquisa Dilma foi citada como sendo a preferida do eleitorado.

Pessoalmente, penso que quem não acredita ou apresenta restrição à ministra Rousseff, está equivocado. Ou, no mínimo, raciocina de maneira apressada. Neste caso, vale lembrar o dito popular que afirma ser a pressa a inimiga da perfeição.

É verdade que a ministra não apareceu na liderança de votos em nenhuma pesquisa. Todavia também é verdade que ela começou a subir nas intenções de voto. Vale lembrar também que a candidatura dela é a única que não sofre rejeição em nenhuma das classes sociais entrevistadas. Esse dado é importantíssimo.

O presidente Lula tem pretensões altíssimas para o caso da candidatura de sua ministra preferida emplacar. Além de manter no poder uma pessoa de sua confiança, ele terá certeza de haverá a continuidade de seu projeto político. Será lembrado também como o político progressista que apostou na competência feminina.

Talvez muitos cidadãos sejam tentados a pensar que bastou Lula escolher Dilma como sua candidata do coração e pronto. Não foi bem assim! Não é assim que as coisas acontecem. Primeiro, o presidente teve que desarmar os espíritos e as pretensões dos presidenciáveis do Partido dos Trabalhadores (PT). Foi preciso pacificá-los. E isto ele fez. O passo seguinte foi convencer o Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) a apostar numa mulher cujo perfil não apresenta afinidade com a prática política comumente associada a este partido.

Os companheiros do PMDB toparam a parada e se alistaram como soldados leais na causa de Dilma. Prova disso é a atuação dos senadores do partido para não deixar que a ministra fosse inibida em alguma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). Há senadores da oposição que utilizam essas comissões para tentar causar danos às figuras de proa do governo Lula. Alguém lembra da tentativa estúpida do senador José Agripino Maia (DEM-RN) de querer humilhar a ministra numa CPI? O cara tem motivos para lamentar o tiro dado no pé.

Já ouvi algumas pessoas afirmando que a senhora Rousseff terá que passar por uma "reforma" de perfil. Conhecida como uma pessoa dura, que preza a eficiência e pouco avessa à tolerância, Dilma entende que sua imagem pouco acessível não lhe fará ir a nenhum lugar. Inteligente, tomou providências: as fotos recentes dão a entender que ela fez cirurgia plástica; mudou o penteado; tira os óculos nos momentos de descontração e que está se esforçando para ficar a vontade em qualquer situação.

Todos esses esforços visam fazer da eficiente ministra a herdeira natural do legado de Lula. Nesse sentido, Dilma está sendo preparada para ser vista pelo eleitorado como a imagem e semelhança do líder operário, para continuar com o carisma lulista. Contudo os críticos do presidente e de sua eleita consideram a batalha perdida. Será que eles têm razão?

Particularmente, aposto no erro dos críticos. Considerando que muita água, ainda, há de rolar por baixo da ponte da sucessão presidencial, as afirmações não podem ser fechadas ou definitivas. Oficialmente, não existem candidatos nem pré-candidatos à presidência da república. Tudo é especulação! Mas assim que a campanha começar, muita coisa terá ocorrido. O governo federal poderá colher os frutos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) que, por tabela, serão debitados na conta da senhora Rousseff. Vale lembrar que ela é a "mãe do PAC".

Além disso, não dá para negar que a ministra tem o perfil que agrada às pessoas que acreditam na força da democracia. Dilma combateu a ditadura como guerrilheira. Foi presa e torturada. Nunca compactuou com os governantes anteriores à sua ida para o poder. Entrou no governo por causa de sua competência técnica. Depois é que ela ocupou espaço na cena política. Por fim, a ministra é a presença feminina no governo brasileiro. Da mesma forma que a vitória de Barack Obama, nos EUA, a eleição de Dilma Rousseff será um marco na vida política brasileira.
Aroldo José Marinho

25 fevereiro 2009

Cinco perguntas para ... Celso Antônio Pereira


Escolhi como entrevistado de hoje Celso Antônio Pereira, um carioca que vive no Distrito Federal (DF) desde os anos 60. Primeiro foi morador na cidade-satélite do Gama. Atualmente, reside no Riacho Fundo I. Além de zeloso esposo, pai e avô, Celso é um dedicado servidor público da Universidade de Brasília (UnB).

Nas horas vagas, assume a personalidade de artista, exprimindo seu talento através de textos poéticos (como o que segue no final deste post, cortesia de amigo) e de fotografias. Quem quiser conhecer um pouco da arte de Celso, basta acessar o blog www.celso-fotos.blogspot.com. Ele tem um livro autobiográfico esperando por publicação. Tive acesso ao conteúdo o livro. Há muita sinceridade no texto.

Com este sujeito, assumidamente, botafoguense, conversei sobre arte, amor, vida, etc. Ele foi solícito e respondeu todas as perguntas com a tranqüilidade. que lhe é característica. O diálogo fluiu de forma muito agradável. Agora vocês poderão conhecer um pouco mais sobre o Celso.

Aroldo (A): Como você chegou no DF na década de 60, viu muitas transformações acontecerem no lugar. Pode contar um pouco a respeito?

Celso (C): Minha vinda pra Brasília se deu através de uma tia minha, a tia Dijá, irmã de minha mãe, pois ela já era moradora daqui da nova capital ! E por conseqüência do destino, viemos para Brasília no ano de 1966, Brasília era um verdadeiro poeirão vermelho. Eu tinha, exatamente, dez anos e, para mim, era uma transformação muito grande sair do Rio de Janeiro (RJ). Morava em Copacabana, muita praia, cinema e futebol na rua Ascenção, dos Beatles, carnaval. Minhas amizades de infância!

Cheguei a ser até escoteiro da paróquia Santa Terezinha, em Copacabana, e tudo isso deixei para trás, para começar uma nova vida que hoje, estou muito feliz aqui em Brasília que, nesses anos teve grandes transformações. Hoje Brasília é uma bela senhora de quase 50 anos. Aqui me criei e constitui família. Sou casado com uma nortista do Oiapoque (AP) e hoje tenho dois filhos, Alexandre e Claudia, e um neto Gustavinho, razão de nossas vidas .

Mas Brasília é uma cidade bela, uma arquitetura invejável. É uma cidade que me oferece uma qualidade de vida fantástica .

A: Como teve início sua relação com a literatura e a fotografia?

C: Minha relação com a leitura começou na Biblioteca Central dos Estudantes (BCE), da UnB, onde sou servidor há 30 anos. Não poderia perder esta oportunidade, em minha vida, trabalhar dentro de um acervo de livros como aquele da BCE. Foi lá que comecei adquirir o interesse por leitura. Digo, com certeza, foi através dos livros que aprendi o pouco que sei. Pois não tive muita oportunidade de estudar. Pois muito cedo tive que ir trabalhar. Aos 12 anos já trabalhava vendendo cocada e sorvete. Mai só aos 22 anos tive esta oportunidade em minha vida de ler com mais freqüência. Hoje tenho o prazer de ter um pequeno acervo em minha casa e ter escrito uma autobiografia e tenho um livro de poesias também praticamente pronto no forno.

A fotografia começou na minha adolescência. Era jovem mas a fotografia me encantava ! Minha primeira máquina fotográfica foi uma Kodak pequena que, para minha sorte, eu achei em uma lixeira. Ela já era meio enferrujada mas não é que a máquina era excelente! Fiz muitas fotos legais com ela. Hoje sinto não tê-la mais comigo. Com o tempo e as mudanças, ela se perdeu! Mais depois disso, eu tive outra máquina Kodak 35mm onde, realmente, passei a me interessar por fotografia de verdade. Mas só agora com as máquinas digitais é que posso, realmente, expor um pouco do meu trabalho como fotógrafo amador. Hoje graças a Deus tenho um máquina de qualidade, uma Alfa A 200 da Sony e tenho um blog de fotos (www.celso-fotos.blogspot.com) na internet e mantenho um intercâmbio com quem gosta de fotografia no site www.flickr.com, que é muito legal. Você acaba conhecendo pessoas amantes da fotografia, o que é o meu caso.

A: O fato de sua esposa ser amapaense parece ter aproximando você da Amazônia. Isso é verdade?

C: Verdade amigo! Como já falei, me casei com uma amapaense, do município do Oiapoque, e a ela agradeço esta oportunidade de conhecer um pouco da Amazônia, em especial, o Amapá, onde fiz grandes amigos e hoje tenho parentes por lá! O Amapá foi amor à primeira vista, onde eu pude conhecer um pouco do seu povo, sua gente, sua música, a culinária que é fantástica, sem falar na cultura amapaense, que é muita rica. Enfim, a Amazônia tem muita riqueza para nos dar !

Tive a oportunidade de conhecer a floresta amazônica no município do Oiapoque, onde entrei dentro da floresta e pude sentir uma energia incrível que não tem explicação. É muito emocionante você dentro daquela mata ouvindo o canto dos pássaros, andando de canoa e conhecendo os povos das ribeirinhas . Ter contatos com índios, ir nas casas de farinha, poder atravessar a fronteira do Brasil com Guiana Francesa e, lá pode fotografar um pouco do dia a dia dos povos da Amazônia. Uma experiência inesquecível. Não vejo a hora de voltar lá e poder rever o meu povo. Eu amo a Amazônia, em especial o Amapá.

A: Agora você também é avô. Qual a diferença de ser pai e avô?

C: Caro amigo! É uma experiência incrível ser avô; é uma felicidade dobrada. Agradeço ao meu filho e à minha nora Edith esta dádiva de ter nos dado o Gustavinho, meu neto, que é a razão de nossas vidas; de ter um mundo melhor. Um mundo de paz, amor, e o legal disso tudo é que ele já nasceu num mundo super-hiper-ativo, onde se fala em giga, megabytes, internet. Ele já sabe ligar um computador. Uma criança de dois anos. Isso não é incrível?

A: Deseja fazer mais alguma afirmação?

C: Gostaria de agradecer a oportunidade de poder aqui falar um pouco da minha pessoa, do meu dia a dia. Espero ter contribuído com esta coluna. Cinco perguntas para o Celso. E isso, para mim, é gratificante. Ser lembrado no meio de tanta gente assim especial, como Daniel, Paola e muitos outros que virão. Paz sempre! Abraço.


A arte de viver

Celso Antônio Pereira

I
Queria falar com alguém!
Talvez dos meus anseio e desejos!
Queria achar uma expressão mais simples!
Falar do branco, do preto, do índio, da música !
II
Da poesia que me inspira do carnaval;
Do futebol que é uma grande paixão;
Da mulher brasileira em movimento!
Do ator em cena, do espetáculo
Que é a arte viver uma grande emoção.


Vanguart de novo

Ofereço para vocês a apresentação que Vanguart fez no programa Altas Horas, apresentado pro Serginho Groismann, nas noites de sábado, na rede Globo. A canção se chama Semáforo. Seu conteúdo faz referência ao desespero e a urgência de vida que são típicos da juventude das grandes cidades.
Harold

Vanguart- Semáforo

20 fevereiro 2009

O talento de Vanguart

O Brasil se rendeu ao talento de Vanguart, banda de folk rock vinda de Cuiabá, no Mato Grosso (MT). Formada, da esquerda para a direita, por Douglas Godoy (bateria), Luiz Lazzaroto (teclado), Hélio Flanders (voz e violão), Reginaldo Lincoln (baixo) e David Dafré (guitarra), a banda tem entre as suas influências artistas ligados às cenas do folk, blues e rock clássico. Gente como Johnny Cash, Bob Dylan, Beatles e Neil Young.

Em 2005, a banda participou de alguns festivais do circuito independente, ganhando aplausos do público e elogio da crítica. Através da revista Outracoisa, editada pelo cantor e compositor Lobão, os meninos de Cuiabá lançaram, em 2007, o primeiro cd. No final desse ano, Vanguart se apresentou no programa Som Brasil, da rede Globo, prestando tributo ao mestre Raul Seixas.

Friso que o grupo ganhou diversos prêmios na categoria artista revelação dados por veículos como: Mtv, Multishow, Dynamite. E, aos poucos, vai consolidando seu nome. no cenário da música jovem de nosso país. Isso é muito expressivo! Infelizmente, muitas pessoas no Brasil são tentadas a ver o Mato Grosso como o berço da música pantaneira e nada mais. Pensam que os únicos talentos de lá são Almir Sater e Helena Meireles. Claro que estes artistas são geniais e merecem muito respeito e aplauso. Todavia está surgindo muita gente boa em vários estilos. Neste cotnexto, Vanguart é só a ponta do iceberg.

Como morador do Distrito Federal (DF), dentro da região centro-oeste, fico feliz com o espaço que a banda cuiabana vem alcançando. Faço votos para que Vanguart tenha sempre um grupo inspirado e mostre trabalhos de sensibilidade e talento para as pessoas que amam o rock e as suas vertentes.
Aroldo José Marinho

19 fevereiro 2009

Ainda a Mira

Conforme o prometido no post anterior, aqui estão alguns poemas de Mira Alves. Os textos fazem parte do livro Calliandra, lançado pela artista na décade de '80.
Boa leitura!
Harold


Imensurável
Não quero consolo
de frases feitas
Frase feita não é eficaz
E tem efeitos colaterais
Não quero consolo
de frases
Pronta-entrega
Nem sob-medida
Imensurável
É o meu amor

Chegando a Brasília depois de um feriado
Cheguei para te fazer companhia
Nesta noite quase fria
Silenciosa noite
O vento sopra como chicote em açoite
Todos te deixaram,
eu também
Mas cheguei!
Para ficar contigo
nesta noite.
Sei, deves estar sentindo só
Todos partem para os campos,
Matas, montanhas, mares
Todos partem e te
deixam só
Todos só te dão
Solidão

Com vontade
Ver você partir
Foi uma dor que não tive
Estrutura para admitir
Disfarcei, fingi
Não vi
Não pensei no que perdi
Sobrevivi
Sobrevivi com vontade
Com vontade de morrer
Morrer de dor
Morrer de amor
Com vontade de morrer
Morrer de rir
Rir da capacidade
Capacidade de disfarçar
Tamanha dor

Pessoa amada
A pessoa amada é aquela
Que vai contigo pelo mundo
Afora
Que fica contigo pela noite
Adentro.
É teu homem, teu menino
Tua pequena, tua mulher
É aquele alguém que
te oferece
O ombro
Que te oferece o lenço
Que ouve o teu soluço
O teu silêncio
É aquele alguém que tu
Tens para te tratar bem
É aquele alguém que
te espera
Sentado
Que te aplaude de pé

Poesia andarilha.Mire-se nos versos de Mira


Saudações palmeirenses e bicolores às pessoas que me dão a honra da visita a este humilde blog. Hoje posto uma matéria escrita por Marcelo Abreu, na edição de 19/02/09, do jornal Correio Braziliense, aqui do Distrito Federal. Ele escreveu sobre Mira Alves, poeta e pintora, além de minha amiga; clicada pelas lentes do fotógrafo Ronaldo de Oliveira. Vale lembrar que, indiretamente, há citação a meu respeito no texto. A quem vocês pensam que o repórter se refere quando afirma que " um bom amigo digita pra ela" ?

Mira é uma artista que traz no seu trabalho a herança dos poetas alternativos da década de '70, lá do século XX. Gente como Chacal, Cacaso, Geraldinho Carneiro, Ana Cristina César, Nicolas Behr, entre outros. Seu estilo é lúdico, que nos diverte, apaixona e faz sorrir.

Segue o texto de Abreu. Num outro post, vocês lerão alguns dos belos poemas escritos por Mira Alves.
Aroldo José Marinho


Figura conhecida das noites de Brasília, ela já escreveu 20 livros e tem outros cinco inéditos, todos feitos à mão. Em seus poemas, fala de amor, solidão, esperança e vida. Há duas décadas, vende sonho pela cidade

Marcelo Abreu
Da equipe do Correio

Você certamente já a viu. Se vai a bares e restaurantes, com frequência ou não, já esbarrou com ela. Se vai ou foi ao velho e bom Beirute — a melhor subversão de Brasília e, por isso, sua mais maluca tradução —, já cruzou com aquela mulher de brincos e colares grandes. Ah, se já... Se já foi ao Libanus, idem. Ao Feitiço Mineiro. Ao Café Martinica. Ao Balaio. Ao Café da Rua 8... Melhor parar por aqui. É tanto bar, restaurante e café que essa listinha não teria mais fim. Com certeza, aquela estranha foi à sua mesa. Mas muito provavelmente você não sabe — e talvez nunca quis saber — seu nome.

