Pesquisar este blog

13 maio 2009

Valeu São Marcos


Não vi a partida de futebol entre Sport e Palmeiras, realizada ontem no Recife (PE). Soube do resultado ao ler as manchetes dos jornais de hoje. Ganhamos com atuação genial do genial e santo goleiro Marcos. Ou melhor, São Marcos. Não é preciso escrever muito sobre ele. Resta só aplaudí-lo e de pé.
Além de atleta e capitão de nossa equipe, Marcos é um símbolo. Um cara humilde e digno. Em campo ele é a representação fiel daquilo que todo palmeirense deveria ser. Claro que alguém pode contestar meu argumento. Todavia não acredito que possa provar o contrário.
Como não assisti à partida, fico sem condições de fazer um comentário a respeito. Mas para não deixar meus leitores e leitoras sem uma opinião do importante evento realizado ontem no Recife, incluo na postagem a narração das cobranças penais feita pelo jornalista Juca Kfouri, da rádio CBNe da Folha de São Paulo. De acordo com Juca, a cobrança de pênaltis aconteceu da seguinte maneira:
Mozart bateu o primeiro muito mal e Magrão DEFENDEU!
Luciano Henrique bateu e Marcão DEFENDEU!!
Marcão bateu o segundo muito bem e fez 1 a 0 para o Palmeiras. Igor bateu e empatou.
Danilo bateu o terceiro na perfeição e fez 2 a 1.
Fumagalli bateu e Marcão DEFENDEU!! Armero bateu o quarto e fez 3 a 1.
Dutra bateu e Marcão DEFENDEU!!!! E ACABOU!!!!!
Pois é! Campeão é sempre assim: talento e raça. Novamente devemos dizer: Obrigado São Marcos!!!
Agora segue o vídeo das cobranças de pênaltis. Vale a pena emocionar, de novo.
Sport x Palmeiras

Aroldo José Marinho

09 maio 2009

Letra e tradução da canção de Julian

Segue a letra da canção Too late for goodbyes, de Julian Lennon, the John's son. Também preparei uma tradução para vocês.
Tudo de bom!
Harold

Too late for goodbyes
Julian Lennon


Ever since you've been leaving me
I've been wanting to cry
Now I know how it feels for you
I've been wanting to die
But it's much too late for goodbyes
Yes it's much too late for goodbyes
Time has gone since I've been with you
We've been starting to die
Now it seems you don't care for me
and I don't understand why
But it's much too late for goodbyes
Yes it's much too late for goodbyes

Ever since you've been far away
I've been wanting to fly
Now I know what you meant to me
I'm the one who should cry
And it's much too late for goodbyes
Yes it's much too late for goodbyes

Ever since you've been leaving me
I've been wanting to cry
Now I know how it feels for you
I've been wanting to die
But it's much too late for goodbyes
Yes it's much too late for goodbyes

Ooh... Ah.....

Dit dit dit dit doo
ba da ba da ba da ba... ba
ba ba ba ba ba... ba ba ba ba ba... ba


Tradução
Muito tarde para despedidas
Julian Lennon

Desde que você me abandonou
Eu tenho tido vontade de chorar
Agora eu sei o que sinto por você
Eu tenho tido vontade de morrer
Mas é muito tarde para despedidas
Sim, é muito tarde para despedidas
Já tempo desde a última vez em que estivemos juntos
Nós começamos a morrer
Agora parece que você não se importa comigo
E eu não entendo o motivo
Mas é muito tarde para despedidas
Sim! É muito tarde para despedidas.

Desde que você foi para bem longe
Eu tenho tido vontade de voar
Agora eu sei o que você significa para mim
Eu sou o único que lhe fez chorar
E é muito tarde para despedidas
Sim! É muito tarde para despedidas.

Desde que você me abandonou
Eu tenho tido vontade de chorar
Agora eu sei o que sinto por você
Eu tenho tido vontade de morrer
Mas é muito tarde para despedidas
Sim, é muito tarde para despedidas.

Ooh... Ah.....

Dit dit dit dit doo
ba da ba da ba da ba... ba
ba ba ba ba ba... ba ba ba ba ba... ba


Jô e Vanguart

Saudações!
Há tempos que não assistia o Programa do Jô. Entre os convidados estava Vanguart, a banda de folk rock, lá de Cuiabá (GO), que ganhou os prêmios de revelação musical nos dois últimos anos. Foi a primeira vez que vi a banda na televisão. Gostei da entrevista, os caras são animados.

Coincidência é que, na manhã de ontem, tive que fazer algumas tarefas domésticas. Para fazer trilha ao pesado batente, eu coloquei, justamente, o cd desta banda. Ouvi na íntegra e recomendo para todas as pessoas.

Seguem a entrevista!
Harold

Entrevista de Vanguart no Programa do Jô

Sobre Julian Lennon

Julian Lennon é uma dessas pessoas facilmente reconhecíveis. Seu rosto, gestos e voz indicam logo que ele é filho de John Lennon. Do tempo em que John esteve casado com Cinthya Powell, que foi sua namorada nos primórdios dos Beatles. Julian herdou a herança paterna, aprendeu a tocar piano e violão, além de cantar e compor.

O moço lançou, nascido em no dia 8 de abril de 1963, um disco em 1985. Os menos informados pensaram ser um imitador do falecido beatle. Pura bobagem! Julian foi à luta e cravou nas paradas a canção Too late for goodbyes. A repercussão foi boa. Porém os trabalhos posteriores não alcançaram o êxito esperado.

Enquanto não chegam notícias atualizadas sobre a carreira do filho de John e de Cinthya, vale a pena matar saudade do seu surgimento na mídia.. Segue o clipe de seu maior.

Vamos curtir?
Harold

Julian Lennon- Too late for goodbyes

03 maio 2009

Josinaldo, o índio de jaleco branco

Segue transcrição de matéria que é capa da edição de hoje (03/05/09) do jornal Correio Braziliense, daqui de Brasília. Detalhe: o personagem da matéria é meu amigo.
Abraços!
Harold


Josinaldo, o índio de jaleco branco

Representante da aldeia Atikun caminha para ser o primeiro da história de seu povo a concluir medicina na UnB
Marcelo Abreu


Fotos: Cadu Gomes/CB/D.A Press
Meta de Josinaldo é aliar os conhecimentos de seus ancestrais à medicina convencional: “eu preciso ser médico pra ajudar o povo da minha aldeia”


Sexta-feira, feriado, Dia do Trabalho. Numa partida de futebol entre alunos índios e africanos, estes últimos deram uma sova nos primeiros: 5 x 1. Os índios saíram cabisbaixos. Queriam cavar um buraco para enfiar as caras. Haja pajelança para reverter o resultado nos próximos duelos. Por telefone, nosso personagem, que ainda não conhecíamos, nos diz: “A gente pode se encontrar no prédio da biblioteca”. Combinado. O encontro será às 11h30. Pontualmente, chegamos lá. E lá se aproxima o rapaz sobre o qual contaremos esta história. O andar é apressado. Veste calça jeans, camiseta branca, tênis e uma mochila. Sim, é ele mesmo, o rapaz pelo qual esperávamos para a entrevista. Ao chegar ele disse, em tom de lamentação: “O jogo acabou agora. A surra foi grande”.


Não, não vamos falar sobre a fatídica derrota. O assunto é outro. Josinaldo da Silva tem 31 anos, mora há três anos em Brasília, veio de longe, dos confins de Pernambuco, deixou uma vida inteira para trás: mãe, seis irmãos, um filho de 4 anos e toda a sua cultura e tradição. Ele cursa o 5º semestre de medicina na Universidade de Brasília (UnB). Quer fazer clínica geral para atender àquela gente esquecida do lugar de onde saiu e depois se especializar em anestesiologia. Josinaldo é um índio da aldeia Atikun. Será, em 2012, quando completará 35 anos, o primeiro indígena a receber o diploma de médico em toda a história daquela universidade.

Essa é a história que ele quer contar. E de como, de uma aldeia a 550km de Recife, ele rompeu barreiras e chegou a uma das universidades mais importantes do país. Mais que isso: conseguiu uma vaga no curso mais disputado da UnB. Por meio de um convênio entre a Fundação Universidade de Brasília (FUB) e a Funai, Josinaldo submeteu-se a uma espécie de vestibular diferenciado, na capital pernambucana. Concorreu a uma das duas vagas reservadas para índios de todo o território nacional na UnB (sistema de cotas). Pelo menos 400 candidatos, em todo o Brasil, participaram da seleção. Houve uma prova de português e outra de matemática, com 50 questões cada. E uma redação onde dissertou sobre o desafio do jovem indígena no ensino superior.

E lá estava Josinaldo, confiante que uma vaga seria sua. E foi. Era a redenção do menino que estudou até a 4ª série na aldeia. Da 5ª à 8ª série foi para um povoado vizinho, a 6km de onde morava. E para concluir o ensino médio, o índio atikun viajava todos os dias 50km (apenas ida) para chegar a Salgueiro, cidadezinha do sertão pernambucano, o maior lugar que até então conhecera na vida.

Dança do Toré

Após terminar o ensino médio, o rapaz virou agente de saúde da aldeia, onde vivem hoje 6 mil índios. Ali, nasceu e passou toda a vida. Ensinava o que sabia àquela gente quase esquecida. Nunca se distanciou das manifestações culturais e das tradições do seu povo. Participou desde criança da Dança do Toré. No ritual, eles acreditam que, após tomarem a jurema (bebida poderosa que limpa a alma), as divindades são incorporadas. É a crença no deus Tupã e em Tamaym (Mãe Terra). É crença dos pajés (líderes espirituais), dos caciques e de todo o povo de sua aldeia.

Essa era a vida de Josinaldo. O menino que sonhava fazer mais por sua gente. Quando soube que poderia concorrer a uma vaga na universidade, não hesitou. Foi a Recife. Fez as provas. Esperou o resultado. E viu o nome na lista dos aprovados em medicina. “Foi a melhor notícia que tive na vida”, reconhece. Dias depois, desembarcou em Brasília. Despediu-se da mãe, dos irmãos, orientou-se com pajés e caciques. Prometeu a todos que um dia voltaria. Uma nova realidade o esperava aqui.

Era abril de 2006, Josinaldo foi morar numa república de índios, na 706 Norte. No dia 18 daquele mês, entrou na UnB, seria o primeiro dia de aula. “O impacto cultural foi enorme”, diz. Pergunto se teve medo. O índio atikun admite: “Tive. Medo de ser discriminado, de não ser aceito, de não dar conta do curso, de acharem que era incapaz”. E faz uma revelação contundente: “No começo, senti muito preconceito. Menos pelo fato de ser índio. O que pesava era ser pobre”. Insisto em saber como sentiu isso. Ele responde: “Percebia nas escolhas dos grupos, nos trabalhos em equipe”. Mas hoje admite: “Três anos depois, sinto menos a separação. Acho que tô conquistando meu espaço”.

Reprovação

No primeiro e segundo semestres, Josinaldo sentiu enorme dificuldade em acompanhar algumas disciplinas. “Estudei a vida toda em escola pública do sertão. Não tive boa base”, constata. Em função disso, foi reprovado em bioquímica, biofísica experimental e biologia celular. Mas o que seria obstáculo intransponível transformou-se em luta. No semestre seguinte, resolveu cursar matérias básicas, para que lhe preparassem melhor para o que teria pela frente.

Estudou biologia e química experimental. Entendeu e dominou coisas sobre as quais nunca ouvira falar antes. Entrou no terceiro semestre confiante no caminho escolhido. Foi bem no quarto. Chegou ao quinto semestre e nunca mais foi reprovado em qualquer disciplina. “Mostrei a mim mesmo que seria capaz. Que não estava aqui porque me facilitaram a entrada. Hoje, me sinto à vontade. O diálogo é de igual pra igual.” Ninguém nunca mais segurou o índio. Nem o medo.

Josinaldo passou a ter aulas práticas no Hospital Universitário de Brasília (HUB). É acompanhado pelos professores em consulta aos pacientes da clínica médica. “Só não podemos diagnosticar”, explica. Recebe R$ 900 pelo convênio entre a FUB e a Funai. É com esse dinheiro que vive em Brasília. Come no bandejão da universidade. Passou a usar jaleco branco e estetoscópio. Fez uma foto e mandou pra sua gente. Todos passaram a chamá-lo de “doutor”. Até o pajé. “Ano passado, voltei à aldeia e o povo me perguntava se eu já podia consultar”, conta o futuro médico, aos risos.
Sentado na entrada da faculdade de medicina, Josinaldo fez um desabafo comovido: “Eu preciso ser médico pra ajudar o povo da minha aldeia. Eles precisam da tradição, dos chás, das crenças, mas também da ciência. Quero juntar tudo isso”. Em seguida, lamentou: “Os médicos brancos vão para a aldeia, mas não se acostumam. Ficam dois, três meses e vão embora. Aí, os índios ficam tempos e tempos sem nenhuma assistência”.

Sem descanso

Josinaldo estuda, em média, 10 horas por dia. Quando não está em sala de aula ou no HUB, corre para a biblioteca. Pesquisa, checa, se informa. Dissipa dúvidas. Quer comprovação. De uma coisa ele tem certeza: vai fazer clínica geral. E planeja: “Depois, quero voltar pra Pernambuco e me especializar em anestesiologia. Vou ver em Recife e Petrolina. Estando ali perto, posso cuidar da saúde do povo da aldeia”.

Enquanto a formatura não chega, o índio atikun se extasia com as oportunidades que a vida lhe ofereceu. Mas observa: “Isso tudo é fruto de esforço prévio. Se eu não acreditasse, não teria tentado”. E como nem só de estudo vive o ser humano, Josinaldo não perdeu tempo. Arrumou uma namorada no Recanto das Emas. “Ela está terminando o ensino médio. A gente se gosta”, diz. E se espanta: “Você vai escrever isso aí?”. Escrevi.

Pergunto se a convivência com o homem branco o afastará de suas raízes. Determinado, ele responde: “Tenho convicção da minha história, da minha ancestralidade. Nunca vou deixar de ser índio”. E faz um juramento: “Quero ser um bom médico. Vou procurar conversar com a pessoa e não ver ela apenas como portadora de doença. Uma vez me consultei com um médico que não olhou na minha cara. Nem meu nome perguntou”. O índio talvez não saiba, mas esses homens e mulheres que se dizem brancos e vestem jaleco agem frequentemente assim. Em todos os lugares, dos hospitais públicos aos particulares. Sentem-se quase deuses.

Otimista, o estudante de medicina crê num futuro melhor para seu povo: “Quero ver muitos índios advogados, engenheiros, médicos, professores. Basta que a gente continue lutando, resistindo, conquistando. Felicidade é poder sonhar e sentir que aquilo virou verdade”. Sábio Josinaldo, o primeiro índio que virará médico em toda a história da UnB. “Com ajuda de Tupã”, ele torce, segurando o cocar que carrega dentro da mochila. Que os deuses nos quais o índio acredita lhe sejam generosos.




Dois textos de Quintana


Penso que não é necessário apresentar para meus leitores e minhas leitoras a figura de Mário Quintana (1906-1994). O senhor aí da foto. Gaúcho de Alegrete, ele é nada mais nada menos do que um melhores poetas deste país.

Ludicidade e musicalidade são coisas fáceis de encontrar na sua obra. Dá gosto de ler seus textos. Depois relê-los.

Em 2004, devido motivos profissionais, estive em Porto Alegre. Num dia de folga, fui passear pela cidade. Um dos lugares visitados foi o prédio da antiga Livraria e Editora Globo. Lá há um pequeno museu onde vi o escritório de trabalho de Quintana, que, durante muito tempo, atuou como tradutor naquela casa.

Quem desejar saber mais sobre sua obra, pode acessar o site www.laudano.com.br/escritores/mario-quintana.
Seguem dois poemas do mestre gaúcho.
Harold


Os degraus.
Mário Quintana

Não desças os degraus dos sonhos
para não despertar os monstros.
Não subas aos sótãos- onde
os deuses, por trás das suas máscaras,
Ocultam o próprio enigma.
Não desças, não subas, fica.
O mistério está é na tua vida!
E é um sonho louco este nosso mundo.



Canção da ruazinha desconhecida
Mário Quintana

Ruazinha que eu conheço apenas
Da esquina onde ela principia?
Ruazinha perdida, perdida?
Ruazinha onde Marta fia?
Ruazinha em que eu penso às vezes
Como quem pensa numa outra vida?
E para onde hei de mudar-me, um dia
Quando tudo estiver perdido?
Ruazinha da quieta vida?
Tristonha? tristonha?
Ruazinha onde Marta fia
e onde Maria, na janela, sonha?




Arnaldo Antunes- Alegria

Arnaldo Antunes é um dos mais importantes letristas surgido no rock Brasil dos anos 80. Formava com Cazuza e Renato Russo uma espécie de santíssima trindade dos letristas que, ao mesmo tempo, eram poetas dos grupos que os jovens daquele período apreciavam. Diferente de outros letristas, que, quase sempre, escreviam sobre carros, diversão e garotas, os três citados abordavam mais densos.
Cazuza e Renato Russo habitam outro plano existencial. Arnaldo segue em carreira solo e, às vezes, em colaboração com outros artistas. Continua a nos brindar com suas pérolas. Além do ofício de cantor e letrista, ataca como escritor e em trilhas sonoras de cinema.
Segue clipe de Alegria, uma de suas mais bonitas composições. Uma singela e perfeita declaração de amor. A canção faz parte da trilha sonhora do filme Benjamin. No clipe há as participações de Chico Buarque, Paulo José e Cléo Pires.

