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01 abril 2010

Pedaço do coração de Janis e Cazuza

Certa vez ouvi uma interpertação de Janis Joplin. Não sabia o título da canção. Mas fiquei super-interessado. Queria porque queria ouví-la  várias vezes. Parecia até um caso de amor. O tempo passou, ouvi outras vezes nos programas de rádio. Porém os locutores, além de falarem no meio da canção, nunca disseram seu título. Subdesenvolvimento é assim mesmo.

Lendo o songbook de Cazuza, descobri que a canção se chama Piece of my heart. Foi composta por J. Ragavoy e B. Berns. Seu registro mais famoso foi feito por Janis. Mas outros artistas também gravaram essa pérola. É nesse contexto que entra o genial compositor carioca. Ele escreveu Pedaço do meu coração, que é a versão em língua portuguesa.  

Partindo da idéia do texto original, Cazuza praticamente escreveu uma nova canção. Ficou a cara dele. Quem não sabe que é uma versão de canção estrangeira, certamente, pensará que é mais uma obra deste mestre letrista.

Eu deveria lhes oferecer o registro de Janis Joplin (http://www.youtube.com/watch?v=-7JVxE2SYxo) com a letra traduzida. Todavia me falta tempo para sentar e fazer a tradução. Peço perdões. Quando houver situação apropriada, prometo cumprir essa tarefa. Porém não deixar ninguém com água na boca, segue a versão de Cazuza.

Procurei por algum registro da canção na voz de Cazuza no You Tube. Sem sucesso. O que encontrei foi esta gravação que o grupo Bad Girls fez em 1993. Não sei fornecer maiores informações sobre o grupo. Mesmo assim, reconheço que sua interpretação é bonita e envolvente. O arranjo aqui ouvido não fica, em nada, devendo ao original.

Posto o clipe e a letra. Espero que vocês amem assim como eu amei. 
Beijos, abraços e vida!
Aroldo José Marinho

Pedaço do meu coração (Piece of my heart)
Ragavoy/ Berns
Versão: Cazuza

Eu quero que você se sinta
A pessoa mais feliz do mundo
A única capaz de ser pra mim
Um sonho em noite de insônia

Desejo que se satisfaz
Pede muito mais
Sentir gosto de cabelo, de suor
Tanto faz, tanto faz
E te chamam
Amor, amor, amor

Quebra
Em pedacinhos o meu coração de pedra
Quebra
Em pedacinhos o meu coração e guarda
Guarda
Um pedacinho do meu coração contigo
Fica com ele como prova de amor

Você virando noite
Fazendo pose
Não adianta disfarçar
Você quer vacilar

Leva, leva, leva, leva
Até começar a me amar
Me abraça, esquece
Vem falar de alguém
Um beijo solto pelo ar
Onde voar faz sempre bem
Peça mais
Amor, amor, amor, amor

Quebra
Em pedacinhos o meu coração de pedra
Quebra
Em pedacinhos o meu coração e guarda
Guarda
Um pedacinho do meu coração contigo
Fica com ele como prova de amor


Bad Girls- Pedaço do meu coração (Piece of my heart)

31 março 2010

Aniversário de Fito

Sábado foi dia 13. Nada de superstições por favor! Cito a data apenas para comunicar que naquele dia foi comemorado o aniversário de Fito Páez. Quem? O genial cantor e compositor argentino. O moço que, assim como Che Guevara, nasceu na província de Rosário. Fito completou 47 anos.

Certamente, um ou outro leitor poderá se espantar com o fato de um blog de brasileiro citar o aniversário de um brasileiro. Com certeza, esta atitude não é coisa comum. Todavia aqui cabe uma explicação: Fito é um grande amigo de nosso país.

Seu trabalho é conhecido no Brasil por causa de suas amizades com nossos artistas. Paralamas do Sucesso (http://www.youtube.com/watch?v=GLTph8Mj3Oc) e Nenhum de Nós (www.youtube.com/watch?v=T1Qg6V843Rc) gravaram algumas de suas canções. Ele participou de trabalhos dos Titãs (www.youtube.com/watch?v=9MzeJLs6yj0). Já gravou com Rita Lee. Cantou Vaca profana, de Caetano Veloso em shows (www.youtube.com/watch?v=lyQpWznlc50). Toda vez que vem neste país é recebido com alegria e afirma que aqui sempre se sente em casa.

Como esta não é a primeira postagem  que faço sobre Fito e seu trabalho, é a quarta. Por isso, dispenso as informações biográficas. Sua obra é bela e vasta. Seu sentido de novidade nunca se esgota. Vale agora postar um clipe e desejar ao grande Fito só coisas boas.

Feliz cumpleaño!
Harold 

Maria Gadú

Segue  texto de Izabel Toscano. Foi publicado, originalmente,  na edição de  29/03 do jornal Correio Braziliense, referente ao show de Maria Gadú (foto) em Brasília no final de semana.


 


“Linda”, “maravilhosa”, “eu te amo”, “perfeita”, “me leva pra              casa”... Gritos histéricos de meninas com idade entre 15 e 20 anos tomavam o teatro nos curtos intervalos entre as músicas. No banquinho, com violão em mãos, uma jovem com jeito de moleque — calça saruel, tênis, camiseta e cabelos curtos espetados — contornava a timidez pedindo ajuda à mãe que a assistia da plateia. “Mãe, olha isso...”, brincava Maria Gadú, arrancando gargalhadas. 

O primeiro show da cantora de 23 anos na cidade, em duas sessões, na sexta e no sábado, no Teatro Oi Brasília, durou exatamente duas horas. Tempo suficiente para que a jovem impressionasse pelas composições e arranjos. Matou a curiosidade tanto de gente que a conhece pela canção Shimbalaiê, da trilha da novela Viver a vida, quanto de quem já tinha intimidade com o álbum de estreia. 

“Descobri Gadú na internet e me apaixonei. Ela segue a linha da MPB e eu já gostava de cantoras como Ana Carolina. Mas não gosto tanto de Shimbalaiê como a maioria. Prefiro outras músicas, como Altar particular, porque tem letras que me prendem”, conta a estudante Michelle Elias, 18 anos, e membro do fã-clube Bela Flor. 

Nas cadeiras, a plateia era formada, sobretudo, por mulheres (a maioria tão jovem quanto Gadú). Mas era um público feminino diverso. Algumas de salto agulha e vestido com brilho; outras de calça jeans e tênis, à la Gadú. “Admiro a personalidade, a humildade. Ela assume o jeito dela na maneira de se vestir. Eu não ligo se ela se veste como menino ou não. O que me importa é que ela canta com emoção, com o coração”, confessa a estudante Renata Menezes, 17 anos, superproduzida e no salto alto. 

De unânime entre os fãs de Gadú apenas os elogios. A voz de timbre grave é, segundo parte dos admiradores, o que a alçou a revelação instantânea da nova geração da música brasileira. “A voz dela é única. É doce e forte ao mesmo tempo. Ela sabe deixar ainda mais bonita com as letras que compõe. É romântica sem ser comum”, avalia o estudante Rogério Santos, 20 anos. 

Com um singelo boa noite, Gadú subiu ao palco do Teatro Oi Brasília. Daí para frente, concentrou-se no repertório e resistiu delicadamente aos fãs que imploravam (e gritavam): “Fala mais!”. Criou-se um contraste. Ela, tímida; o público, eufórico. “Daqui a pouco, vocês vão pedir o hino (nacional). Vanusa é quem canta o hino”, soltou às risadas, referindo-se ao descompasso musical provocado pela cantora, ícone da Jovem Guarda, durante cerimônia pública. 

A maior parte da plateia, sem perder o fôlego, cantava em coro trechos das canções do álbum de estreia de Maria Gadú — lançado há apenas oito meses. Na sua timidez, junto com a maestria com que canta e toca, Maria Gadú acaba “trocando ideia” com o espectador a seu modo. “Tenho intimidade com o meu público talvez por sermos de idades próximas. Meus fãs são jovens, até crianças. Mas a minha função é cantar, tenho a proximidade que devo ter com eles”, destaca a cantora, em entrevista, antes do show. 

Quando se viu, a apresentação havia se transformado numa grande sala com amigos íntimos. Depois de interpretar canções como Encontro, Bela flor, Shimbalaiê (que ela compôs aos 10 anos), a banda a deixou sozinha no palco. Com voz e violão, como começou a carreira em bares do Rio, Gadú impressionou com a versão de Lanterna dos afogados e composições do repertório de Chico Buarque, de Noel Rosa e de Alanis Morissete. 

O ator e músico Leandro Leo a acompanhou em seguida, como tem feito na turnê de Gadú país afora. O público voltou a se meter: “Canta Crossfox”, gritou um menino. A dupla no palco riu e desconversou. “Minhas influências são todas. Gosto de Bach a Calypso. Chimbinha toca muito na guitarra. Às vezes, dá na telha e eu toco Backstreet Boys ou Sandy & Junior, por exemplo. Acho surpreendente as pessoas estranharem isso. São artistas da minha geração”, conta Gadú. 

Em homenagem ao aniversário de 50 anos de Renato Russo, completados no sábado, 27 de março, Gadú ressaltou: “Não sei se comemoramos ou choramos a perda”. Ela e Leandro Leo emocionaram a todos ao interpretar Hoje a noite não tem luar. 

Antes de se despedir, Gadú cantou Ne me quitte pas, uma das mais esperadas. “É a música que mais amo. Até estou aprendendo francês por causa dela. Apesar de ser uma música antiga, com a Maria Gadú cantando, ficou linda”, derrama-se a estudante Júlia de Soares Lima, de 15 anos. No bis, com Laranja, a cantora fez a plateia quebrar o protocolo e espremer-se em frente ao palco. E o show, que misturou melodias, solos de guitarras, rock e blues, virou festa. 

30 março 2010

Tributo para Armando Nogueira

Os principais veículos de comunicação do país avisaram  ontem (29/03) sobre o falecimento de Armando Nogueira. Nascido no Acre mas radicado no Rio de Janeiro desde os 17 anos, o jornalista de 83 anos não resistiu ao câncer e, às 07:00, partiu para a eternidade. De lá, deverá escrever belas crônicas sobre situações humanas e poéticas.
Talvez o nome de Nogueira, que começou no jornalismo em 1950, não diga muita coisa ou nada para os leitores e as leitoras do blog. Porém, de alguma forma, ele é conhecido destas pessoas. Pelo menos duas criações suas fazem parte do imaginário de todos nós: o Jornal Nacional e o Globo Repórter.
No ano de 1966, Armando ingressou na nascente TV Globo. Foi contratado para a missão de dar um bom formato ao departamento de jornalismo da emissora. Foi ele o criador da Central Globo de Jornalismo (CGJ). Deu certo, seu estilo ágil e objetivo ajudou a TV carioca a ganhar a credibilidade dos telespectadores e a se transformar na Rede Globo que todo o Brasil conhece.
Durante 25 anos, ele foi o comandante do jornalismo global. Foi um dirigente esforçado. Implantou o jornalismo em rede nacional e procurou ter entre seus companheiros profissionais de talento. Estes posteriormente escreveram com talento seus nomes na comunicação de massa deste país.
O ciclo de Nogueira na Globo foi encerrado em 1990. Saiu em busca de novos desafios. Botou, de novo, na ordem do dia, a paixão que sentia pelo futebol. Suas crônicas passaram a ser lidas nas páginas esportivas dos principais jornais brasileiros. Mas a televisão e o rádio não queriam que ele ficasse tão distante. Por isso, lá foi Armando fazer comentários para a rede Bandeirantes, o SportTv e a CBN.
Quem acessar os  noticiários da internet nesta segunda-feira, perceberá que hoje só dá Armando. Parece até ironia, se formos considerar que ele sempre afirmou que o papel do jornalista é divulgar a notícia e não ser a notícia. Todavia não teve jeito. O que não faltou foi gente comentando e lamentando a morte deste mestre do bom jornalismo.
Descanse em paz Armando!
Aroldo José Marinho



28 março 2010

"A Grande Família" completa 10 anos com pretensão de falar para todo mundo

Transcrevo matéria de Audrey Furlaneto, publicou no edição de hoje (28/03/10), no jornal Folha de São Paulo e no site UOL.
A foto que ilustra o texto é de autoria de Renato Rocha Miranda, da TV Globo.
Bom saber que um programa de bom gosto tem grande duração.
Boa leitura!
Harold

"A Grande Família" completa 10 anos com pretensão de falar para todo mundo


AUDREY FURLANETO
da Folha de S.Paulo, no Rio

Dona Nenê achou um cigarrinho diferente em casa. "Sem começo nem fim", definiu Seu Floriano, antes de acender e dar o primeiro trago. Agostinho sentiu o cheiro e encostou o sogro na parede: era maconha. Lineu comeu biscoitos estranhos, teve crise de riso e dançou durante o jantar. Mais maconha.
Seguem-se frases sobre "todo mundo ter seu viciozinho", sobre a droga não causar "tanta onda" quanto se diz. O espectador está diante de "A Grande Família" --em sua exceção.
O roteiro passou por vários departamentos de análise da Globo, segundo o ator Marco Nanini, até virar o episódio "Um Tapinha Não Dói" em 2002, segundo ano do programa, que estreia, no próximo dia 8, a décima temporada.
Série brasileira há mais tempo no ar, casa um elenco de grandes atores (Dona Nenê é interpretada por Marieta Severo, Lineu é Marco Nanini, Agostinho é Pedro Cardoso, entre outros) ao que o próprio elenco costuma classificar como "talento inegável" dos autores, Bernardo Guilherme, 44, e Marcelo Gonçalves, 39.
Os dois começaram a carreira na equipe de Cláudio Paiva, supervisor de texto de "TV Pirata" (1988 a 1992), que, na época, era redator final de "Sai de Baixo" (1996 a 2002).
Quando deram início ao texto de "A Grande Família", em 2001, tinham em mãos os originais de Oduvaldo Vianna Filho, o Vianninha (1936-1974), para a primeira versão do programa, exibido de 1972 a 1975.
A ideia era adaptar 12 textos, mas a equipe produziu roteiros inéditos e ganhou espaço fixo na Globo.
Além da linguagem mais lenta do original, a nova versão perdeu um personagem político (Júnior, vivido por Osmar Prado).
Em comum, manteve a proposta de elenco de qualidade --Jorge Dória e Eloísa Machado eram Lineu e Dona Nenê nos anos 70-- e das boas histórias. "O humor não deve ser finalidade, mas ferramenta. Não temos piadas, o que temos são situações engraçadas", diz Bernardo Guilherme.
Segundo o diretor-geral, Maurício Farias, "há, na verdade, um grande controle de temas". "Não tem humor preconceituoso, apelativo. Dificilmente se faz piada com 'a' gostosa ou 'o' pária. O humor passa pelo cotidiano da classe média baixa", avalia Farias.
 
Tom "correto"

O tom "correto, mas não reacionário", como define Marcelo Gonçalves, sustenta-se na "pretensão de falar para todo mundo". O programa está entre as maiores audiências da Globo (no ano passado, teve média de 33 pontos).
Ao todo, sete roteiristas escrevem os episódios de "A Grande Família". Os atores podem consultá-los, sugerir mudanças e até derrubar histórias.
Lúcio Mauro Filho, o Tuco, por exemplo, não se sentia à vontade para fazer graça sobre a confusão do jogador Ronaldo com um travesti --e a cena caiu. "Conseguimos fazer graça sem vulgarizar", diz o ator.
Para Marco Nanini, "tudo o que não contribuir para contar a história, é dispensável".
"A moral é muito díspar. Você tem que seguir uma base que tenha coerência com uma família de subúrbio. E é preciso arranjar um jeito de introduzir temas mais ousados, como a maconha", afirma.
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País volta a ser oitava maior economia

Segue postagem que li no na edição de hoje (28/03/10) do blog do jornalista Ricardo Noblat. vale a pena comemorar?
Harold


deu na folha de s.paulo

Após 11 anos, Brasil voltou ao posto que havia sido perdido para a Rússia segundo ranking que considera PIBs em dólares
Crescimento ajuda a atrair mais investidores e a elevar influência geopolítica; dados foram compilados pela Economist Intelligence Unit
A recente crise mundial alçou o Brasil à condição de oitava maior economia do mundo em 2009. É a primeira vez desde 1998 que o pais ocupa essa posição no ranking global com o PIB (Produto Interno Bruto) medido em dólares.
A crise econômica no mundo desenvolvido, a fortaleza do real e políticas anticíclicas bem sucedidas adotadas pelo governo contribuíram para esse resultado.
Mas por trás da performance brasileira há também deficiências, como uma economia ainda fechada, que se travestiram de vantagem durante a crise, mas que no longo prazo tendem a voltar a pesar negativamente na trajetória do país.
O desempenho da economia brasileira já havia sido favorável entre 2007 e 2008, quando passou da décima à nona posição no ranking mundial, deixando para trás a Espanha e o Canadá, embora tenha sido ultrapassado pela Rússia.
Com esse movimento, o Brasil também passou a ser a segunda maior economia das Américas, atrás apenas dos Estados Unidos.
Ganhar posições no ranking de maiores economias é positivo porque torna o país mais atrativo para investidores externos e aumenta seu peso geopolítico.
Mas desde que a mudança seja sustentável; e, de preferência, se trouxer chances de mais progresso no futuro.