Alguns, entretanto, até sabem. Conversam com ela. E a convidam para se sentar. Há uns que a deixam falar, fazem perguntas, folheiam o que ela carrega. Mostram interesse. Argumentam. Elogiam. Outros, porém, trocam meia dúzia de palavras, não folheiam o que aquela mulher carrega. E ela parte. É preciso ir. A caminhada é longa, cansativa, extenuante. Tem sido assim há 23 anos. Esse é o seu ofício.

Aquela mulher de estatura mediana, cabelos ondulados, olhar ao mesmo tempo de curiosidade e certo espanto, talvez uma timidez que mal consegue disfarçar, atende pelo nome de Valmira Alves. Valmira o quê? Deixa pra lá. Ela se apresenta apenas como Mira Alves. É artista — escreve poesias e pinta telas abstratas e paisagem. É pela sua obra que ela caminha de bar em bar, tentando vendê-las. Há 23 anos, Mira vive a noite e sua madrugada. Na penumbra da cidade, nos bares lotados, na solidão que dilacera os andarilhos, no desamparo dos bêbados, na esperança dos que batalham, lá está Mira. É igualmente personagem. Mais um na vida anônima dos milhares de anônimos de Brasília.

Mas eis que, a certa hora, depois de andar as Asas Sul e Norte, pulando de um ônibus para o outro, ou mesmo a pé, ela desaparece. Ninguém dos bares consegue dizer para onde foi. Ninguém sabe, além do que escreve nas suas poesias, mais nada sobre ela. É como um mistério. Durante o dia, ninguém a vê. Onde aquela mulher mora? Onde vive? O que pensa? Quais são seus planos? Medos? Por que escreve? O que a leva a pintar? Quem é Mira, afinal?

Depois de algumas conversas, Mira aceitou falar ao Correio. E nos permitiu chegar até onde mora, um apartamento humilde na 709 Norte, com janelas para a W3, o qual divide com mais sete outras pessoas. É uma espécie de república, gente tão anônima quanto ela. É ali, desde setembro, que Mira procurou abrigo, depois de deixar Luziânia (GO), cidade onde nasceu.

Aprendizado em casa
Tarde de ontem, 16h, Mira nos espera no lugar combinado. Há uma escada íngreme que se vence até chegar ao seu apartamento. Lá está a poeta da noite. Sorriso bom, olhar ainda desconfiado. Sobre a pequena mesa da saleta, livros (feitos em papel A4), cadernos cheios de poesias e telas. Aos poucos, os segredos daquela mulher de 49 anos, sem filhos e solteira (“por opção, mas sou muito namoradeira”, brinca) vão se dissipando. Mira é simples. Fala baixo e os olhos encaram o interlocutor com delicadeza. O sorriso é contido. Filha de um agricultor e de uma dona-de-casa, foi criada na roça. Carrega uma timidez que ela mesma tenta vencer. “Só aos 13 anos, com a separação dos meus pais, fui para a cidade com minha mãe”, conta. Aos 14, ela deixou a distante Luziânia para morar em Brasília, na casa de uma irmã mais velha. Parou na Asa Sul.

Aqui, estudou. Terminou o ensino fundamental e o médio. E formou-se em Teologia. Sim, em Teologia, não está escrito errado, não. Em tempo: a escritora se confessa católica praticante de “ir à missa todo domingo”, faça chuva ou sol. Mas a poesia sempre lhe tocou mais profundamente. “Meu pai, lá na roça, fazia versos de improvisos e tocava viola de moda. Cresci assim”, ela diz. Ainda menina, apaixonou-se por Casimiro de Abreu. “O poema Meus oito anos me marcou profundamente”, fala. Na adolescência, passou a admirar Clarice Lispector, Mario Quintana e Adélia Prado. E começou a trabalhar, para se sustentar. Vendeu muito produto de beleza de porta em porta. Ou seja, andar sempre foi a sina de Mira.

Em 1986, a artista retornou a Luziânia. Junto com escritores locais, fundou o Grupo Asas. Lançaram um jornalzinho alternativo na cidade, todo voltado à publicação de poesias. Mira passou a vender o jornal pelos bares do Plano Piloto. “O Beirute foi o primeiro que me deixou entrar e vender”, diz. A experiência foi tão agradável que, em 1987, ela lançou seu primeiro livro de poesias: Calliandra, a flor do cerrado, com 1,5 mil exemplares, todo bancado com suas poucas e suadas economias de andarilha e ajuda de uma boa irmã. “Em um ano, de bar em bar, a edição se esgotou. Vendi tudo”, vibra, como menina que acaba de ganhar a boneca preferida.

Sentimentos
Mira nunca mais parou. De lá pra cá, passaram-se 23 anos. São 20 livros (em papel A4) e mais cinco ainda inéditos. Sem computador, ela escreve à mão. Depois, um bom amigo digita pra ela. E a obra fica pronta. “Quando escrevo, tô explicando o mundo pra mim mesma. É uma libertação”, constata. E confessa, comovida: “A palavra muda, consola, alimenta, liberta e salva. A mim me salvou. E a poesia é minha opção pra viver”.

Há dez anos, ela resolveu ressuscitar seu talento de pintora. “Pinto óleo sobre tela e acrílico. É uma pintura abstrata e gosto de paisagem. Tudo que lembra minha infância na roça: flores, cavalos e pássaros”, explica. E assim, com livros e telas, de ônibus ou a pé, ela ganha a noite. Mistura-se a uma gente tão anônima quanto ela. Vai vender poesia. Se é bom ou ruim, cabe ao leitor opinar. Mira fala dela, de sentimentos muito particulares, de amores e sonhos. Fala, em essência, de vida. “Aos 20 anos, eu achava que a melhor defesa era o ataque. Fazia isso porque sentia medo do mundo. Hoje, não tenho mais medos. Não preciso mais me defender”, filosofa. “O que me entristece? O preconceito, de todas as formas, e a injustiça no mundo.”

Esta é Mira, que aparece do nada e vai embora com a mesma intensidade. Da próxima vez que você a vir em alguma quebrada dessas, permita-a que se aproxime. Decididamente, ela não morde. Folheie o que a poeta andarilha carrega. Ela só quer falar, mesmo que não diga uma só palavra oral, de poesia. É disso que vive. É dessa forma que encarou a vida, seus mistérios e a escuridão pária da noite.

14 fevereiro 2009

O detetive e a moça

Leitores e Leitoras!
Ainda no contexto do dia de são Valentino, segue um texto que escrevi em 1996, no século passado. A inspiração do poema veio quando eu estava assistindo um filme na televisão. Era Dick Tracy, estrelado e dirigido por Warren Beatty, com as participações de Anette Benning e Madonna. Não era um grande filme. Todavia teve seus momentos de brilho. Foi um desses momentos que me motivou a escrever o texto que segue.
Espero que a leitura lhes seja agradável. Peço que deixem seus comentários.
Um abraço!
Aroldo José Marinho


O detetive e a moça
Aroldo José


Você é a única!
Foi o que disse o detetive
Que usava capa amarela
Para a bela moça
Que ele amava.
Ela era tão bonita
E se tornava mais bonita
Quando ficava indecisa.


A moça de chapéu,
Que era tão clara.
Sonhava com uma vida feliz
E calma assim como ela.
Ela queria uma vida burguesa
E um vestido de princesa.


Você é a única!
Ela sabe que ele disse a verdade.
Ele a quer para toda vida:
Dividir histórias,
Unir corpos suados,
Pagar contas
E levar as crianças na escola.


Ele lembra de quando a viu
Pela primeira vez.
Era dia de chuva,
Ela estava ensopada.
Ele lhe ofereceu um guarda-chuva.


Ela era tão bonita.
Ele lhe deu também o seu coração,
Seu jeito simples e honesto
Que fica sem jeito
Quando fala dos assuntos do coração.


Ele não disse que a amava
Porque é difícil explicar
O que se sente.
Porém acariciou seus cabelos molhados
E contemplou seus olhos claros.
Ela pensou o quanto ele era elegante.
O homem da capa amarela,
O homem que respeitava a lei
E fazia a chuva parecer
Um dia de primavera.