Harold

Arnaldo Antunes- Alegria


A sorte é a sorte


O presidente Luís Inácio Lula da Silva é um sujeito de sorte. Mesmo quando comete algum erro bobo ou uma grosseria que possam lhe deixar em maus lençóis perante a oposição e a sociedade, algo de bom lhe acontece. Aí o sufoco acaba. Sorte é isso aí! Cito alguns fatos para ilustrarem minha afirmação.

No mês de março, Lula teve encontro com Gordon Brown, primeiro-ministro da Inglaterra. Na hora de discursar, o presidente pôs a culpa da crise econômica que pegou o mundo de calça curta nos banqueiros do primeiro mundo, que, nas palavras de Lula, têm olhos azuis. Talvez Brown tenha ficado embaraçado com o discurso de Lula. Se ficoul não demonstrou. A oposição e os fiscais dos deslizes alheios tomaram as dores dos ofendidos e caíram de pau. O povão adorou o discurso lulista. Todavia, a voz da sensatez recomenda que nenhuma decalração de cunho racial seja feita.

Chegou abril e lá foi Lula para o país de Brown. Motivo: os dirigentes dos 20 países mais influentes do mundo se reuniriam em Londres . Foram discutir uma possível solução para a crise. Mas antes do trabalho, um pouco de amenidade não faz a ninguém. Por isso, os dirigentes foram ao Palácio de Buckingham para o jantar que a rainha Elizabeth II lhes ofereceria. Antes da mesa, a foto oficial, com a rainha no centro, é claro, foi preciso distribuir os convidados. Lula foi posto à esquerda da rainha, ambos sentados. De pé ficaram Obama, Brown, Merkel entre outros.

No mesmo encontro, foi alvo de elogios de Barack Obama e Kevin Rudd. Obama apertou a mão de Lula e disse para o primeiro-ministro australiano: "Esse é o cara! Eu adoro esse cara!". O presidente norte-americano não parou por aí na admiração por Lula e continuou: "Esse é o político mais popular da Terra". Rudd não ficou atrás de Obama quando fez seu comentário: "O político mais popular de longo mandato". Então Obama concluiu: "É porque ele é boa pinta". Depois disso, ninguém mais lembrou do comentário infeliz sobre os banqueiros de olhos azuis. Prestígio pouco é bobagem.

Posteriormente, um instituto de estudos políticos divulgou dados de uma pesquisa sobre os dirigentes dos países da América. Os resultados mostraram que Lula é o presidente mais popular do continente. Atrás do brasileiro ficaram Alvaro Uribe e Felipe Calderón, respectivamente, presidentes da Colômbia e do México. Para tornar mais expressiva a posição de Lula, vale lembrar que Obama apareceu em posição intermediária enquanto que Hugo Chávez sequer foi citado.

Outro fato que evidencia que Lula é uma pessoa, de fato, conhecida no mundo, aconteceu na noite de quarta-feira, 15 de abril. Ele fez uma aparição na televisão dos Estados Unidos. Foi mesmo? Bem... quase isso. Na verdade, não foi o presidente pessoa física mas o seu desenho. Foi num episódio da série de desenho animado South Park, conforme mostra a figura que acompanha esta postagem. A série foi criada em 1997 por Matt Stone e Trey Parker; é famosa pelas tiradas de humor negro e pelas pesadas críticas que faz ao estilo de vida da sociedade norte-americana.

No episódio do dia 17, denominado Pinewood Derby (Derby cabeça de pinho), os personagens estão às voltas com um alienígena, possilvemente, perigoso. Por isso, fazem contato com os principais líderes do mundo. Gente como a chanceler alemã Angela Merkel, o presidente da França, Nicolas Sarkozy e Lula, que aparece na tela tendo, ao fundo, a bandeira do Brasil, à sua direita. Quem desejar assistir ao episódio, basta acessar o site www.southpark studios.com.

Volta e meia, ficamos sabendo de alguma peripécia de nosso presidente. Como foi citado no parágrafo inicial, ele é um sujeito, ou melhor, de sorte. A exposição na mídia lhe é favorável. Agora vamos esperar para saber se a sorte de Lula pesará na sucessão presidencial. Será que ele fará que Dilma Rousseff, a candidata de seu coração, a vencedora? Esperemos para saber.

Aroldo José Marinho




16 abril 2009

Dos en la ciudad 2- A tradução

Preciso, novamente, agradecer a gentil contribuição de Letícia Contilde. A gentil gaúcha, aniversariante do dia 8 deste mês, enviou a tradução da canção Dos en la ciudad. Sua habilidade de captar o sentimento do texto original e enfocá-lo em português é notável.
Gracias Letícia y buena estrella. Espero que vocês apreciem o texto.
Harold
Dois na cidade
Fito Páez
Nos encontramos na rua
Eu diria casualidade
Ainda tinha esse olhar
Esse garbo, esse swing, esse charme
Vinha super arrumada,
Seu sorriso sim, era algo especial
Quando me deu a bofetada,
Colocou as coisas em seu lugar
Logo abriu a boca
Como a liberdade
Tomamos umas taças
E no bar começou a chorar
O tempo passou fomos ela e eu dois na cidade
Me perguntou como havia sido,
Como foi que escolhi partir
Si havia tido alguns filhos
E se alguma vez fui tão feliz
Perguntei se estava sozinha
Ela sim, que sabia fingir
Que ingenuidade não era tola
Era o próprio Monte Sinai
Passou passou
Passou nosso quarto de hora
Passou passou,
Mas ainda sabíamos rir
E assim passou
A noite entre o whisky e a coca
Assim passou
Mas ainda sabíamos rir
Todo o final de semana
Não nos deixamos ir
Quando me levantei esta segunda
Ela já não estava aqui
O tempo passou,
Fomos ela e eu
Dois na cidade
Dois na cidade.
Fomos ela e eu
Dois na cidade
Nosso quarto de hora
Fomos ela e eu
Dois na cidade (3).

Dos en la ciudad

Não preciso apresentar Fito Páez para os leitores e leitoras do blog. Já postei material dele numa outra ocasião. Hoje vou somente apresertar outra canção dele chamada Dos en la ciudad. Foi gravada no cd Abre, de 1999.
Como da outra vez, junto com o clipe, segue letra da canção, que é belíssima. Sobre o clipe gravado em Nova York, há uma curiosidade: a presença de Cecilia Roth, atriz argentina, nossa conhecida do filme Tudo sobre minha mãe, de Pedro Almodóvar. Ela é esposa de Fito.
Sem mais demora, vamos curtir o trabalho do grande Fito.
Harold
Dos en la ciudad
Fito Páez
Nos encontramos en la calle yo diría, casualidad
aún conservaba esa mirada
ese garbo, ese swing, ese charme
venía supercolocada
su sonrisa, sí, era algo especial
cuando me dio la cachetada
puso las cosas en su lugar
luego me abrió su boca
como la libertad
tomamos unas copas y en el bar
se echó a llorar
el tiempo pasó fuimos ella y yo, 2 en la ciudad
Me preguntó cómo había sido
cómo fue que elegí partir
si había tenido algunos hijos
y si alguna vez fui tan feliz
le pregunté si estaba sola
ella sí que sabía fingir
que ingenuidad, no era una boba
era el mismo monte Sinaí
Pasó, pasó
pasó nuestro cuarto de hora
pasó, pasó
pero aún sabíamos reír
se nos pasó
la noche entre el whisky y la coca
se nos pasó
pero aún sabíamos reír
Todo el fin de semana
no nos dejamos ir
cuando me levanté ese lunes
ella ya no estaba allí
el tiempo pasó
fuimos ella y yo
2 en la ciudad
Dos en la ciudad
fuimos ella y yo
dos en la ciudad
nuestro cuarto de hora
fuimos ella y yo
dos en la ciudad (x 3)
Fito Páez- Dos en la ciudad

09 abril 2009

E dá lhe PORCO, Olê! Olê! Olê!