09 março 2010

Para as mulheres com atraso mas também com muito carinho

Ninguém gosta de chegar atrasado nos eventos importantes. Nem eu. Porém ontem não pude vir aqui prestar uma legítima homenagem às por ocasião do sagrado dia 8 deste mês. 
Peço perdão pela falha às mulheres que fazem parte do Harold's universe. O motivo é que, no fim de semana, fiz viagem até Goiás. Voltei ontem à minha base, lá pelas 12:00.
 Todavia, não foi possível, vir ao blog e escrever algo que possa ser digno de tantas mulheres valorosas que , graças a Deus, eu conheço. Gente como as leitoras deste humilde espaço. 
A falta de tempo também me faz perdir desculpas,  novamente, pois vou postar um clipe-homenagem com uma tradução que não foi feita por mim. Todavia, eu  assino embaixo o texto da canção. Viva o dia 8 de março!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Beijos!
Harold John Lennon- Woman

03 março 2010

Com vocês, Cravo-da-Terra

Quero apresentar para as pessoas que visitam o blog o grupo Cravo-da Terra (foto). Foi meio que por acaso que descobri o trabalho deste grupo catarinense. Lembro que corria o ano de 2006. Era uma sexta-feira, eu estava lendo o caderno de cultura do principal jornal da cidade. De repente, li um texto que contava que um grupo acústico, vindo de Santa Catarina, faria show num espaço alternativo. À medida que ia lendo, ia ficando animado. Queria saber desta gente, escutar sua música. Porém havia um problema: eu estava quebrado de grana, não tinha condição para pagar a bilheteria.

Apesar da desolação, decidi colocar o nome do grupo num site de busca. Fiz bem! Entre as referências que vieram, consegui acesso ao site oficial do Cravo-da-terra. Me pus a lê-lo de ponta a ponta. Lá estava a agenda de apresentações. Uma notícia me fez vibrar: além, da apresentação da sexta-feira, os cinco músicos tocariam, na hora do almoço, na UnB. E o mais importante: seria gratuito.

Chegou a segunda-feira. Lá estava eu na platéia. No palco estavam, tal como na foto à esquerda: Mateus Costa (vocal, contrabaixo acústico), Otávio Rosa (violão, vocal), Ive Luna (vocal, flauta transversal), Rodrigo Paiva (percusssão, vocal) e Marcelo Mello (violino, viola, violão, vocal). O grupo foi mostrando suas pérolas. Quanto mais eu ouvia, mais gostava daquela banda. Era como se eu conhecesse essas pessoas há muito tempo. No final, fui conversar com os integrantes. Falei muito com Ive. Ela é legal! Tem boa vontade e simpatia. Dialogou comigo de maneira afetiva e igualitária.

Posteriormente, consegui um cd da banda. Ouvi diversas vezes. Sempre com a mesma alegria. O passo seguinte foi buscar imagens do Cravo-da-Terra no You Tube. Infelizmente, não há muita coisa. Todavia consegui este vídeo. Tenho orgulho de oferecê-lo para vocês.
Harold

Cravo-da-Terra- Infinito som


01 março 2010

Mais mensalão do DEM

Reproduzo neste espaço matéria escrita por Maurício Savarese, que o UOL divulgou no dia 24/02. Nela, o articulista trata da desitegração política do democratas. Boa leitura!
Harold
Perda do governo do DF acelera declínio do DEM, dizem especialistas
Maurício Savarese- Do UOL Notícias

Um partido que mudou de nome para se reanimar, elegeu apenas um governador em 2006, minguou no Congresso e nas prefeituras, viu a estrelada cúpula da gestão no Distrito Federal cair por denúncias de corrupção e sofre ainda com críticas à administração da maior cidade do país. Apesar de tudo isso, o pior pode estar por vir para o Democratas, disseram analistas ao UOL Notícias.
Para eles, a perda do governo do Distrito Federal no primeiro momento alivia a pressão interna e na opinião pública, iniciada com a série de vídeos que implicam, além de empresários e deputados distritais, o governador afastado José Roberto Arruda (sem partido, ex-DEM) e o vice Paulo Octávio, que renunciou ao mandato nesta terça-feira (23).
Mas o afastamento imposto a Arruda e a Octávio dão aos adversários um poderoso argumento para acelerar o processo que faz o ex-PFL, fundado por um grupo dissidente do que sustentou o Regime Militar (1964-1985), minguar seu poder político desde a eleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2002.
O partido que já teve o senador Marco Maciel (PE) como vice-presidente da República hoje sofre para emplacar um companheiro de chapa na provável composição com o presidenciável tucano e governador de São Paulo, José Serra. Em 2008, perdeu quase 40% dos seus prefeitos, ficando com cerca de 500. Levou a gestão paulistana por ser aliado de tucanos que rifaram a candidatura do ex-governador Geraldo Alckmin.
A sigla que na reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso somava 105 deputados, derreteu para 84 na votação de 2002. Quando Lula foi reeleito, em 2006, encolheu para 65 parlamentares na Casa. Ao longo do segundo mandato do petista no Palácio do Planalto, diminuiu de tamanho para 56 – muitos deles migraram para siglas satélites do governismo como PR, PTB, PP e PMDB.
“Será um resultado excelente se eles conseguirem eleger 40 deputados neste ano”, disse Luciano Dias, do Instituto Brasileiro de Estudos Políticos. “A bancada do PFL em 2006 dependia de resultados bons na Bahia, no Rio de Janeiro e em São Paulo. Já não foram muito bem. Desta vez, com esse escândalo no Distrito Federal – perdeu todo o comando no único lugar onde venceu – repetir o resultado já será difícil.”
Nas pesquisas eleitorais divulgadas até agora, o DEM só aparece na liderança no Rio Grande do Norte, com a senadora Rosalba Ciarini. Oferece candidaturas já competitivas no Pará (Valéria Pires), Mato Grosso (Jayme Campos), Tocantins (Kátia Abreu), Santa Catarina (Raimundo Colombo). “Mas os adversários vão cair de pau neles com a história de Brasília, dizer que o partido não sabe governar e isso trará efeitos negativos que manterão a queda”, disse David Fleischer, da Universidade de Brasília (UnB).
Nos quatro maiores colégios eleitorais do país, o DEM só deve ter candidato na Bahia. Mas ali o governador Jaques Wagner (PT) é favorito para vencer já no primeiro turno. O ex-governador Paulo Souto (DEM) está em segundo lugar, em busca do vazio deixado pela morte de um dos principais representantes do auge do antigo PFL, Antonio Carlos Magalhães (1927-2007).
No Rio de Janeiro, o partido pode ganhar impulso se o ex-prefeito Cesar Maia tentar o Senado. Em Minas Gerais a tendência é de adesão a Antonio Anastasia (PSDB), hoje vice de Aécio Neves. Em São Paulo, a aprovação em queda do prefeito Gilberto Kassab pode prejudicar decisivamente o voto em deputados do partido. “O cenário é de declínio. Se não mudou até agora, não vai ser no auge da eleição”, disse Claudio Couto, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV).
Otimismo democrataO ex-prefeito do Rio vê chances de o DEM avançar sua fatia no eleitorado em quatro Estados onde teria chance de conquistar o governo estadual: Rio Grande do Norte, Bahia, Santa Catarina, Mato Grosso. E avalia que a perda da cúpula do governo do Distrito Federal não terá impacto nas eleições gerais.
“Em países continentais como Brasil e Estados Unidos, os ‘escândalos’ regionais ficam sempre restritos a esse âmbito. Vide a cidade de São Paulo, com vereadores presos durante a gestão de Celso Pitta, ou o Rio Grande do Sul com os escândalos do PT e a contravenção e o (mais recente) do Detran”, afirmou Maia.
As referências dizem respeito ao escândalo da máfia dos fiscais durante a gestão de Pitta em São Paulo (na eleição seguinte a petista Marta Suplicy venceu), às denúncias de omissão do governo de Olívio Dutra no combate ao jogo do bicho (o peemedebista Germano Rigotto tirou o PT do governo pouco depois) e de desvios de recursos do Detran na gestão de Yeda Crusius (a tucana conta com minguado apoio para tentar se reeleger neste ano).
Também com base nesses dados estaduais, o líder do partido na Câmara, Paulo Bornhausen, prevê aumento de 65 para 75 deputados eleitos da sigla neste ano. “Durante a campanha as coisas se equilibram. Antes o governo avança, porque tem toda a máquina a seu favor. Na campanha a oposição equilibra”, disse ele, que vê preconceito da imprensa com o partido por “colocar a situação no Distrito Federal como se ela representasse todos que estão lá”.
“Isso é o que o PT, de forma stalinista, deseja: dizer que somos todos iguais. Mas não somos, porque a saída deles dois (Arruda e Octávio) demonstra que não somos tolerantes com a corrupção como eles foram”, afirma.
Couto, da FGV, não vê razão para tanto otimismo do deputado. “O DEM é um partido em declínio e isso é ruim para o cenário político brasileiro. Falta uma direita orgânica, porque a que temos é a patrimonialista, que é predadora do Estado e vai do PMDB para a direita. O DEM poderia ocupar esse espaço. Mas não ocupa”, afirmou.
“A tentativa de modernização de anos atrás poderia ter revigorado o partido, mas Arruda acabou e Kassab está patinando. Sobra quem? Só os filhos e netos daqueles que mandavam no partido pouco tempo atrás. Também por isso não haverá uma candidatura de direita nestas eleições. O encolhimento do DEM torna a disputa no Brasil polarizada entre a esquerda moderada do PT e o PSDB, de centro e liberal.”

Espanto e esperança

A política é uma situação instável. Num momento, os seus militantes têm todas as glórias. Noutro, nada que mereça boa lembrança. Provavelmente, esta constatação não é invenção minha. Porém, desde os meses finais do ano passado, se tornou muito forte para mim e demais pessoas residentes no Distrito Federal (DF). O escândalo envolvendo personalidades políticas da cena local foi o fator motivador dessa constatação.

Corria a segunda metade do mês de novembro de 2009. Tudo parecia tão comum para a administração de José Roberto Arruda (o sujeito calvo aí da foto), governador com administração aprovada por grande parte dos moradores do DF. Do jeito que a carruagem ia, parecia que a reeleição dele e do vice Paulo Octávio, em 2010, era só uma questão de tempo. Provavelemente, uma vitória de primeiro turno, tal como ocorreu em 2006. Essa calmaria eleitoral parecia ser compartilhada por deputados distritais como Leonardo Prudente, Junior Brunelli, Eurides Brito, membros da base de apoio ao governo. O mesmo poderia ser dito de Rogério Ulysses (PSB), teoricamente, membro da bancada de oposição ao governo Arruda.


Mas eis que uma bomba explodiu e desfez a calmaria da vida eleitoral local. Não foi uma bomba igual à que dizimou milhares de pessoas em Hiroshima e Nagasaki. Foi uma bomba simbólica. Porém seus efeitos foram mais do que devastadores. Deixaram vítimas e destroços nas carreiras de personalidades políticas. Quem jogou esta bomba não foi nenhum avião norte-americano. Foi um homem, um homem-bomba (sem trocadilhos, por favor). Seu nome é Durval Barbosa (esse que aparece à esquerda na foto).


Policial de origem, este indivíduo sempre atuou nos bastidores políticos do DF. Tinha trânsito com muitas lideranças. Um exemplo é o fato de ter atuado como secretário de Relações Institucionais do DF na administração de Joaquim Roriz (que era do PMDB, atualmente no PSC), que não apoiou a candidatura da dupla Arruda/Octávio. Apesar de policial, Durval se meteu em muitas situações excusas. Foi descoberto. Passou a ter seus passos vigiados pela justiça e pela polícai federal. Muita coisa se descobriu dele. Se fosse contar teríamos panos para várias mangas. Trinta processos ou mais podem acabar com a existência livre de qualquer pessoa.


Será que esse foi o pensamento de Barbosa? Não é possível afirmar que sim. Todavia ele tomou uma atitude não comum nos meios onde a corrupção parece ser um pássaro que ninguém nunca vai alcançar. Mas desta vez o pássaro foi fisgado. A justiça do DF condenou Durval a devolver aos cofres públicos 9 milhões de reais. Temendo condenações mais contundentes, ele mudou de postura e passou a colaborar com as autoridades jurídicas. Por isso, entregou às pessoas da lei diversas horas de gravação de vídeo. Nelas ele aparecia pagando propina políticos locais. Gente citada nos parágrafos anteriores: Arruda, Octávio, Prudente, Brunelli, Brito, Ulysses e outros mais. Haja grana! Haja gente passando a mão nela.
As primeiras gravações foram divulgadas. As pessoas implicadas comentaçaram desmentir os fatos. Normal! Desculpas estaparfúdias foram dadas para justificar as gravações. Super-normal! O governador, através de sua assessoria, explicou que o dinheiro recebido de Barbosa era destinado para comprar os panetones que seriam distribuídos às populações de baixa renda. A explicação não colou porém deu um saboroso nome para o escândalo: Panetone gate! Prudente, deputado presidente da Câmara Legislativa, e líder de uma igreja protestante muito querida na classe alta, justificou que colocou dinheiro nas meias pelo fato de não usar bolsa ou pasta. Aliás, junto com Brunelli, que é filho de um pastor cuja igreja é bastante estimada nas classes menos favorecidas, fez uma oração dedindo para Deus abençoa Durval, o santo provedor de todos eles. Amém!
Com as imagens divulgadas, foi difícil para os envolvidos jogarem a história para baixo do tapete. Por debaixo dessa ponte começou a rolar muita água. A enxurrada trouxe resultados surpreendentes para a cena política nacional: Arruda está preso, Octávio renunciou ao mandato no governo. O mesmo fizeram Prudente e Brunelli. A Câmara Legislativa abriu processo de impeachment para o governador detido e, pelo andar da carrugem, deverá cassar o mandato de Brito.

Pouco? Sim! Contudo já é um começo. pela primeira vez na vida democrática nacional um governador é preso em plena vigência de mandato. Essa desmoralização da classe política local pode propiciar uma intervenção federal na cena política do DF. Há pessoas que não desejam esse acontecimento. Não penso como elas. Acredito que tudo que puder ser feito para reconstruir o sentido da ética e do respeito neste lugar deve feito. Doa a quem doer. Esse é o melhor presente que se pode oferecer para Brasília quando esta se prepara para comemorar 50 anos de fundação.

Aroldo José Marinho







25 fevereiro 2010

A água da Amazônia está sendo roubada?

Durante os nove anos em que residi em Belém, tomei contato com o trabalho do jornalista Lúcio Flávio Pinto, 44 anos. Sociólogo de formação, o cara trabalhou para importantes jornais brasileiros. Entre eles, O Estado de S. Paulo, onde por 18 anos foi correspondente na Amazônia. No meu período de pré-verstibular, eu era leitor assíduo do Jornal Pessoa, editado por Pinto.

Além de escriba talentoso, ele é uma das pessoas que mais entende de Amazônia neste país. Ler seus textos traz um ganho duplo: a gente se instrui sobre pertinente assunto e, de quebra, aprende a escrever textos bons e afasta o fantasma da redação de vestibular de nossas vidas.

Saí de Belém e não soube mais notícia dele. Hoje, meio que por acaso, soube que Lúcio é colunista do Yahoo. Lá, assina a coluna Cartas da Amazônia. É desta coluna que transcrevo texto para aprensentar Lúcio Flávio Pinto aos leitores e leitoras do blog

Boa leitura!
Harold


A água da Amazônia está sendo roubada?

Estima-se que 1,5 bilhão de seres humanos já não disponham de água suficiente para suas necessidades essenciais. Significa que, de cada 5 habitantes da Terra, um não tem água nem para beber. Esse contingente, que equivale à população do maior país do mundo, a China, vai precisar resolver esse problema vital de alguma maneira. Pela via pacífica ou através da força. A próxima guerra será pela água, anuncia um número crescente de profetas, baseados mais na correlação lógica de fatores do que numa análise minuciosa e específica das situações.

Este é o mesmo método que utilizam para apontar o sítio dessa próxima guerra: a Amazônia. Nada mais lógico: a bacia amazônica, que se espraia por nove países da América do Sul, mas tem dois terços das suas águas drenadas no território do Brasil, representa 68% da massa de água doce superficial do nosso país e de 8% a 25% (conforme as diferentes avaliações) do total do planeta. Sua principal riqueza ou está escondida no subsolo, em depósitos de minérios, ou na sua floresta tropical, um terço do que ainda subsiste sobre a superfície terrestre. E a mais rica em biodiversidade. Um tesouro difícil de ser protegido, sujeito a todas as formas de roubo.

A mais nova seria a do bem mais abundante e de fácil apropriação. Seguidas denúncias, apregoadas pelas vozes mais distintas, têm assegurado que já seria “assustador” o tráfico de água doce da Amazônia para o exterior. O alerta mais recente foi feito no final do ano passado pela revista jurídica Consulex. Ela garantia que algumas empresas já praticam com desenvoltura essa forma de roubo, que já tem denominações como hidropirataria e bioinvasão.

A atividade ilegal estaria sendo praticada por navios com capacidade de armazenar 250 milhões de litros (ou 250 mil metros cúbicos) de água, que uma empresa da Noruega forneceria para clientes na Grécia, Oriente Médio, Ilha da Madeira e Caribe. Por sair pela metade do custo da dessalinização, o roubo de água teria se tornado atraente no comércio com países carentes de água doce superficial.

A matéria da revista é rica em detalhes e conjecturas, mas não o bastante para convencer sobre o que relata, ecoando denúncias já numerosas. Claro que o acervo de água da Amazônia é questão transcendental. Exige atenção, seriedade, prioridade e investimentos. Todos esses elementos são de enorme deficiência atualmente. O Brasil tem mais de 120 comitês de bacia. Só um deles fica na Amazônia e tem ação urbana, na cidade de Manaus. É um despropósito paradoxal com o significado mundial da bacia amazônica.

Os escassos investimentos em manejo de água na região não permitem um conhecimento adequado sobre os seus recursos hídricos. O interesse mundial cresce numa velocidade muito superior à da atenção nacional. Mesmo as denúncias mais detalhadas, como a da Consulex, porém, ainda se revelam meramente especulativas, quando não totalmente fantasiosas. Devem servir de alerta para o problema, se – e quando – ele surgir.

Até agora, não há nenhum caso comprovado de roubo de água amazônica em território nacional, incluindo o mar de 200 milhas. Os grandes navios (1.200 por ano) entram na região em busca de outros recursos naturais, principalmente minérios e madeira, atracando em cinco portos de grande movimentação. Não têm espaço característico – nem tonelagem necessária – para acumular água – e em escala comercial.

A única área que poderia proporcionar essa pirataria é a foz do Amazonas, onde está a maior ilha fluvial do mundo, a de Marajó, com 50 mil quilômetros quadrados. Nela, o grande rio chega a despejar mais de 200 milhões de litros de água por segundo, no auge da cheia. Não há qualquer caso concreto de um superpetroleiro que tenha estacionado nesse local para se abastecer de um volume como os 250 milhões de litros citados. Pode parecer muito, mas esse volume de água equivale a menos de meio segundo de descarga na vazão máxima natural que o rio Tocantins já alcançou no local onde foi construída a barragem da hidrelétrica de Tucuruí, a quarta maior do mundo, em 1980.

Não parece um grande negócio, capaz de justificar o investimento e o risco, ainda que o patrulhamento da costa amazônica seja deficiente (o que induziu no projeto de criação da nova esquadra da Marinha, prevista para ter sua sede em São Luís do Maranhão e não em Belém, como pareceria mais lógico). A Capitania dos Portos do Pará assegura que fiscaliza todos os navios que entram e saem da região e que, por amostragem, acompanha a qualidade da água que carregam em seus porões como lastro. As normas internacionais autorizam essa operação, que constitui prática comum e nada tem a ver com objetivo comercial ou mesmo roubo com objetivo científico.

A água que o Amazonas despeja no Oceano Atlântico é rica em material particulado em suspensão. Mas qualquer pequena coleta pode ser suficiente para um estudo completo sobre o que contém – e isso é feito por meios legais, normais e saudáveis (embora não na escala recomendável). Quanto ao uso para outros fins, pelo menos para a costa dos Estados Unidos, o Amazonas já dá sua contribuição em larga escala – e gratuita. Avançando até 100 quilômetros no oceano, suas águas derivam para o norte pela força da corrente marítima, indo parar no litoral da Flórida.

Se não é para nos roubar água potável (com volumosa quantidade de sólidos em suspensão), então essa pirataria seria para recolher água rica em nutrientes para algum objetivo ainda não identificado (e, talvez, jamais identificável, por irreal). O campo ainda está aberto à imaginação e à especulação. Para delimitá-lo, a melhor atitude para o bem do país é, sem deixar de se manter atento, investir no conhecimento dos nacionais sobre sua própria riqueza.

O Brasil deve acompanhar com atenção e sempre com atualização o que pensam (e o que fazem) os estrangeiros sobre a – e na – Amazônia. Dispondo de mais recursos e com objetivos mais bem definidos, eles podem servir de espelho para refletir melhor o que os brasileiros e, em particular, os amazônidas, nem sempre conseguem ver, por falta de meios humanos, técnicos e científicos equivalentes.

O mais importante, porém, é saber e acompanhar o que os próprios nacionais pensam ou fazem, em numerosos casos dilapidando os recursos naturais ou os utilizando de forma irracional. Campeão em estoque de água doce do mundo, o Brasil é medíocre no seu manejo. Em Belém, que, por sua localização, serve de porta de entrada da Amazônia, um dos problemas que sua população – de quase 1,5 milhão de habitantes – enfrenta é a falta de água boa para beber, apesar da vasta massa que forma o estuário onde ela se situa. Este é o triste paradoxo atual, cuja visualização e compreensão as sempre vivas teorias conspirativas dificultam.


Fantástico e Nirvana 2

Segue segunda parte da matéria que Álvaro Pereira Júnior fez sobre o Nirvana para o programa Fantástico.
Cordialmente!
Harold


Fantástico e Nirvana

Segue primeira parte da matéria que Álvaro Pereira Júnior fez para o Fantástico sobre a passagem do grupo Nirvana no Brasil.
Tudo de bom!
Harold


Letra e tradução

Segue postagem da canção com letra e tradução.
Harold

Pennyroyal Tea
Kurt Cobain

I'm on my time with everyone
I have very bad posture

Sit and drink Pennyroyal Tea
Distill the life that's inside of me
Sit and drink Pennyroyal Tea
I'm anemic royalty

Give me a Leonard Cohen afterworld
So I can sigh eternally
I'm so tired I can't sleep
I'm a liar and a thief
Sit and drink Pennyroyal Tea
I'm anemic royalty

I'm on warm milk and laxatives
Cherry-flavored antacids

Sit and drink Pennyroyal Tea
Distill the life that's inside of me
I'm anemic royalty (x2)


Chá que custa um centavo

Kurt Cobain

Eu passo tempo com todo mundo,

Minha postura é muito ruim.


Eu sento e bebo um chá que custa um centavo,

Destilo a vida dentro dele.

Eu sento e bebo um chá que custa um centavo,

Eu sou uma realeza anêmica.


Me dê um Leonard Cohen pós-vida

Para que eu possa supirar eternamente.

Estou tão cansado que não consigo dormir.

Eu sou um mentiroso e um ladrão.

Eu sento e bebo um chá que custa um centavo,

Eu sou uma realeza anêmica.


Eu vivo na base do leite quente e laxantes,

Antiácidos e saborosas cerejas.


Eu sento e bebo um chá que custa um centavo,

Destilo a vida dentro dele.

Eu sou uma realeza anêmica.



Recordando Nirvana após 15 anos de saudade

Alguém me lembra que no dia 20 de fevereiro de 1967 nasceu Kurt Cobain. Para quem não está ligando o fato, Cobain foi um dos fundadores de Nirvana, uma das bandas norte-americana mais influentes da história dos anos 90, que encerrou suas atividades em 1994, após o suicídio do vocalista e guitarrista. Ele foi aclamado como um compositor que conseguia transfomar em texto as angústias e inconformismos da geração juvenil daquele período.


Confesso que não acompanhei com intensidade o trabalho de Nirvana. Mas não nego que algumas de suas canções sempre me fotos chamaram atenção. Cito três: Lithium, Jesus doesn't want me for a sunbeam e Pennyroyal tea. Há pessoas que dizem que essas canções são tristes, desesperançadas. Algumas são mesmo. Todavia seus conteúdos não perderam sentido nem beleza artística.

Para esta postagem escolhi Pennyroyal tea, que eu passei a gostar quando ganhei de presente o album MTV unplugged in New York, de 1994. Gosto muito deste disco.

Harold





23 fevereiro 2010

A inveja que não mata

Não sou um homem invejoso. Juro! Isso não combina com o meu caráter. Todavia, hoje vou ter que confessar uma inveja que me persegue há bastante tempo. Sim! Assumo para vocês que eu gostaria de ter composto a canção Um violeiro toca. Este é o motivo de eu sentir inveja dos compositores Almir Sater e Renato Teixeira. Os caras esceveram uma das mais belas canções brasileiras. Para mostrar que a canção é tudo isso e mais algumas coisas, segue postagem.

Tudo de bom sempre!
Harold


Entrevista de Charles Gavin

Reproduzo entrevista postada no blog de Antonio Carlos Miguel, colunista de O Globo, em 22/02/10. Juro que não sabia desta notícia, que é sobre o desligamento de Charles Gavin, baterista dos Titãs, da estrutura da banda.
Harold


Dez dias após o anúncio de sua saída dos Titãs, “por motivos pessoais”, o baterista Charles Gavin (na foto, de Marizilda Cruppe) explicou, numa longa conversa por telefone, suas razões. Basicamente, o cansaço com a vida na estrada, a vontade de ficar mais tempo no Rio ao lado da mulher e das duas filhas pequenas, Dora (nascida em 2002) e Sofia (nascida em 2005).

Como Gavin conta, nos últimos anos, com a crise da indústria do disco, cada vez mais é o mercado de shows que garante o ganha-pão dos músicos. Então, a vida virou uma rotina de hotel, aeroporto/rodoviária, avião/ônibus/van...

— Entre 2008 e 2009, em meio à turnê do “Ao vivo MTV” e a préprodução e a gravação, em São Paulo, do disco “Sacos plásticos”, eu vinha ao Rio apenas para trocar de mala. Falei com a minha analista que estava com pânico ou depressão, mas ela me disse que o que eu tinha era estresse mesmo. Foi quando percebi que era a hora de parar — relembra Gavin.

A separação, amigável, foi acertada no fim do ano passado. A última apresentação com o grupo, num show fechado, para uma empresa, aconteceu no dia 9 de fevereiro, em São Paulo, no teatro Via Funchal. Os quatro Titãs remanescentes, Toni Bello, Paulo Miklos, Branco Mello e Sérgio Britto, já retomaram os palcos, com um substituto, Mario Fabre, indicado pelo irmão de Charles, o que confirma a boa relação entre eles, após 25 anos de convivência e muito trabalho

— Entrei nos Titãs em 1 de janeiro de 1985!

A seguir, a transcrição com os principais trechos da entrevista-desabafo de Gavin, que, já trabalha na quarta temporada do programa “O som do vinil” (que apresenta no Canal Brasil); está finalizando o documentário que dirigiu para o Canal Brasil sobre a gravadora Elenco; lançará em março o DVD de Tom Zé; e, até maio, botará nas lojas, pela Sony Music, mais um lote de dez relançamentos de discos raros da música brasileira.

“Foi uma decisão muito difícil, a mais difícil da minha vida. Eu me senti como amputando um braço, após 25 anos de convívio nos Titãs. Mas, essa é uma decisão que eu vinha amadurecendo desde 2002, quando nasceu a minha primeira filha. Na época, senti um baque grande. Uma banda de rock passa muito tempo na estrada, principalmente as bandas brasileiras, que fazem da estrada seu ganha-pão. Decidi ter filhos mais tarde para poder me dedicar mais a eles, mas somos uma das bandas que mais trabalha no showbiz, fazemos quase 300 shows por ano. Eu pensava que, depois de sair do estágio bebezinho, poderia botar as crianças na estrada, como os filhos dos outros Titãs viveram, mas o mercado mudou demais. Atualmente, fazemos um show em Salvador e, no dia seguinte, temos que estar no interior do Paraná, em seguida, seguir para o interior de Goiás...

Guardo ótimas lembranças desses 25 anos, conheci o Brasil como poucos, tocamos em todos estados da união e isso realmente não tem preço. Por outro lado, nos últimos anos, senti vontade de ter um tempo meu, perdi vários shows perdi no Rio, como o do Police, que adoraria ter visto, por estar tocando em outros lugares.

No primeiro semestre de 2009, achei que iria enlouquecer, passava em casa apenas para trocar de mala. Olhava pro teto do quarto de hotel e me perguntava: ‘O que estou fazendo aqui?’. Então, disse que precisaria de uma licença de um, dois anos. Mas, infelizmente, não dá para ficar dois anos de licença. São muitas decisões importantes que devem ser tomadas, artísticas e de produção, pelo grupo. Mas quis sair pela porta da frente e, se amanhã me der vontade, poder ir a um show, subir ao palco, tocar numa faixa de algum disco dos Titãs.

Após acertarmos a minha saída, guardamos isso entre nós, e conseguimos um desfecho da melhor maneira possível. Saí dos Titãs, mas não vou parar de tocar bateria. E, com as pessoas sabendo disso, os convites vão aparecer. Quanto aos trabalhos paralelos, vão continuar.”

22 fevereiro 2010

Father and son- A tradução

Seguem a letra da canção de Cat Stevens e sua respectiva tradução. Enquanto traduzia, percebi o quanto é belo o conteúdo da letra. Quando tiver meus filhos, com certeza, vou oferecê-la para eles.
De quebra, inseri uma apresentação do artista, em 2008, já como Yusuf Islam. Num concerto apra a comunidade islâmica, ele interpreta a canção aqui evidenciada.
Bom programa!

Harold
Father and son
Cat Stevens
It's not time to make a change
Just relax, take it easy
You're still young, that's your fault
There's so much you have to know
Find a girl, settle down
If you want, you can marry
Look at me, I am old
But I'm happy
I was once like you are now
And I know that it's not easy
To be calm when you've found
Something going on
But take your time, think a lot
I think of everything you've got
For you will still be here tomorrow
But your dreams may not
How can I try to explain
When I do he turns away again
And it's always been the same
Same old story
From the moment I could talk
I was ordered to listen
Now there's a way and I know
That I have to go away
I know I have to go
It's not time to make a change
Just sit down and take it slowly
You're still young that's your fault
There's so much you have to go through
Find a girl, settle down
If you want, you can marry
Look at me, I am old
But I'm happy
All the times that I've cried
Keeping all the things I knew inside
And it's hard, but it's harder
To ignore it
If they were right I'd agree
But it's them they know, not me
Now there's a way and I know
That i have to go away
I know I have to go.
Tradução
Pai e filho
Este não é o tempo para realizar mudança.
Por isso, relaxe, fique calmo.
Você, ainda é jovem, esse é que é o seu problema.
Existe muita coisa para você conhecer.
Arrume uma garota, construa uma casa .
Se quiser, pode casar.
Olhe para mim que estou velho,
Porém eu sou feliz.
Eu já fui como você é hoje.
E eu sei que não é fácil
Ficar calmo quando você percebe
Que alguma coisa está acontecendo.
Mas dê um tempo, pense bastante.
Eu acredito que tudo que você tem nos dias de hoje
Ainda, estará aqui amanhã.
Porém os seus sonhos podem não está mais aqui.
Como posso tentar lhe explicar?
Quando eu tento, ele se distancia novamente.
É sempre assim,
A mesma história.
Quando eu poderia falar,
Me mandaram ouvir.
Agora eu sei que existe um caminho.
Eu sei que tenho que partir.
Este não é o tempo para realizar mudança.
Apenas sente-se, faça isso devagarzinho.
Você, ainda é jovem, esse é que é o seu problema.
Existe muita coisa para você encarar profundamente.
Arrume uma garota, construa uma casa .
Se quiser, pode casar.
Olhe para mim que estou velho,
Porém eu sou feliz.
As vezes em que eu chorei,
Conservei dentro de mim todas as coisas que eu conhecia.
E isso é difícil, mas é muito difícil,
De ignorar.
Se eles estivessem certos, eu concordaria.
Mas isso é com eles, não comigo.
Agora eu sei que existe um caminho.
Eu sei que tenho que partir.
Eu tenho que partir.
http://www.youtube.com/v/4cpX1ZjuaiA&hl=pt_BR&fs=1&">

Father and son

Hoje posto a canção Father and son, de Cat Stevens. Esse compositor e cantor inglês foi muito famoso nos anos 70. Entre vocês há pessoas que conhecem, um pouco, algo da biografia de Stevens. Nascido em 1948, seu nome de batismo é Steven Demetre Georgiou. Filho de pai grego e mãe sueca, criado no contexto da miscelânea de fé cristã: seu pai era membro da igreja ortodoxa, a mãe professava o luteranismo. Para completar, o filho foi enviado para uma escola católica. Essa mistura, de certo modo, o levou a procurar algo que fosse, aos seus olhos, inovador.

Começou a carreira artística na década de 60. Porém foi na década seguinte que seu trabalho alcançou reconhecimento de público e crítica em muitos países. Desse período, destaco dois trabalhos: o disco Mona Jakon Bone, de 1970, e a trilha sonora do filme Harold & Maude- Ensina-me a viver, de Hal Ashby, que Stevens gravou em 1971.

Encerrou a carreira artística em 1977. O motivo dessa atitude foi sua conversão ao islamismo. Além de da música, ele se despediu do nome conhecido, adotou o nome muçulmano de Yusuf Islam e passou a se dedicar às comunidades islâmicas da Inglaterra.

Segue uma lembrança da época em que sua música eternecia muitos corações.
Harold

Cat Stevens- Father and son



20 fevereiro 2010

É ou não é?

Não tenho muito conhecimento na área de cinema. Minha praia é a música. Mesmo assim, me atrevo a dizer que nunca apareceu na tela mulher mais bonita do que Brigitte Bardot. Esta é a minha opinião. Mas não creio que possa haver discordância. Se alguém duvidar, ofereço esta postagem. É uma cena do filme E Deus criou a mulher (Et Dieu... créa la femme), de Roger Vadim. O filme foi feito em 1956. Bardot, aos 21 anos, era uma deusa em ascensão.

Prá que tanto comentário? A cena diz tudo e ponto final.
Aroldo José Marinho

Brigitte Bardot no filme E Deus criou a mulher

Download:
FLVMP43GP

18 fevereiro 2010

Jeans

O texto aqui postado foi escrito por Carlos Augusto Cacá e publicado no livro Fadas Guerreiras, da LGE Editora, em 2003. O autor é egresso de uma realidade social pouco favorecida. Trabalhou como jornaleiro, garçom, faxineiro, alfaiate e bancário. Foi um dos fundadores do centro acadêmico do curso de Ciências Sociais na UnB. Também atuou em diversos grupos de teatro amador do DF.
Ligado aos movimentos sociais, sempre teve atuação próxima do MST e militância no sindicato bancário.
Agora chegou a vez dos leitores e leitoras do blog conhecerem, um pouco do trabalho de Cacá. O texto é ilustrado pela bela figura de Juliana Santos.
Harold


Jeans
Carlos Augusto cacá
Lembra propaganda antiga
Falando de liberdade.
Lembra cintura, barriga,
Umbigo, pêlos, vontade.

O jeans veste as bonitas,
As alegres e as tristonhas.
Veste até as esquisitas
E as que gostam de maconha.

Indigo-blues popular,
Símbolo de juventude,
Que faz lual sem luar.
Não abre mão da atitude.

Saia, pra pernas bonitas.
Pantalona, pra elegância,
Santropê mostra a barriga.
De cós alto, a abundância.

O jeans pode mostrar tudo,
Pra quem tem corpo bem-feito.
E, se eu fiquei mudo,
Foi por te ver desse jeito.

Seu jeans é especial.
Parece um jeans normal,
Mas, no fundo, me comove.
Não é por ser desbotado
É que eu fico emocionado
Com tudo que ele envolve.

14 fevereiro 2010

Valeu Pena!!!

Aqui está a minha homenagem ao grande Pena Branca. Aqui ele canta um clássico do cancioneiro rural deste país.
Obrigado por tudo Pena! Valeu!!!
Harold

Pena Branca- Cuitelinho

Download:
FLVMP43GP

Pena Branca

No dia 8 do corrente, a canção popular deste país ficou órfão do talento de Pena Branca. Seu nome de batismo era José Ramiro Sobrinho. O músico, que nasceu em Igarapava, interior paulista, em 1939, partiu para o plano celeste, vítima de infarto.

Ficou conhecido por causa da dupla Pena Branca e Xavantinho, que formou com seu irmão Ranulfo Ramiro da Silva. Com a morte do irmão em 1999, partiu para a carreira solo.

Sobre sua morte, reproduzo texto que foi escrito na edição do dia 10/02 no jornal Correio Braziliense.
Harold

O lamento dos violeiros
Sérgio Maggio

Os violeiros Zé Mulato & Cassiano amanheceram tristes. O dia de ontem foi de nostalgia para a dupla que admirava profundamente Pena Branca, que morreu no fim da tarde de segunda-feira ao passar mal em sua residência, no Jaçanã, Zona Norte de São Paulo. Ele assistia a programa de esportes quando sofreu um ataque cardíaco. O pensamento dos dois estava com o parceiro de vida e de estrada.

— A gente perde um reforço muito forte, um espelho. Pena Branca conseguiu guardar a simplicidade magistral e a autenticidade, lamenta Zé Mulato.

— É um companheiro de luta, um amigo de coração. É mais um pedacinho do nosso mundo caindo, completa Cassiano.

Além da amizade, os dois são profundamente gratos a Pena Branca & Xavantinho (morto em outubro de 1999). Os irmãos vieram a Brasília para show no Clube do Violeiro Caipira, em 1994, e encontraram Zé Mulato & Cassiano sem gravar. Apresentaram os violeiros à gravadora Velas e eles acabaram ganhando o extinto e prestigiado Prêmio Sharp de Música de 1998 com o disco Meu céu, no qual as duplas se encontraram até para compor.

— Na época, eles estavam no auge e exigiram que a gravadora assinasse o contrato com a gente. Foi a nossa grande chance, depois de quase 13 anos sem conseguir fazer um disco. Era uma amizade, um apoio moral. Por todo lado, eles avisavam que eram fãs da nossa dupla, lembra Zé Mulato.

— A gente visitava muito a casa de Pena Branca, encontrava em shows, nos programas de televisão, na estrada. Ele gostava de convidar a gente para comer uma rabada, uma costelada. Dizia: Esse trem ainda mata nós, conta Cassiano.

Em Brasília, o Clube do Violeiro Caipira planeja um tributo a Pena Branca. O presidente, Volmi Batista, era amigo e fã da dupla. Ele sabe e toca todo o repertório, além de ser amigo da família. Quando Xavantinho ficou doente, até se ofereceu para substitui-lo ao lado de Pena Branca.

— Foi em tom de brincadeira porque Pena Branca já estava acompanhado do Viola de Nós (Uberlândia). Nós trouxemos a dupla em 1994 e 1999 (dois meses antes da morte de Xavantinho). Depois, Pena Branca voltou em 2002 para a Folia de Reis do DF, conta Volmi Batista, que comanda o programa Viola e violeiros, das 6h às 7h na Rádio Cultura, no qual pretende homenageá-lo nos próximos dias.

Pena Branca & Xavantinho eram irmãos e cantavam juntos desde 1962, tornando-se uma das principais duplas caipiras do país. Eram a referência para violeiros de norte a sul. Ganharam visibilidade nos anos 1980, quando participaram do Festival MPB Shell, da TV Globo, com a música Que terreiro é esse?, de Xavantinho, que foi classificada para a final. No mesmo ano, lançaram o primeiro LP: Velha morada (Warner), com destaque para Cio da terra (Milton Nascimento e Chico Buarque) e a faixa-título (de Xavantinho). Depois, trilharam uma estrada de prestígio com prêmios como o Sharp de Música e o APCA. A dupla encerrou as atividades em 1999 e Pena Branca seguiu solo com o respeito de sempre.


A nossa folia é outra

O país inteiro caiu na folia. Normal! Estamos no período de carnaval. Nnehum fato novo. Porém para nós que vivemos no Distrito Federal (DF) esta farra tem um sabor de novidade, que é motivcado pela prisão do governador José Roberto Arruda. Esse momento é histórico: jamais um governador brasileiro foi preso no exercício de seus mandato. E olha que Arruda fez por merecer. As denúncias de corrupção estão aí gravadas e divulgadas no You Tube.

Já que estamos na folia. Vamos nos divertir com uma canção de Chico Buarque. Gravada para a trilha sonora do filme homônimo, de 1972, dirigido por Carlos Diegues, com a participação no clipe do ator HUgo Carvana, a canção, neste momento, soa como uma homenagem às pessoas do DF que acreditam na ética, na honra e, sobretudo, na ação isenta e veloz da justiça.

Viva a nossa folia!
Harold

Chico Buarque- Quando o carnaval chegar



A notícia da semana

A grande notícia do dia 11 no Distrito Federal (DF) foi a prisão do governador José Roberto Arruda. Esse aí, que aparece na foto com cara de bom moço, Ele e mais algumas pessoas do meio político foram flagradas em gravações de imagens no exato momento em que, supostamente, recebiam propina de um assessor governamental. A justiça determinou seu encarceramento imediato.
Segue abaixo postagem feita no blog do jornalista Ricardo Noblat (http://oglobo.globo.com/pais/noblat/posts/2010/02/11/decretada-prisao-de-arruda-265560.asp). Vale a pena fazer a leitura.
Abraços!
Aroldo José Marinho




Decretada prisão de Arruda

STJ manda Polícia Federal prender governador e mais cinco pessoas

De Andrei Meirelles, da ÉPOCA:

O Superior Tribunal de Justiça decretou a prisão preventiva do governador de Brasília, José Roberto Arruda, e de mais cinco pessoas pela tentativa de suborno do jornalista Edmilson Edson dos Santos, o Sombra, testemunha do escândalo do panetone.

O ministro Fernando Gonçalves, relator do inquérito da Operação Caixa de Pandora, acatou pedido da subprocuradora Geral da República Raquel Dodge para a prisão do governador, do ex-deputado Geraldo Naves, do ex-secretário de Comunicação do DF Wellington Morais, do diretor de Operações da Centrais Elétricas de Brasília, Haroaldo Brasil de Carvalho, e de Rodrigo Arantes, sobrinho e secretário particular de Arruda.

Antonio Bento, preso em flagrante pela Polícia Federal ao entregar uma sacola com R$ 200 mil a Edson Sombra, já está detido no presídio da Papuda. A Corte Especial do STJ acaba de ser convocada pelo presidente do Tribunal, ministro César Asfor, para referendar a decisão de Fernando Gonçalves.

Na quinta-feira (4), a Polícia Federal prendeu o funcionário aposentado Antonio Bento da Silva em uma confeitaria de Brasília. Ele foi flagrado entregando R$ 200 mil em espécie em uma sacola ao jornalista Edmilson Edson dos Santos, o Sombra.

Esse dinheiro seria a primeira parcela de um total de R$ 1 milhão para que Sombra assinasse um documento desqualificando a denúncia do ex-delegado Durval Barbosa no escândalo do panetone. Em depoimento prestado à PF, a que ÉPOCA teve acesso, Bento diz ter intermediado a tentativa de suborno convencido de que a ordem teria partido do próprio governador Arruda.

A situação de Arruda começou a se complicar com a prisão, em 4 de janeiro, do funcionário aposentado Antonio Bento da Silva em uma confeitaria de Brasília. Ele foi flagrado entregando R$ 200 mil em espécie em uma sacola ao jornalista Edmilson Edson dos Santos, o Sombra.

Esse dinheiro seria a primeira parcela de um total de R$ 1 milhão para que Sombra assinasse um documento desqualificando a denúncia do ex-delegado Durval Barbosa no escândalo do panetone.

Em depoimento prestado à Polícia Federal, a que ÉPOCA teve acesso, Bento diz ter intermediado a tentativa de suborno convencido de que a ordem teria partido do próprio governador Arruda.Antonio Bento diz que há três semanas foi procurado por Rodrigo Arantes – sobrinho e secretário particular do governador.

Segundo Bento, em nome de Arruda, Rodrigo lhe pediu para fazer a proposta de suborno ao jornalista Edson Sombra, principal parceiro de Durval Barbosa nas denúncias sobre o esquema de propina em Brasília.

Bento disse que, durante essa negociação, esteve seis vezes com Rodrigo, além de também falar com o sobrinho de Arruda por telefone. Na véspera de sua prisão, ele fechou o acordo com Sombra, depois foi se encontrar com Rodrigo Arantes na Granja de Águas Claras, residência oficial do governador, para acertar detalhes sobre o pagamento do suborno.

No depoimento, Antonio Bento afirmou que “Rodrigo agiu em nome do governador Arruda”. Auxiliares do governador dizem que Rodrigo é como um filho para Arruda e, se de fato ele, participou da tentativa de suborno, estaria cumprindo ordens. “É zero a possibilidade do Rodrigo tomar qualquer iniciativa sem o aval do Arruda”, afirma um assessor do governador.

No depoimento, Antonio Bento disse que, na quarta-feira (3), recebeu o dinheiro das mãos de um portador enviado por Rodrigo, por volta das 22h30, nas imediações da churrascaria Porcão. No dia seguinte, ele foi preso ao repassar os R$ 200 mil para Sombra.

13 fevereiro 2010

É a minha condição

Sei de gente que não gosta de Lulu Santos. Admito que não sou um admirador de sua obra nem acompanho de perto sua carreira. Todavia eu gosto desta canção. Ele foi bastante feliz quando a compôs. Eu acredito no discurso que está dito nela .
Tudo de bom!
Harold

Lulu Santos- Condição

12 fevereiro 2010

Trailer oficial do filme A fita branca


A fita Branca

Comentário de filme 3

O comentário seguinte também é sobre A fita branca, de Michael Haneke. Desta feita, quem opina é a jornalista Isabela Boscov, da revista Veja. Vamos assistir?
Harold

Comentário de Isabela Boscov

Comentário de filme 2

Posto o comentário de Neusa Barbosa, articulista do CineWeb, do Jornal Estado de São Paulo. Ela escreveu sobre o filme A fita branca, de Michael Haneke, que estréia hoje nos cinemas brasileiros. Creio que é útil fazer esta leitura.
Harold

Indicado ao Oscar, A fita branca revê raízes dos nazismo

Produção ganhou a Palma de Ouro em Cannes, é favorita ao Oscar de filme estrangeiro e disputa fotografia

SÃO PAULO - Com o drama "A Fita Branca", o diretor Michael Haneke ("Caché", "Violência Gratuita") conquistou a Palma de Ouro em Cannes 2009 e duas indicações para o Oscar 2010 - filme estrangeiro e fotografia, aliás, um excelente trabalho em preto-e-branco do renomado Christian Berger.

Parceiro habitual do cineasta, Berger visitou São Paulo no final do ano passado, ministrando um workshop durante a Mostra Internacional de Cinema. O filme entra em circuito nacional.

A história, de autoria do próprio Haneke, ambienta-se numa pequena aldeia alemã, no princípio do século 20, pouco antes do estouro da 1.ª Guerra Mundial. A placidez do lugar na verdade, não passa de aparência. Este pequeno mundo isolado, que parece viver segundo uma série de regras morais e religiosas, está corrompido no seus sentimentos e valores mais profundos.

Os primeiros sinais são claros. O médico local (Rainer Bock) sofre uma grave queda do cavalo depois que alguém esticou um fino fio metálico entre duas árvores, no seu caminho para casa. Gravemente ferido, ele corre risco de morte, ficando seus filhos aos cuidados da parteira local (Susanne Lothar).

O incidente, que parece isolado, multiplica-se em outros - como a morte aparentemente acidental de uma lavradora a serviço do barão (Ulrich Tukur, de "Amém"), o mais poderoso proprietário rural da região, de quem praticamente todos os camponeses dependem para trabalhar.

O filho da lavradora reage, acreditando que o barão é culpado pela morte da mãe, destruindo sua larga plantação de repolhos. Logo mais, mesmo crianças, como Sigi (Fion Mutert), filho do barão, e Karli (Eddie Grahl), o filho da parteira, que sofre de síndrome de Down, são vítimas de violências.

Um conjunto de episódios que choca a comunidade, muito rígida e estruturada na moral protestante, sob a liderança de um pastor (Burghart Klausner, de "O Leitor").

O único a destoar do padrão de comportamento local é o jovem professor primário (Christian Friedel), que veio de uma aldeia perto dali. Espécie de voz sutil da razão, ele é também o único a estranhar a liderança exercida por Klara (Maria-Victoria Dragus), filha mais velha do pastor, sobre as demais crianças do lugar.

Não é difícil perceber o quanto essas crianças são oprimidas por uma educação severa e cruel, que as submete a dolorosos castigos físicos, obrigando-as a um respeito absoluto pela hierarquia, que não lhes permite qualquer opinião ou comentário sobre coisa alguma. O machismo dominante exerce um peso ainda maior sobre meninas e mulheres.

Nessa pequena comunidade, chama a atenção também a aparente distância de uma Justiça organizada. O poder político é exercido pelo mesmo barão que domina a região economicamente e mantém em suas terras as mesmas relações medievais de trabalho existentes há séculos. Mesmo a polícia fica de fora, a não ser quando os eventos criminosos tornam-se frequentes demais para continuarem a ser abafados.

Não é difícil enxergar aqui uma fábula sobre as raízes do nazismo, que em poucas décadas tomaria conta da Alemanha, seguindo os mesmos monstruosos princípios da justiça com as próprias mãos contra os alvos tidos como "culpados" por algum tipo de ruptura da ordem social tida como ideal - bem como a busca da eliminação dos mais fracos e dos deficientes.

De qualquer modo, "A Fita Branca" pode ser visto como uma crítica profunda a vários tipos de autoritarismo. Por isso, é o tipo de filme para o qual espectadores atentos poderão encontrar diversas interpretações.

Comentário de filme

Boa tarde!
No ano passado, durante o Festival Internacional de Cinema de Brasilia (FIC), assistir, em primeira mão o Filme A fita branca (Dias weisse band), do diretor Michael Haneke, que, no ano passado, foi ganhador da Palma de Ouro do Festival de Cinema de Cannes.
Vi o filme. Achei genial! Por isso, recomendo para todos assistirem. Vou assistir novamente. Agora posto o comentário feito pelo crítico de cinema do jornal Correio Braziliense, na edição de hoje.
Harold


A fita branca ****
As raízes do mal
Pedro Brandt

Muito se falou sobre A fita branca, novo filme do diretor austríaco Michael Haneke (o mesmo de A professora de piano e Caché), ser sobre as raízes do nazismo. Essa interpretação é possível, mas o longa-metragem (ganhador da Palma de Ouro em Cannes em 2009) fala essencialmente sobre o surgimento do mal no ser humano.

Às vésperas da Primeira Guerra Mundial, os moradores de uma cidadezinha alemã se deparam com incidentes estranhos e sem explicação. Primeiro, o médico do vilarejo sofre um acidente ao cair do cavalo — que tropeça em uma linha amarrada entre as árvores perto de sua casa. Em momentos distintos, duas crianças são sequestradas e torturadas. Um celeiro é incendiado. Isso gera na população um sentimento de insegurança e desconfiança.

O mistério que permeia a trama é tão importante para A fita branca quanto o cenário psicológico apresentado por Haneke: relações patriarcais marcadas pela rigidez, punição moral (vem daí o título do filme) e violência.

O diretor conduz o longa com elegância e primor técnico, o que se percebe na belíssima fotografia em preto e branco, na direção de arte, no figurino e na direção do elenco — que imprime em cena atuações bastante realistas. Ainda que os argumentos de Haneke possam ser contestados, ao final do filme, além do mal-estar causado pela forte temática abordada, fica o convite à reflexão. A fita branca concorre ao Oscar de melhor filme estrangeiro.