Você é a única!
Ele disse que sabia disso.
Ela disse que o amava
Enquanto a chuva caía.
Ele a protegia
E ela sabia que ele a amava.
O homem da capa amarela
Que tornava sua vida bela.

De novo, o Valentino



Hoje é dia de são Valentino. Data em que, com exceção do Brasil, é comemorado o dia dos namorados. Em 12 de junho de 2008, publiquei um texto sobre o fato dos namorados terem uma data de comemoração diferenciada em nosso país. Como forma de homenagear são Valentino, republico o texto.
Tudo de bom!
Aroldo José Marinho

Dias do namorados? E o Valentino?

Hoje é dia 12 de junho. Se comemora o dia dos namorados. Será mesmo? Claro que sim! Bem... pelo menos, aqui no Brasil é isso mesmo. Mas no resto do mundo a história é outra. A comemoração acontece no dia 14 de fevereiro, data de comemoração de são Valentino, o padroeiro dos namorados.

Então, namorados também têm padroeiro? Se existe mesmo um padroeiro, o título não deveria pertencer a Santo Antonio? Quem foi este tal Valentino? Por que a comemoração dos namorados aqui no Brasil acontece noutro dia e mês? Será que os namorados brasileiros diferem dos amantes de outros lugares? Haja pergunta! Vou tentar responder.

Valentino era um bispo católico que viveu durante o governo do imperador romano Claudius II. Por acreditar que jovens solteiros tinham perfil ideal para serem guerreiros, o imperador proibiu que fossem realizados casamentos em Roma. O bispo ignorou a proibição oficial e continuou a celebrar casamentos em cerimônias sigilosas.

Descoberto, Valentino foi preso e condenado à morte. Durante seu período de cárcere, diversos jovens lhe visitavam levando flores e bilhetes dizendo que acreditavam no amor. Entre estas pessoas se encontrava chamada Asterius, jovem cega e filha do carcereiro. Segundo relato da tradição, a moça recuperou milagrosamente recuperou a visão. O bispo foi decapitado em 14 de fevereiro de 270 d.C. Ao contrário do que muito gente pensa, no dia de São Valentino, é muito comum a troca de presente e de cartões entre amigos e amigas e não apenas entre namorados.

O dia dos namorados começou a ser celebrado no Brasil em 1949, numa iniciativa do publicitário João Dória, da Agência Standard Propaganda. Dória inseriu o evento, popular no hemisfério norte, numa campanha desenvolvida para a extinta loja Clipper. O fato do Brasil não comemorar os namorados em fevereiro está ligado aos interesses de entidades comerciais que, preocupadas com a concorrência dos produtos de carnaval, decidiram transferir o dia dos namorados para junho, considerado o mês mais fraco para o comércio. A iniciativa teve o apoio da Confederação de Comércio de São Paulo. A escolha do mesmo se deveu ao fato de 12 ser véspera do dia de santo Antonio, consagrado no imaginário popular como santo casamenteiro. Ou seja, o capitalismo falou mais alto.

Os namorados brasileiros não são diferentes dos demais namorados do mundo. Só a data de comemoração é diferente. Por causa do motivo capitalista já citado. Entre as pessoas que amam, em qualquer lugar, há um ponto comum: o amor que é sempre belo e digno de exaltação.

Sou sou um cara metido a europeu (rs), sempre fiz a comemoração no dia de são Valentino. Mas nunca olhei com maus olhos quem sempre prezou a data de julho. Acima das datas há sempre o sentimento de bem querer que deve ser a gênese de qualquer namoro.

Me despeço ofereço oferecendo um poema de minha lavra, que trata desta coisa tão bela que é dar o melhor de si para outra pessoa. Viva são Valentino!!! Viva o dia dos namorados!!!

05 fevereiro 2009

Ganhei presente



Olha eu aqui, de novo. Vim bem rápido para anunciar que fui presenteado pela maravilhosa Lêda Maria Sousa,editora do blog http://www.vozderessaca.blogspot.com.

A moça me deixou feliz por me oferecer este sêlo de proximidade.

Fiquei feliz com presente. Não sei se mereço. Mesmo assim, amei ser lembrado de maneira tão carinhosa por ela.

Obrigado MARIA!!!!!

Beijos!

José

Um clipe de U2

Não tenho dúvidas de que U2 é a banda mais genial do mundo. Por ser fã declarado da banda, sou suspeito para afirmar isso. Mesmo assim, mantenho o que foi escrito na primeira linha deste texto. É a verdade mais pura! Faço tal declaração meio que como forma de preparação para o lançamento do novo disco da banda.
Lá vem os quatro irlandeses da pesada nos oferecerem coisa boa. Bono (vocal), The Edge (guitarra), Adam Clayton (baixo) e Larry Mullen Jr (bateria) são caras que tocam coisas boas e necessárias. Há alma, coração e inteligência na música deles.
Sem muitas palavras desnecessárias, posto aqui um vídeo do disco War, de 1983. A canção se chama TWO HEARTS BEAT AS ONE. Seu clipe foi rodado na França. Seguem também a letra original e a tradução que fiz para oferecer aos leitores e leitoras do blog que não são íntimos da língua inglesa. Espero que gostem do presente.
Harold


Two hearts beat as one
U2

I don't know, I don't know which side I'm on.

I don't know my right from left or my right from wrong.
They say I'm a fool, they say I'm nothing
But if I'm a fool for you oh, that's something.
Two hearts beat as one.
Two hearts beat as one.
Two hearts.

I can't stop to dance
Honey, this is my last chance
I said, can't stop to dance
Maybe this is my last chance.
Two hearts beat as one.
Two hearts beat as one.
Two hearts.

Beat on black, beat on white
Beat on anything, don't get it right.
Beat on you, beat on me, beat on love.

I don't know
How to say what's got to be said
I don't know if it's black or white
There's others see it red
I don't get the answers right
I'll leave that to you
Is this love out of fashion
Or is it the time of year?
Are these words distraction
To the words you wanna hear?
Two hearts beat as one.
Two hearts beat as one.
Two hearts.

I try to spit it out
Try to explain.
The way I wanna feel
Oh, yeah, two hearts.

Well I can't stop to dance.
Maybe this is my last chance.
And I said, I can't stop to dance.
Maybe this is my last chance.
I said don't stop to dance
Maybe this is my last chance.
I said I can't stop to dance.
Maybe this is our last chance.
I said don't stop to dance.
Maybe this is our last chance.


Oh, oh!

Dois corações batem como se fossem um só
U2

Eu não sei, eu não sei de que lado estou

Eu não distingo o direito do esquerdo ou certo do errado

Eles dizem que sou um tolo, dizem que não sou nada

Mas se sou um tolo para você, oh, então já é alguma coisa

Dois corações batem como se fossem um só

Dois corações batem como se fossem um só

Dois corações


Eu não consigo parar de dançar

Querida, esta é a minha última chance

Eu disse que consigo parar de dançar

Talvez esta seja a minha última chance

Dois corações batem como se fossem um só

Dois corações batem como se fossem um só

Dois corações


Bata no preto, bata no branco

Bata em alguma coisa, não deixe isso parecer correto

Bata em você, bata em mim, bata no amor


Eu não sei

Como dizer o que tem de ser dito?

Eu não distingo se isto é preto ou branco

Há pessoas que vêm isso como vermelho

Eu não encontro as respostas corretas

Eu deixarei isto para você

O amor está fora de moda

Ou está no tempo do ano?

Estas palavras são para lhe distrair

Das palavras que você quer ouvir?

Dois corações batem como se fossem um só

Dois corações batem como se fossem um só

Dois corações


Eu tento cuspir isso fora

Tento explicar

O jeito que eu quero sentir

Oh sim, dois corações


Bem, eu não consigo parar de dançar

Talvez esta seja a minha última chance

E eu disse que consigo parar de dançar

Talvez esta seja a minha última chance

E eu disse que consigo parar de dançar

Talvez esta seja a minha última chance

E eu disse que consigo parar de dançar

Talvez esta seja a minha última chance

E eu disse que consigo parar de dançar

Talvez esta seja a nossa última chance

Oh, oh!