Soube que a equipe da Sociedade Esportiva Palmeiras foi ontem enfrentar o Sport Recife, lá em Pernambuco. Havia desconfiança e muita provocação no ar. Nos últimos encontros entre as equipes, o Sport levou a melhor, ganhou com superioridade. Parece que isso subiu à cabeça dos jogadores do time pernambucano. Além disso, Palmeiras estava no sufoco por causa da triste campanha na Copa Libertadores de América.
A equipe entrou com consciência. Sabia que enfrentaria uma equipe que, poucas vezes, foi derrotada no seu estádio. De fato, a Ilha do Retiro estava lotadaça. A torcida de quase 20 mil pessoas fazia muito barulho. Mas nenhuma partida é vencida antes do juiz apitar determinando o início e o fim das ações.
Lá se foi a equipe de Vanderlei Luxemburgo para a luta. Atuando de forma inteligente, jogou com serenidade, ignorando as vaias que vinham, da torcida local. A aplicação palmeirense foi premiada, ainda, no primeiro tempo. Aos 23minutos, em jogada em que contou com as colaborações dos companheiros Diego Souza e Maurício Ramos, Keirrison, o craque da camisa 9, tocou para o fundo das redes. E o juiz encerrou o primeiro tempo da partida.
Para a segunda parte do jogo, o Sport procurou ir para cima do rival. Todavia suas tentativas foram inúteis. Era só perder a bola lá na frente para provar do veneno do contra-ataque verde. Foi assim que, aos 27 minutos, Diego Souza, tocou a bola por cima do goleiro do Sport. A bola entrou e calou o ímpeto da torcida local. Depois foi só tocar a bola para esfriar os jogadores do Sport e esperar o apito final.
Venceu quem jogou melhor e quem precisava de uma boa vitória. Ficou a boa lição de vida: não se pode ficar cantando vitória antecipada. Para a equipe verde fica o recado: não se deixar envolver pelos desatinos cometidos fora do campo. Agora é descansar para fazer um bom jogo contra o Santos no sábado, pelo campeonato paulista e, se Deus permitir, conquistar o bicampeonato.
Aroldo José Marinho

08 abril 2009

Samba de Marianne

Saudações para vocês nesta quarta-feira nublada em Brasília. Recebi e-mail de Marianne Loise Hewett, minha boa amiga australiana. Ela enviou algumas fotos. Todas belíssimas, ternurosas e poéticas. Uma delas, imediatamente, me fez lembrar uma canção escrita por Max de Castro e Bernardo Vilhena, que Max gravou em 2000. Parecia que a dupla tinha escrito, especificamente, para ela. Quis unir foto e clipe. Mandei mensagem para Austrália, atrás de autorização. Can I post your picture and video clip together?, quis saber. Sure honey! I trust in you. Foi a resposta.

Tudo resolvido seguem a foto, a letra escrita pelo Bernardo e o clipe de Max. Espero suas opiniões sobre a postagem. Tudo de bom sempre!
Harold

Samba Raro
Max de Castro- Bernardo Vilhena
Ela vai, ela vem
depois dela não tem pra mais ninguém
Samba
mexe comigo de um jeito tão raro
ama
ela sabe me enfeitiçar
me enfeitiçar, enfeitiçar, me enfeitiçar
me namorar, namorar, me namorar
samba rola na minha língua
me diz e me prova
ela sabe me provocar
me provocar, e provocar, me provocar
me excitar, me excitar, me excitar
Ela vai, ela vem
depois dela não tem pra mais ninguém
mas nada é tão claro
quanto a luz do imenso amor
que ilumina a noite
o samba raro já chegou

Max de Castro- Samba raro


Beethoven e Andrea Dorea

Considero a Legião Urbana uma das melhores bandas surgidas no Brasil. Mas admito que não sou grande admirador da banda. Esse posto vai para meu irmão Célio e nossos primos Daniel e Aline. Os três sim, sabem tudo da banda que, quando gravou o primeiro disco, na década de 80, era formada por Renato Russo (voz), Dado Villa-Lobos (guitarra), Renato Rocha (baixo) e Marcelo Bonfá (bateria). Com a saída de Rocha, Russo assumiu o baixo e a vida seguiu para o trio.

Apesar de não ser um admirador da estirpe dos familiares citados no parágrafo anterior, gosto de algumas canções da Legião. Uma delas é Andrea Dorea. A melodia e a letra são primorosas. Há uma beleza nesta canção que não sei explicar. Gosto tanto que até tocava no violão. Nunca mais toquei!

Quis postar para vocês. Saí procurando um clipe da canção. Encontrei este que foi criado por Janilson Xavier, um fã. Ele pegou cenas do filme O Segredo de Beethoven, da diretora polonesa Agnieszka Holland. O filme trata do encontro de genial compositor, interpretado por Ed Harris, com a copista Anna Holtz, vivida por Diane Kruger.

Não assisti ao filme, vou atrás do dvd. Como amo a obra de Beethoven, aplaudo a iniciativa de Xavier. Agora segue o clipe como uma homenagem ao Célio (que fez aniversário no dia 7 deste mês), ao Daniel e Aline (que festejou vida no dia 11 de março). Espero pelos comentários de vocês.
Harold

Legião Urbana- Andrea Dorea



02 abril 2009

Cinco perguntas para... Emílio Pacheco

Saúdo vocês leitores e as leitoras do blog. Hoje apresento lhes a figura simpática e inteligente de Emílio Pacheco, o sujeito da foto ao lado. Gaúcho de Porto Alegre, jornalista por formação e bancário por imposição da vida, Emílio é uma dessas pessoas muito antenadas nas notícias sobre o meio cultural gaúcho. Quem quiser saber sobre os lances culturais que acontecem naquelas paragens, necessariamente, precisa fazer uma visita ao blog

(www.emiliopacheco.blogspot.com) por ele editado.

Além de sua atuação no blog, Emílio também participa do Orkut. Muitas pessoas visitam sua página para lhe fazer questionamentos ou, simplesmente, para agradecer a acolhida que o colorado ser dedica a todos que passam naquele espaço. Prova da grande consideração a ele dedicada é a comunidade que tem o seu nome (http://www.orkut.com.br/Community.aspx?cmm=66351005), criada por Andréa Steiner.

Como sempre, Emílio usou de solicitude e paciência para responder as perguntas por mim formuladas e que seguem abaixo. Boa leitura!




Aroldo (A): Como você se define em termos políticos?

Emílio (E): Boa pergunta. Já escrevi até um texto sobre isso no meu blog ("Mistérios da Política"). Lá eu tento apresentar uma análise mais aprofundada do meu posicionamento político. Há alguns anos eu nutro uma simpatia pelo PT, mas sem radicalismos e sem compromisso perpétuo. Na última eleição para Prefeito de Porto Alegre, por exemplo, votei em Fogaça (meus amigos petistas vão querer meu fígado se lerem isto). Eu admiro o PT pelo que representou em termos de coerência, persistência e luta contra as injustiças sociais, mas prefiro que essa admiração continue livre e descompromissada. Acima de tudo, o eleitor brasileiro tem que aprender a viver numa democracia e aceitar ser voto vencido, quando for o caso. Eu, por exemplo, nunca votei em Fernando Henrique e mesmo assim acho que ele não foi um mau Presidente. Pelo menos, foi melhor do que eu esperava.


A: O que deixa indignado o cidadão Emílio?

E: Seria mais fácil perguntar o que não me deixa indignado. Certa vez minha irmã observou o quanto eu uso a palavra "irritado" no meu blog. Fico indignado com interpretações precipitadas, pessoas que me prejulgam com base em suas visões engessadas do ser humano, gente cética, gente que acredita em tudo (principalmente as mentiras que circulam por e-mail), gente burra, fãs alienados que não conhecem mais nada além de seu único ídolo e gente que acha que todos têm que ser iguais e gostar de futebol, carnaval, chope e novela. Também fico indignado com a insistência dos internautas em divulgar textos falsamente atribuídos a autores famosos, em especial Mario Quintana, Luis Fernando Verissimo e Arnaldo Jabor. E mais ainda quando essa divulgação errônea ocorre em vitrines respeitadas, como o programa de Ana Maria Braga, por exemplo.


A: Para as pessoas que moram em outras regiões, algumas vezes, o Rio Grande do Sul (RS) é percebido como um canto à parte, com uma vida e cultura que lhes são próprias. Você, algumas vezes, percebe o resto do país como se estivesse distante do RS ?

E: Eu nunca percebi isso. Na verdade, o que sempre me chama a atenção são os comentários em relação ao bairrismo gaúcho. Sim, nós gaúchos temos orgulho de ser gaúchos. E até uma certa idade eu achava que isso era comum em todos os estados, que o baiano tinha orgulho de ser baiano, que o paulista tinha orgulho de ser paulista e assim por diante. As pessoas falam como se esse "orgulho gaúcho" fosse algo inusitado, de outro mundo, e eu não vejo assim. Qual o problema? Segundo depoimento do antropólogo Hermano Vianna, a atriz Regina Casé achou curioso que, sempre que um gaúcho lhe pedia um autógrafo, fazia questão de dizer: "Eu sou gaúcho!" Nós temos mesmo essa identificação forte com o nosso Estado e não vejo por que isso deva ser considerado estranho.


A: O que você no passado e que hoje, por conta do amadurecimento, faria diferente?

E: Outra boa pergunta. Não sei exatamente o que eu fiz que possa ser considerado "errado". Para certas coisas, não existe a opção "certa". Você ganha de um lado e perde do outro conforme a escolha. Em inglês tem uma expressão que define bem situações assim: "trade-off". Viajando de ônibus, você economiza dinheiro para gastar quando chegar, mas leva mais tempo e tem menos conforto. Indo de avião você chega em questão de horas, mas fica com menos dinheiro. O que vale mais a pena? Ir de avião ou de ônibus? Não existe a resposta certa. Depende de suas prioridades no momento. Já houve uma época em que eu achava que, se pudesse voltar no tempo, me dedicaria integralmente ao jornalismo. Hoje já não penso assim. Pode ser um mecanismo de defesa, mas fico feliz de conseguir conciliar minhas atividades e ainda pagar minhas contas (aí se incluindo o tratamento de um filho com necessidades especiais). Para não dizer que não existe nada que eu faria diferente, quando eu tinha 21 anos, entrei em forma e comecei a correr. Foi uma boa fase. Mas só durou alguns anos. Logo eu perdi a forma e a resistência. Ainda insisti mais um tempo, mas corri pela última vez com 35 anos. Hoje estou com 48. Então, se eu pudesse voltar no tempo, talvez procurasse manter a forma, mesmo que para isso tivesse que correr mais devagar, sem tanta preocupação com desempenho. É que tem uma fase em que a gente quer "comer bem para correr melhor". Até que começam as lesões e outros problemas. De vez em quando alguém ainda me pergunta se eu não me entusiasmaria em tentar emagrecer e voltar a correr. Tentar emagrecer, até seria recomendável. Voltar a correr é mais difícil, pois a idade não diminui junto com o peso. Mesmo que eu entrasse em forma, não teria mais a resistência dos 20 e poucos anos. Se eu tiver tempo para dar umas caminhadas, já está de bom tamanho.


A: Dá para fazer paralelo entre a atual cena musical gaúcha, de onde são egressos Cachorro Grande, com aquela dos anos 70, em que pontuava o grupo Almôndegas?

E: Os Almôndegas lançaram seu primeiro LP em 1975. Naquele tempo, não existia nem mesmo disco independente ou os chamados selos independentes, muito menos Internet, mp3, CD-R e outras facilidades que temos hoje. Pra divulgar música, tinha que tocar no rádio. Pra tocar no rádio, tinha que ter disco. Pra ter disco, tinha que ser contratado por uma gravadora do centro do país, as chamadas majors. Nesse sentido, aconteceu um movimento bonito que foi o da saudosa Rádio Continental, a 1120 (AM). Furando o esquema que eu citei acima, a Continental começou a tocar gravações feitas no próprio estúdio da emissora, com músicos locais. A gente ouvia aquelas músicas todas com entusiasmo, mas também com uma pontinha de frustração, pois nem todas se podiam comprar em disco. Então tinha que ouvir a rádio, tinha que ir nos shows... Mas o movimento foi muito forte. Cada músico contratado por uma gravadora era motivo de comemoração. Os Almôndegas fizeram sucesso regional numa época em que isso era raro na música urbana. Os gaúchos que fizeram sucesso antes deles foram todos em nível nacional, como Lupicínio Rodrigues e Elis Regina. Além dos Almôndegas, entre 75 e 76 também lançaram disco Hermes Aquino, Inconsciente Coletivo, Pentagrama e Bixo da Seda. Depois vieram Fernando Ribeiro e Berê. Posso estar esquecendo alguém, mas não eram muitos os que lançavam disco, não. Dava pra contar nos dedos. Hoje qualquer um junta dinheiro e lança mil cópias de um CD independente. Sem falar em sites como o MySpace, onde é possível fazer uma divulgação de forma simples e eficaz. A cena musical gaúcha hoje está bem mais aberta para o rock, mas isso vem desde os anos 80, a partir da divulgação feita pela Ipanema FM e os LPs "Rock Garagem" e "Rock Grande do Sul". Não conheço todas as novas bandas gaúchas, mas descobri por acaso o trabalho da Poliéster, de São Leopoldo, na Grande Porto Alegre, e gostei bastante.



31 março 2009

Insoportable II- A letra e Tradução

Seguem a letra da canção Insoportable, de Fito Páez com a tradução para língua portuguesa fornecida por Letícia Contilde. A amiga gaúcha traduziu e me enviou. Aliás, Letícia traduziu com competência muita das canções de Fito. Gosto de compará-la ao meu primo Daniel, que é o tradutor da obra do poeta Navi Leinad para o idioma de Camões.
Em tempo, já que citei Daniel e Leinad, vale lembrar que Fito é grande amigo do poeta traduzido por meu primo. Vamos ao textos!
Aroldo
Insoportable
Fito Páez
Sólo pienso en ti, sólo pienso en ti
es la hora de amar
es la hora de brillar
yo sólo pienso en ti
sólo pienso en ti, sólo pienso en ti
y algo me arrasó
algo me mató de vos
yo sólo pienso en ti
yo no sé si es tu signo
o la forma en que me mentís
pero vos sos más sensual que la chica de Ipanema
de Vinícius y Jobim
sólo pienso en ti, sólo pienso en ti
algo se pasó,
algo terminó,
yo sólo pienso en ti
no me llames por teléfono
se me hace mucho más insoportable
es posible que al final yo me vuelva loco
y me quede encerrado solo en esta habitación
yo sólo pienso en ti, yo sólo pienso en ti
sólo pienso en ti, sólo pienso en ti
ya no tengo que fumar, ya me cansé de tomar
yo sólo pienso en ti
yo sólo pienso en ti, sólo pienso en ti
pero en realidad, nena,
yo sé que en verdad sólo pienso en mi
insoportable, insoportable
insoportable, insoportable
Tradução
Insuportável
Fito Páez
Só penso em ti, só penso em ti
se é hora de amar
se é hora de divertir
eu só penso em ti
Só penso em ti, só penso em ti
e algo me arrasou
algo me matou em ti
Só penso em ti, só penso em ti
eu não sei se é o teu signo
ou o modo como mentes para mim
o certo é que você é mais sensual que a garota de Ipanema
de Vinícius e Jobim
Só penso em ti, só penso em ti
algo aconteceu,
algo terminou,
eu só penso em ti
não me telefone
pois isso faz com que a coisa fique insuportável
é possível que, no final, eu enlouqueça
e fique trancado sozinho neste quarto
eu só penso em ti
Eu só penso em ti, só penso em ti
Já não tenho o que fumar, ja cansei de beber
eu só penso em ti
Eu só penso em ti, só penso em ti
mas de verdade mesmo, gata
eu sei que de verdade, eu só penso em mim
Insuportável, insuportável
Insuportável, insuportável

Insoportable

Fito Páez é, junto com Charly Garcia e Luiz Alberto Spinetta, o mais importante nome do rock argentino. Nascido Rodolfo Páez Ávalos, na cidade de Rosário, em 1963, Fito é um compositor e cantor de reconhecido talento. Depois de atuar em alguns grupos, estreeou na carreira solo com o disco Del 63 (1984). Porém seu trabalho de maior repercussão é El amor después de amor (1992), considerado o disco mais vendido na história do rock de seu país.
Também é conhecido nos demais países latino-americanos. No Brasil são célebres suas colaborações com Caetano Veloso, Rita Lee, Djavan, Paralamas e Titãs. As rádios do sul do país, com alguma regularidade, tocam suas canções. Fãs brasileiros criaram uma comunidade para ele no Orkut.
Fito é vencedor de dois prêmios Grammy Latino de 2000, como melhor artista e melhor canção de rock (Al lado del camino).
A canção que segue se chama Insoportable, faz parte do cd Naturaleza sangre (2003). Nela há citação de compositores brasileiros. Tenho este dsco e recomendo para quem quiser ouví-lo. Fito é um compositor que entende os dramas humanos.

Aroldo José Marinho

Fito Páez- Insoportable

25 março 2009

Flores do mais


Saudações palmeirenses aos leitores e às leitoras do blog. Hoje posto um poema de Ana Cristina César (1952-1983), poeta carioca de talento, que fez parte de um grupo de poetas alternativos que atuou na década de 70, do século passado. Esse grupo recebeu rótulos variados e engraçados (geração mimeógrafo, literatura udigrudi, marginal).


Publicou poemas e textos em prosa em coletâneas, revistas e jornais alternativos. Seus primeiros livros, Cenas de Abril e Correspondência Completa, foram lançados em edições independentes. Em 1982 lançou A teus pés, pela editora Brasiliense. Segundo alguns críticos, em sua produção há uma fina linha entre o ficcional e o autobiográfico.

