Pesquisar este blog

25 novembro 2006

Festival: abertura e primeiro dia

O Festival de Brasília do Cinema Brasileiro chega à sua edição de número 39. Como das outras edições, vemos um pouco de tudo: da ação de cineastas inovadores à procura desenfreada de algumas fãs pelos artistas contratados da Rede Globo. Tietagens à parte, muita coisa legal merece registro nestes dias cinematográficos em Brasília.
Como de praxe, a abertura do evento foi no Teatro Nacional. Lá estavam as pessoas bem vestidas (ou quase). A orquestra regida pelo maestro amapaense Joaquim França tocou dois temas belos e se retirou. Em seguida, foi anunciada a exibição "hors concours" do filme "Romance do Vaqueiro Voador", de Manfredo Caldas, inspirado no poema homônimo de de João Bosco Bezerra Bonfim, tematizando o universo mitico do nordestino que, transformado em candango, veio participar da construção da capital federal. Há também a participação de Luis Carlos Vasconcelos lendo trechos do poema de Bonfim. O filme foi bem recebido pela platéia. Particularmente, creio que se fosse exibido na mostra competitiva, o "Romance..." não assustaria os demais concorrentes. Seu conteúdo lírico enternece aos espectadores. Só!
No dia seguinte, a coisa já foi para valer no cine Brasília. Lá estavam público, imprensa, artistas, equipes e organziação esperando o início da mostra competitiva. Os concorrentes de curta metragem, cada um com duração de 15 minutos, eram: "Noite de sexta, manhã de sábado" e "Hibakusha: Herdeiros atômicos no Brasil". O primeiro, dirigido pelo pernambucano Kleber Mendonça Filho, conta a história de um homem que conversa no celular com sua amada na noite de sexta-feira mas volta sozinho para sua casa na manhã seguinte.
O segundo, do diretor paulista Maurício Kinoshita, focaliza as histórias de pessoas que sobreviveram aos horrores de Hiroshima e Nagasaki. A platéia recebeu com gentileza as duas produções. Considerando a boa fase do cinema pernambucano, o filme de Mendonça Filho se coloca como um favorito para levar o troféu Candango na categoria de melhor curta. Porém a forte temática social do filme de Kinoshita não o exclui da disputa.
O único concorrente da noite na categoria longa metragem foi: "Jardim Ângela". O filme dirigido pelo paulista Evaldo Mocarzel tematiza uma região de São Paulo dividida pelos problemas refrentes ao tráfico de drogas. De um lado, estão as pessoas que aceitam a convivência com os traficantes e que, às vezes, também oferecem sua colaboração e/ou passividade para eles. Contundo nem todos se envolvem com as atividades criminais.
O filme de Mocarzel recebeu aplausos entusiasmados da platéia. O diretor também colheu simpatia por causa de sua filha Joana, portadora da síndrome de Down, que participa da novela Páginas da Vida, onde sua personagem é filha adotiva de Regina Duarte.

Nenhum comentário: