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31 março 2010

Aniversário de Fito

Sábado foi dia 13. Nada de superstições por favor! Cito a data apenas para comunicar que naquele dia foi comemorado o aniversário de Fito Páez. Quem? O genial cantor e compositor argentino. O moço que, assim como Che Guevara, nasceu na província de Rosário. Fito completou 47 anos.

Certamente, um ou outro leitor poderá se espantar com o fato de um blog de brasileiro citar o aniversário de um brasileiro. Com certeza, esta atitude não é coisa comum. Todavia aqui cabe uma explicação: Fito é um grande amigo de nosso país.

Seu trabalho é conhecido no Brasil por causa de suas amizades com nossos artistas. Paralamas do Sucesso (http://www.youtube.com/watch?v=GLTph8Mj3Oc) e Nenhum de Nós (www.youtube.com/watch?v=T1Qg6V843Rc) gravaram algumas de suas canções. Ele participou de trabalhos dos Titãs (www.youtube.com/watch?v=9MzeJLs6yj0). Já gravou com Rita Lee. Cantou Vaca profana, de Caetano Veloso em shows (www.youtube.com/watch?v=lyQpWznlc50). Toda vez que vem neste país é recebido com alegria e afirma que aqui sempre se sente em casa.

Como esta não é a primeira postagem  que faço sobre Fito e seu trabalho, é a quarta. Por isso, dispenso as informações biográficas. Sua obra é bela e vasta. Seu sentido de novidade nunca se esgota. Vale agora postar um clipe e desejar ao grande Fito só coisas boas.

Feliz cumpleaño!
Harold 

Maria Gadú

Segue  texto de Izabel Toscano. Foi publicado, originalmente,  na edição de  29/03 do jornal Correio Braziliense, referente ao show de Maria Gadú (foto) em Brasília no final de semana.


 


“Linda”, “maravilhosa”, “eu te amo”, “perfeita”, “me leva pra              casa”... Gritos histéricos de meninas com idade entre 15 e 20 anos tomavam o teatro nos curtos intervalos entre as músicas. No banquinho, com violão em mãos, uma jovem com jeito de moleque — calça saruel, tênis, camiseta e cabelos curtos espetados — contornava a timidez pedindo ajuda à mãe que a assistia da plateia. “Mãe, olha isso...”, brincava Maria Gadú, arrancando gargalhadas. 

O primeiro show da cantora de 23 anos na cidade, em duas sessões, na sexta e no sábado, no Teatro Oi Brasília, durou exatamente duas horas. Tempo suficiente para que a jovem impressionasse pelas composições e arranjos. Matou a curiosidade tanto de gente que a conhece pela canção Shimbalaiê, da trilha da novela Viver a vida, quanto de quem já tinha intimidade com o álbum de estreia. 

“Descobri Gadú na internet e me apaixonei. Ela segue a linha da MPB e eu já gostava de cantoras como Ana Carolina. Mas não gosto tanto de Shimbalaiê como a maioria. Prefiro outras músicas, como Altar particular, porque tem letras que me prendem”, conta a estudante Michelle Elias, 18 anos, e membro do fã-clube Bela Flor. 

Nas cadeiras, a plateia era formada, sobretudo, por mulheres (a maioria tão jovem quanto Gadú). Mas era um público feminino diverso. Algumas de salto agulha e vestido com brilho; outras de calça jeans e tênis, à la Gadú. “Admiro a personalidade, a humildade. Ela assume o jeito dela na maneira de se vestir. Eu não ligo se ela se veste como menino ou não. O que me importa é que ela canta com emoção, com o coração”, confessa a estudante Renata Menezes, 17 anos, superproduzida e no salto alto. 

De unânime entre os fãs de Gadú apenas os elogios. A voz de timbre grave é, segundo parte dos admiradores, o que a alçou a revelação instantânea da nova geração da música brasileira. “A voz dela é única. É doce e forte ao mesmo tempo. Ela sabe deixar ainda mais bonita com as letras que compõe. É romântica sem ser comum”, avalia o estudante Rogério Santos, 20 anos. 

Com um singelo boa noite, Gadú subiu ao palco do Teatro Oi Brasília. Daí para frente, concentrou-se no repertório e resistiu delicadamente aos fãs que imploravam (e gritavam): “Fala mais!”. Criou-se um contraste. Ela, tímida; o público, eufórico. “Daqui a pouco, vocês vão pedir o hino (nacional). Vanusa é quem canta o hino”, soltou às risadas, referindo-se ao descompasso musical provocado pela cantora, ícone da Jovem Guarda, durante cerimônia pública. 

A maior parte da plateia, sem perder o fôlego, cantava em coro trechos das canções do álbum de estreia de Maria Gadú — lançado há apenas oito meses. Na sua timidez, junto com a maestria com que canta e toca, Maria Gadú acaba “trocando ideia” com o espectador a seu modo. “Tenho intimidade com o meu público talvez por sermos de idades próximas. Meus fãs são jovens, até crianças. Mas a minha função é cantar, tenho a proximidade que devo ter com eles”, destaca a cantora, em entrevista, antes do show. 

Quando se viu, a apresentação havia se transformado numa grande sala com amigos íntimos. Depois de interpretar canções como Encontro, Bela flor, Shimbalaiê (que ela compôs aos 10 anos), a banda a deixou sozinha no palco. Com voz e violão, como começou a carreira em bares do Rio, Gadú impressionou com a versão de Lanterna dos afogados e composições do repertório de Chico Buarque, de Noel Rosa e de Alanis Morissete. 

O ator e músico Leandro Leo a acompanhou em seguida, como tem feito na turnê de Gadú país afora. O público voltou a se meter: “Canta Crossfox”, gritou um menino. A dupla no palco riu e desconversou. “Minhas influências são todas. Gosto de Bach a Calypso. Chimbinha toca muito na guitarra. Às vezes, dá na telha e eu toco Backstreet Boys ou Sandy & Junior, por exemplo. Acho surpreendente as pessoas estranharem isso. São artistas da minha geração”, conta Gadú. 

Em homenagem ao aniversário de 50 anos de Renato Russo, completados no sábado, 27 de março, Gadú ressaltou: “Não sei se comemoramos ou choramos a perda”. Ela e Leandro Leo emocionaram a todos ao interpretar Hoje a noite não tem luar. 

Antes de se despedir, Gadú cantou Ne me quitte pas, uma das mais esperadas. “É a música que mais amo. Até estou aprendendo francês por causa dela. Apesar de ser uma música antiga, com a Maria Gadú cantando, ficou linda”, derrama-se a estudante Júlia de Soares Lima, de 15 anos. No bis, com Laranja, a cantora fez a plateia quebrar o protocolo e espremer-se em frente ao palco. E o show, que misturou melodias, solos de guitarras, rock e blues, virou festa. 

30 março 2010

Tributo para Armando Nogueira

Os principais veículos de comunicação do país avisaram  ontem (29/03) sobre o falecimento de Armando Nogueira. Nascido no Acre mas radicado no Rio de Janeiro desde os 17 anos, o jornalista de 83 anos não resistiu ao câncer e, às 07:00, partiu para a eternidade. De lá, deverá escrever belas crônicas sobre situações humanas e poéticas.
Talvez o nome de Nogueira, que começou no jornalismo em 1950, não diga muita coisa ou nada para os leitores e as leitoras do blog. Porém, de alguma forma, ele é conhecido destas pessoas. Pelo menos duas criações suas fazem parte do imaginário de todos nós: o Jornal Nacional e o Globo Repórter.
No ano de 1966, Armando ingressou na nascente TV Globo. Foi contratado para a missão de dar um bom formato ao departamento de jornalismo da emissora. Foi ele o criador da Central Globo de Jornalismo (CGJ). Deu certo, seu estilo ágil e objetivo ajudou a TV carioca a ganhar a credibilidade dos telespectadores e a se transformar na Rede Globo que todo o Brasil conhece.
Durante 25 anos, ele foi o comandante do jornalismo global. Foi um dirigente esforçado. Implantou o jornalismo em rede nacional e procurou ter entre seus companheiros profissionais de talento. Estes posteriormente escreveram com talento seus nomes na comunicação de massa deste país.
O ciclo de Nogueira na Globo foi encerrado em 1990. Saiu em busca de novos desafios. Botou, de novo, na ordem do dia, a paixão que sentia pelo futebol. Suas crônicas passaram a ser lidas nas páginas esportivas dos principais jornais brasileiros. Mas a televisão e o rádio não queriam que ele ficasse tão distante. Por isso, lá foi Armando fazer comentários para a rede Bandeirantes, o SportTv e a CBN.
Quem acessar os  noticiários da internet nesta segunda-feira, perceberá que hoje só dá Armando. Parece até ironia, se formos considerar que ele sempre afirmou que o papel do jornalista é divulgar a notícia e não ser a notícia. Todavia não teve jeito. O que não faltou foi gente comentando e lamentando a morte deste mestre do bom jornalismo.
Descanse em paz Armando!
Aroldo José Marinho



28 março 2010

Zazueira

Amigos e amigas do blog!
Venho lhes oferecer esta postagem com alegria. Faz tempo que desejo apresentar esta canção para vocês. Seu título é Zazueira, que foi composta e gravada por Jorge Ben Jor, no tempo que ele, ainda, se chamava Jorge Ben. 