Apesar do talento, Ana Cristina não conseguia lidar com as dificuldades emocionais de forma serena. Em 1983, praticou ato de suicídio, se jogando do apartamento dos pais.

Com respeito e carinho, publico o texto As flores do mais. O título é um trocadilho com o poema As flores do mal, do simbolista francês Baudelaire.
Aroldo José Marinho


Flores do mais


Ana Cristina César

devagar escreva

uma primeira letra

escrava

nas imediações construídas

pelos furacões;

devagar meça

a primeira pássara

bisonha que

riscaro pano de boca

aberto

sobre os vendavais;

devagar imponhao pulso

que melhorsouber sangrar

sobre a faca

das marés;

devagar imprima

o primeiro

olhar sobre o galope molhado

dos animais;

devagar

peça mais

e mais e

mais

24 março 2009

Bye Bye Clô!


Na terça-feira (18/03) a imprensa comunicou o falecimento do deputado Clodovil Hernandez (PR-SP). O parlamentar de 71 anos foi acometido por um Acidente Vascular Cerebral (AVC), sendo encontrado caído ao lado da cama. Foi internado, às pressas, num hospital de Brasília. Na manhã daquele di, Clodovil passou por exames que ajudaram a detectar a morte cerebral. Por volta das 17:00 foi declarado morto. Sua morte repercutiu na sociedade brasileira.

Durante mais de 40 anos, Clodovil atuou no mundo da alta costura. Sendo um profissional de talento reconhecido. Depois foi ao encontro do grande público através dos meios de comunicação social, principalmente, a televisão. Trabalhou em programas voltados para o público feminino na maioria das emissoras do país. Como comunicador, seu momento mais expressivo foi a participação no programa Tv Mulher, em 1980, produzido pela rede Globo. Famoso por sua língua ferina, nunca evitou a polêmica. Sempre disse o que quis. Mesmo que tal posição de independência, muitas vezes, lhe custasse o emprego. Fato que, muitas vezes ocorreu. Neste sentido ficopui famosa a polêmica envolvendo Clodovil com a equipe do programa Pânico na Tv, que lhe rendeu a demissão sumária da rede Tv.

Em 2005, Clodovil deu um passo surpreendente: decidiu entrar para a cena política. Para tanto, assinou ficha de filiação num partido nânico, o Partido Trabalhista Cristão (PTC). Lançou sua candidatura rumo à Câmara dos Deputados em 2006. Sua vitória foi surpreendente, Foi eleito com 493.951 votos, a terceira maior votação de São Paulo. Ainda, foi o deputado novato mais bem votado do país. Chegou em Brasília fazendo discurso de oposição ao governo federal e para, não perder o hábito dos tempos de comunicador, em 2007, arrumou polêmica com a Cida Diogo (PT-RJ), a quem teria ofendido com palavras grosseiras. A deputada apresentou ação contra ele na Comissão de Ética. Clodovil divulgou nota pedindo desculpas às mulheres que se sentiram ofendidas por seu comentário. A ação foi arquivada.

Completado o primeiro ano em Brasília, o parlamentar tomou novo rumo. Saiu do PTC assinando filiação no PR, que faz parte da base aliada do governo. Sua mudança não foi tranqüila, o partido abandonado tentou cassá-lo na mais alta corte de justiça do país. Sem êxito, os juízes não entenderam ser infidelidade partidária a mudança de Clodovil, aceitando o argumento de que ele sofria perseguição no PTC. Dentro da base, ele mostrou ser um bom soldado. Uma das provas foi o encontro Dilma Rousseff nos corredores da Câmara. Sem perda de tempo, Clodovil disse para ela que os votos conseguidos por ele na eleição parlamentar eram dela.

Outros fatos foram protagonizados pelo deputado. Mas a intenção desta postagem não é esmiuçá-los. Longe disso. Clodovil já não está mais aqui para se defender ou atacar. Seu sofrimento teve fim. O que se pode é louvar suas atuações que, pouquíssimas vezes, a mídia divulgou. Parece que era mais interssante divulgar as polêmicas do costureiro/comunicador/parlamentar do que suas boas ações. Poucas pessoas sabem de sua militância kardecista, onde procurava realizar ações de caridade para as pessoas mais necessitadas. Quase nada foi citado de sua ação em benefício da preservação histórica de Ubatuba, no interior paulista, onde morava. Outras ações poderiam ser citadas. Todavia agora é importante dizer: Clodovil, descanse em paz!

Aroldo José Marinho



20 março 2009

Cinco perguntas para... Julie Graziela Zanin


Na postagem de hoje, dirijo algumas perguntas para Julie Graziela Zanin. A moça aí, da foto ao lado, nasceu em Sapucaia do Sul (RS), cidade próxima de Porto Alegre, é uma amiga que conheci através das salas de bate-papo, no final do século passado. Das pessoas conhecidas nestas conversas, provavelmente, ela é a única que ficou. Depois nossa amizade genial ganhou os e-mails, as cartas e os telefonemas, sobretudo, nas datas de aniversário. Posteriormente, por motivos profissionais, precisei ir ao RS. Foi a chance de me encontrar face a face com a moça gremista, que é gente muito boa, da melhor qualidade.
Julie espalha alegria e faz amigos pelos lugares por onde passa. Desde seu bairro em Sapucaia do Sul, até as salas do curso de Biologia que ela freqüenta na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Perto dela é impossível se sentir inútil ou triste. Meiga, solidária e sempre adorável. Qualquer assunto é bom para conversar com ela. Exagero meu? Claro que não!
Como forma de extravasar tanta energia, ela posta fotos e informações em dois blogs tri-pessoais (escrevi como gaúcho, tchê!). São eles: http://julygrazy.brasilflog.com.br e http://julygrazy.spaces.live.com. Seguem abaixo as perguntas e respostas que embalaram nossa conversa.

Aroldo José Marinho (A): Quando nos conhecemos, em 1999, você era uma figura constante na internet. Isso era uma necessidade?
Julie Graziela Zanin (J): Não, era uma novidade! Era o primeiro computador que tivemos em casa e com ele, nossa primeira internet. Jovem e novata neste mundo, queria mais era devorar tudo que via pela frente: e-mails, chats, ICQ (puxa, que saudade...), TUDO. E não enjoava, adorava ficar horas “tc” com as pessoas, conhecendo gente de tudo que era lugar e de todas as idades.

A: Pode contar um pouco sobre sua infância em Sapucaia do Sul?
J: Minha infância foi feliz e divertida! Morava em outro bairro, que era meio “isolado” do resto da cidade, devido a duas rodovias que passam próximas. Parecia cidade de interior, onde todos se conheciam e todos se cumprimentavam. Corri muito pelas ruas, andava de “bike”, brincava de professora, de boneca, jogava vôlei no portão, subia nas ameixeiras no fundo de casa, sentava no muro...Tinha várias amizades e também foi lá que “iniciei” minha adolescência. Fazíamos as conhecidas reuniões dançantes nos fundos de casa, com passinhos de dança e a “famosa” dança da vassoura (um menino que ficou sobrando pega a vassoura e passa pra outro que esteja dançando, tirando o seu par e deixando-o com a vassoura). E mesmo tendo passado por problemas de saúde aos 11 anos, foi nesse período que descobri os verdadeiros amigos, que mantenho contato até hoje. Uma fase que lembro sempre com muito carinho e alegria!

A: Quais os seus planos para depois que completar a formação universitária?
J: Na verdade ainda estou um pouco perdida e ansiosa com isso. Tenho inicialmente a idéia de fazer concursos públicos e ainda estudar para a prova de mestrado, que ocorre no final do ano. Mas certo, não tenho nada ainda. Gostaria de poder continuar a trabalhar com algo na área da Microbiologia. Trabalhando, eu poderia fazer meu mestrado também, acho que isso me deixaria realizada profissionalmente. E que esse projeto fosse útil, que tivesse alguma aplicação e finalidade, e não apenas pelo conhecimento.

A: O que faz a mulher Julie seguir adiante?
J: A certeza de que não estou aqui sem motivo. A certeza de que, se estou aqui, hoje, vivendo, é porque o Pai me entregou uma missão e eu tenho de cumpri-la. Além disso, o que me mantém nessa jornada é saber que existe amor, que existem pessoas que valem a pena no mundo. A presença da minha família, amigos, e de tudo que eu admiro...a perfeição do corpo humano, como tudo forma ciclos que se encaixam perfeitamente; a beleza de paisagens verdes, árvores, flores, frutos; os animais, por mais excêntricos e diferentes, por mais nojentos pra alguns, a percepção de que eles são importantes e necessários, e com isso tem sua beleza particular.
O mundo, a vida, as pessoas valiosas, o amor e Deus me fazem seguir!

A: Deseja fazer mais alguma declaração?
J: Se minha voz pudesse chegar aos quatro cantos e ser refletida, gostaria que as pessoas parassem alguns instantes por dia pra pensar na sua vida, no mundo, nas pessoas. Será que estou feliz? Porque estou neste trabalho? Estou vivendo ou sobrevivendo? E o amor, está comigo? E o próximo? Será que está bem?
As pessoas precisam pensar mais e refletir mais sobre si e tudo o que os rodeia. Os relacionamentos inter-pessoais estão formados por laços cada vez mais frágeis, as pessoas só pensam em suas vidas e esquecem do resto, do outro, tantos animais racionais como os irracionais. Nossa vida, de uma forma geral e considerando a “grande massa” está desviada dos verdadeiros propósitos criados para nós. Ética é palavra que se aprende na escola e nunca mais se põe em prática. Amor é título de filme de cinema apenas. Amigos de verdade não existem, apenas amigos virtuais de orkut e msn. Meio ambiente, natureza e afins são palavras bonitinhas utilizadas em propagandas de grandes empresas pra fazer-nos acreditar que são corretas.
É hora de acordar pra vida! Ainda há tempo para viver de forma correta e feliz! Basta acreditar!

19 março 2009

Dia de São José

Saúdo os leitores e as leitoras deste blog e comunico com alegria que hoje é dia de São José. E daí? Pode perguntar alguém enter vocês. Respondo que, tenho motivações para fazer esta psotagem: o sa´nto é padroeiro de Macapá, minha cidade natal. A catedral da cidade foi erguida em sua homenagem. Além disso, ele é meu padroeiro. Já esqueceram que o meu segundo nome é José?
Sobre é dito um monte de coisas boas e justas. Aliás, o significado de seu nome, entre outras coisas, significa O Justo. Sinceramente, me orgulho por minha mãe me ter dado este nome. Para prestar uma singela homenagem ao santo, descobri um site que me ofereceu informação preciosa sobre o carpinteiro da Galiléia. Seguem a indicação do site e o texto lá citado.
Tudo de bom sempre!
Aroldo José Marinho
Esposo da Virgem Maria e padrasto de Jesus. Ele figura na infância de Jesus conforme a narrativa de Mateus (1-2) e Lucas (1-2) e é descrito com um homem justo. Mateus descreve os pontos de vista de José e Lucas descreve a infancia de Jesus com José.

José é descendente da casa real de David. Noivo de Maria ele foi visitado por um anjo que informou a ele que ela estava com um filho e que o filho era do "Sagrado Espirito". Ele tomou Maria e a levou para Belem e estava presente no nascimento de Jesus. Avisado de novo, por um anjo das intenções do Rei Herodes José levou Maria e Jesus para o Egito. Eles só voltaram a Nazaré quando outro anjo, apareceu de novo a José, avisando da morte de Herodes. José devotou sua vida a criar Jesus e estava cuidando da ovelhas e de Maria quando os reis magos chegaram. Defendeu o bom nome de Maria e Jesus Deus o chamava de pai e queria ser conhecido como filho de José. Ele levou Maria e Jesus para visitar o templo e apresentar Jesus a Deus no templo. E juntamente com Maria ficou preocupado quando Jesus teria se perdido no templo, isto quando Jesus tinha 12 anos.
A ultima menção feita a José nas Sagradas Escrituras é quando procura por Jesus no Templo de Jerusalem. Os estudiosos das escrituras acreditam que ele já era um velho e morreu antes da Paixão de Cristo. Veneração especial a José começou na Igreja moderna ,onde escritos apócrifos passaram a relatar a sua história. O escritor Irlandês, do nono século Felire de Oengus comemora José, mas veneração a José só se espalhou no 15° seculo. Em 1479 ele foi colocado no calendário Romano com sua festa a ser celebrada em 19 de março. São Francisco de Assis e Santa Teresa dAvila ajudaram a espalhar a devoção, e em 1870 José foi declarado patrono universal da Igreja pelo Papa Pio IX. Em 1889 Papa Leão XIII o elevou a bem próximo da Virgem Maria e o Papa Benedito XV o declarou patrono da jjustiça social. O Papa Pio XII estabeleceu uma segunda festa para São José, a festa de "São José, o trabalhador" em primeiro de maio. Ele é considerado pelos devotos como padroeiro dos carpinteiros e na arte litúrgica da Igreja ele é mostrado como um homem velho com um lírio, e algumas vezes com Jesus ensinando a Ele o ofício de carpinteiro.
De acordo com um antiga lenda, Maria e as outras virgens do Templo receberam ordens para retornar a sua casa e se casarem. Quando a Virgem Maria recusou-se, os anciões oraram por instruções e uma voz no Santuário instruiu a eles a chamarem todos os homens que podiam se casar para a Casa de David e para ele deixarem seus cajados no altar do templo durante a noite. Nada aconteceu. Os anciões então chamaram também os viúvos, entre eles estava José. Quando o cajado de José foi encontrado na manhã seguinte coberto de fores (" as flores no bastão de Jesse") a ele foi dito para tomar a Virgem Maria como esposa e a guardasse para O Senhor. Muitas vezes o cajado florido é mostrado como um bastão de lírios.

Outra versão da vida de São José é relatada nos "Atos de São José" que é tido por muitos como sendo apócrifa, mas estudiosos como Origens, Euzébio e São Cipriano fazem referência em suas obras. Nesses "Atos" José teria se casado jovem e só foi prometido a Maria quando já era viúvo. José teria tido, no primeiro casamento, duas filhas e quatro filhos sendo o caçula chamado Tiago, que Jesus considerava como irmão e com ele teria passado sua infancia e parte de sua adolecência. E Maria achou o menor Tiago na casa de seu pai e este estava triste pela perda de sua mãe e Maria o consolou e o criou. Assim Maria é as vezes chamada de mãe de Tiago. Com o passar dos anos o velho José tinha uma idade bem avançada, mas nunca deixou de trabalhar, nunca sua vista falhou e nunca ficava sem rumo, tonto, e como um rapaz ele tinha vigor e suas pernas e braços permaneceram fortes e livres de nenhuma dor. Quando aproximou-se a sua hora um anjo do Senhor veio até ele e disse a ele que estava para morrer e ele levantou-se e foi para Jerusalém orar no santuário e disse: "O Deus autor da consolação, O Senhor da compaixão, ó Senhor de toda a raça humana, Deus de meu corpo e espirito, com súplica eu Vos reverencio e Ó Senhor e meu Deus, se agora meus dias terminam e eu preciso deixar este mundo, peço a Vós que envie o arcanjo Miguel, o príncipe dos Vosso anjos, e deixe ele ficar comigo e leve minha alma deste aflito corpo sem problemas e sem terror. E José foi enterrado pelos seus amigos e parentes sem o odor dos mortos. Estaria explicado assim a grande polêmica do "irmão" Tiago que Jesus pediu para tomar conta de sua mãe Maria e deu origem a várias discussões sobre a virgindade de Maria.Desse modo os "Acts of Saint Joseph" teem o seu lado positivo e negativo e tem que se ter cuidado para lê-los assim como os "Acts of Saint Paul". Sua festa é celebrada no dia 19 de Março.
Cumpre observar que no passado , no mês de março, as cartas terminavamcom SJMJ que significa: Salve Jesus, Maria e José.

10 março 2009

Ludov- Dois a rodar

Dentre as bandas de rock surgidas no início deste século, Ludov está entre as que merecem o meu respeito. Herdeira do Maybees, grupo que interpretava canções em inglês, Ludov faz um rock rock gostoso, compentente e honesto. Nas suas canções há temas como amor e frustração, esperança e desespero entre outros. Nos dois primeiros discos, Dois a rodar (2003) e o Exercício das pequenas coisas (2005), sua formação era constituída por Vanessa Krongold (voz), Mauro Motoki (guitarra, teclados), Habacuque Lima (guitarra), Paulo "Chapolin" Rocha (bateria) e Eduardo Filomeno (baixo).
Após a gravação de Universo paralelo (2007), Filomeno decidiu sair da banda para viver no exterior. Para suprir sua ausência, a banda contrata baixista para lhes acompanhar em apresentações ao vivo.
A banda tem respeito da crítica e do público, Entre os prêmios recebidos está o Video Music Brasil, dado pela MTV, em 2004, pelo clipe Princesa. Além disso, caiu na minha simpatia. Assisti uma apresentação de Ludov na Fnac, em 2005. Foi muito legal! No final, conversei com Motoki que, assim, como Lima, é nascido em Brasília. Ganhei um beijo de Vanessa, que, para mim, se tornou a nossa Bjork.
Segue para vocês o belo clipe da canção Dois a rodar, tema composto por Motoki.
Ludov- Dois a rodar

08 março 2009

A Mulher e as Mulheres

Viva o dia internacional da MULHER!!! Talvez vocês perguntem espantados sobre o motivo de ser postada uma foto minha ao lado do grande ator Paulo José num texto que pretende homenagear às mulheres no seu dia internacional. Não seria melhor botar uma foto de madre Tereza ou de outra mulher importante para a humanidade? A resposta é simples mas merece uma historinha. Lá vai!
Na segunda-feira passada foi no cine-clube do sindicato bancário aqui do Distrito Federal. Toda segunda é dia exibição de filme nacional. Para este mês, foi decidido que todos os filmes exibidos tematizariam a mulher. O filme da vez era Todas as mulheres do mundo, de Domingos de Oliveira, estrelado por Paulo José e a musa Leila Diniz, Lançado em no abençoado ano de 1967 e tido como um dos raros sucessos de crítica e público.
O filme conta a história de Paulo, um jornalista que sempre acreditou que, por ser múltiplo, o amor masculino não só poderia como deveria ser oferecido para várias mulheres. Até que um dia, conheceu Maria Alice, namorada de um amigo. Foi paixão à primeira vista. Aí tudo mudou! Os conceitos dele foram balançados. O casamento e a fidelidade de possibilidades remotas passaram a ser conceitos a serem praticados. Descrevendo como estou fazendo agora, talvez, a história não pareça ser atrativa. Contudo, quem assistir ao filme, há de me agradecer pela indicação.

O filme consolidou a carreira de Leila como atriz e fez dela uma referência como mulher, alguém de atitude e carisma. Eu sempre ouvi falar dela, vi a cine-biografia Leila para sempre Diniz, de Luiz Carlos Lacerda, com Louise Cardoso vivendo a protagonista. Minha curiosidade me fez ler muita coisa sobre Leila, inclusive, a celebre entrevista dada para o Pasquim, em 1969. Fiquei com vontade de conhecê-la, ser da turma dela. Porém a musa foi para o andar superior da existência em 1972, quando este palmeirense que vos escreve tinha apenas quatro aninhos. Um pouco dessa curiosidade foi saciada em 2006 no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. Eu estava andando pelos corredores do hotel onde rolavam os eventos do festival quando dei de cara com Janaína Guerra, filha de Leila com o cineasta Ruy Guerra. Nos olhamos. Pensei rápido: É a filha da musa!!! Deu vontade de sair atrás dela. Mas o bom senso falou mais alto e eu segui meu caminho.

Não sei da história social deste país de uma mulher que tenha sido mais progressista e atual do que Leila Diniz. Ela teve a coragem necessária para peitar uma sociedade amarrada por um ditadura violenta e por grupos de moralismo extremado. No seu tempop, foi chamada de prostituta e exibicionista. Hoje todos sabem que é merecedora de carinho e aplausos. Certo que há outras musas geniais para a gente admirar. Mas da primeira musa, a gente nunca esquece.

No ano passado, num outro evento de cinema, encontrei com Paulo José. Apesar das dificuldades impostas pelo mal de alzheimer, o cara não pára. Trabalha e é solícito com as pessoas. Quando o encontrei, pedi para bater a foto aqui postada. Depois é que me toquei: eu estava ao lado do ator que trabalhou com Leila no filme que a consagrou. Em 1990, a rede Globo pediu para Domingos de Oliveira fazer uma versão televisiva de sua obra-prima. Ele topou, chamou Pedro Cardoso e Fernanda Torres para os papéis principais. O resultado não foi bom. Fernandinha tentou mas não fez ninguém esquecer Leila. Quanto ao Pedro Cardoso, bem... ele é muito bom na Grande Família e nas críticas contra o nú no cinema nacional. Mas não tem talento para ser namorado de musa.

A postagem vai em frente lemrando que paa homenagear todas as mulheres de nossas vidas, só mesmo homenageando uma MULHER acima das épocas. Que todas as mulheres que fazem parte de minha vida, entre elas, as leitoras deste humilde blog, recebam minha homenagem. Que assimn como Leila Diniz, ela sejam todas geniais e dignas, inteligentes e meigas, meninas doces e senhoras de atitudes soberanas. Que sejam sempre MULHERES! Que nós possam sempre ser bons admiradores e parceiros compreensivos. Feliz dia internacional da MULHER!!!
Aroldo José Marinho

06 março 2009

O mundo de Dilma

Então agora é verdade: o governo federal acredita que Dilma Rousseff poderá suceder o presidente Lula no comando da nação. Antes, o que havia era só especulação e tentativa de advinhação. Porém agora é fato. Tanto é que, mesmo que, de forma velada, a ministra-chefe da Casa Civil já está em campanha.

Conheço pessoas que têm restrição ou que não acreditam na candidatura da ministra. Para dar peso ao que pensam, tais pessoas enfatizam que em nenhuma pesquisa Dilma foi citada como sendo a preferida do eleitorado.

Pessoalmente, penso que quem não acredita ou apresenta restrição à ministra Rousseff, está equivocado. Ou, no mínimo, raciocina de maneira apressada. Neste caso, vale lembrar o dito popular que afirma ser a pressa a inimiga da perfeição.

É verdade que a ministra não apareceu na liderança de votos em nenhuma pesquisa. Todavia também é verdade que ela começou a subir nas intenções de voto. Vale lembrar também que a candidatura dela é a única que não sofre rejeição em nenhuma das classes sociais entrevistadas. Esse dado é importantíssimo.

O presidente Lula tem pretensões altíssimas para o caso da candidatura de sua ministra preferida emplacar. Além de manter no poder uma pessoa de sua confiança, ele terá certeza de haverá a continuidade de seu projeto político. Será lembrado também como o político progressista que apostou na competência feminina.

Talvez muitos cidadãos sejam tentados a pensar que bastou Lula escolher Dilma como sua candidata do coração e pronto. Não foi bem assim! Não é assim que as coisas acontecem. Primeiro, o presidente teve que desarmar os espíritos e as pretensões dos presidenciáveis do Partido dos Trabalhadores (PT). Foi preciso pacificá-los. E isto ele fez. O passo seguinte foi convencer o Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) a apostar numa mulher cujo perfil não apresenta afinidade com a prática política comumente associada a este partido.

Os companheiros do PMDB toparam a parada e se alistaram como soldados leais na causa de Dilma. Prova disso é a atuação dos senadores do partido para não deixar que a ministra fosse inibida em alguma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). Há senadores da oposição que utilizam essas comissões para tentar causar danos às figuras de proa do governo Lula. Alguém lembra da tentativa estúpida do senador José Agripino Maia (DEM-RN) de querer humilhar a ministra numa CPI? O cara tem motivos para lamentar o tiro dado no pé.

Já ouvi algumas pessoas afirmando que a senhora Rousseff terá que passar por uma "reforma" de perfil. Conhecida como uma pessoa dura, que preza a eficiência e pouco avessa à tolerância, Dilma entende que sua imagem pouco acessível não lhe fará ir a nenhum lugar. Inteligente, tomou providências: as fotos recentes dão a entender que ela fez cirurgia plástica; mudou o penteado; tira os óculos nos momentos de descontração e que está se esforçando para ficar a vontade em qualquer situação.

Todos esses esforços visam fazer da eficiente ministra a herdeira natural do legado de Lula. Nesse sentido, Dilma está sendo preparada para ser vista pelo eleitorado como a imagem e semelhança do líder operário, para continuar com o carisma lulista. Contudo os críticos do presidente e de sua eleita consideram a batalha perdida. Será que eles têm razão?

Particularmente, aposto no erro dos críticos. Considerando que muita água, ainda, há de rolar por baixo da ponte da sucessão presidencial, as afirmações não podem ser fechadas ou definitivas. Oficialmente, não existem candidatos nem pré-candidatos à presidência da república. Tudo é especulação! Mas assim que a campanha começar, muita coisa terá ocorrido. O governo federal poderá colher os frutos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) que, por tabela, serão debitados na conta da senhora Rousseff. Vale lembrar que ela é a "mãe do PAC".

Além disso, não dá para negar que a ministra tem o perfil que agrada às pessoas que acreditam na força da democracia. Dilma combateu a ditadura como guerrilheira. Foi presa e torturada. Nunca compactuou com os governantes anteriores à sua ida para o poder. Entrou no governo por causa de sua competência técnica. Depois é que ela ocupou espaço na cena política. Por fim, a ministra é a presença feminina no governo brasileiro. Da mesma forma que a vitória de Barack Obama, nos EUA, a eleição de Dilma Rousseff será um marco na vida política brasileira.
Aroldo José Marinho