Creio que ele a compôs na década de 60. Todavia seu conteúdo é atemporal. Cabe em variados contextos. A melodia é deliciosa e o texto é uma singela mas justa homenagem às mulheres de nosso país. 

Pesquisando no You Tube, consegui o vídeo onde Ben Jor canta esta pérola. Porém uma coisa, ainda, estava faltando: uma imagem que pudesse ilustrar e sintetizar os versos de Zazueira. Uma foto ou uma pintura que fosse a tradução visual da obra. Sem isso, nada de postagem. Ma che cosa fare?

O problema foi resolvido quando, através do auxílio indireto de um membro da família, encontrei a foto de Gilmara Tourinho. A moça amapaense tem uma beleza típica da Amazônia: graça, charme e simpatia. Como se ela fosse uma fronteira onde se encontram, simultaneamente, a meiguice de menina com o jeito provocante de mulher.

Dificuldades superadas, agora vocês poderão curtir a interpretação de Ben Jor. Este registro foi feito para o Acústico MTV e contou com a participação da Admiral Jorge V (banda que acompanhava o artista nos anos 70) e do trio vocal Golden Boys. A interpretação é genial.

Tudo que era necessário dizer já foi dito. Agora vamos curtir. Tudo de bom sempre!
Harold

 

"A Grande Família" completa 10 anos com pretensão de falar para todo mundo

Transcrevo matéria de Audrey Furlaneto, publicou no edição de hoje (28/03/10), no jornal Folha de São Paulo e no site UOL.
A foto que ilustra o texto é de autoria de Renato Rocha Miranda, da TV Globo.
Bom saber que um programa de bom gosto tem grande duração.
Boa leitura!
Harold

"A Grande Família" completa 10 anos com pretensão de falar para todo mundo


AUDREY FURLANETO
da Folha de S.Paulo, no Rio

Dona Nenê achou um cigarrinho diferente em casa. "Sem começo nem fim", definiu Seu Floriano, antes de acender e dar o primeiro trago. Agostinho sentiu o cheiro e encostou o sogro na parede: era maconha. Lineu comeu biscoitos estranhos, teve crise de riso e dançou durante o jantar. Mais maconha.
Seguem-se frases sobre "todo mundo ter seu viciozinho", sobre a droga não causar "tanta onda" quanto se diz. O espectador está diante de "A Grande Família" --em sua exceção.
O roteiro passou por vários departamentos de análise da Globo, segundo o ator Marco Nanini, até virar o episódio "Um Tapinha Não Dói" em 2002, segundo ano do programa, que estreia, no próximo dia 8, a décima temporada.
Série brasileira há mais tempo no ar, casa um elenco de grandes atores (Dona Nenê é interpretada por Marieta Severo, Lineu é Marco Nanini, Agostinho é Pedro Cardoso, entre outros) ao que o próprio elenco costuma classificar como "talento inegável" dos autores, Bernardo Guilherme, 44, e Marcelo Gonçalves, 39.
Os dois começaram a carreira na equipe de Cláudio Paiva, supervisor de texto de "TV Pirata" (1988 a 1992), que, na época, era redator final de "Sai de Baixo" (1996 a 2002).
Quando deram início ao texto de "A Grande Família", em 2001, tinham em mãos os originais de Oduvaldo Vianna Filho, o Vianninha (1936-1974), para a primeira versão do programa, exibido de 1972 a 1975.
A ideia era adaptar 12 textos, mas a equipe produziu roteiros inéditos e ganhou espaço fixo na Globo.
Além da linguagem mais lenta do original, a nova versão perdeu um personagem político (Júnior, vivido por Osmar Prado).
Em comum, manteve a proposta de elenco de qualidade --Jorge Dória e Eloísa Machado eram Lineu e Dona Nenê nos anos 70-- e das boas histórias. "O humor não deve ser finalidade, mas ferramenta. Não temos piadas, o que temos são situações engraçadas", diz Bernardo Guilherme.
Segundo o diretor-geral, Maurício Farias, "há, na verdade, um grande controle de temas". "Não tem humor preconceituoso, apelativo. Dificilmente se faz piada com 'a' gostosa ou 'o' pária. O humor passa pelo cotidiano da classe média baixa", avalia Farias.
 
Tom "correto"

O tom "correto, mas não reacionário", como define Marcelo Gonçalves, sustenta-se na "pretensão de falar para todo mundo". O programa está entre as maiores audiências da Globo (no ano passado, teve média de 33 pontos).
Ao todo, sete roteiristas escrevem os episódios de "A Grande Família". Os atores podem consultá-los, sugerir mudanças e até derrubar histórias.
Lúcio Mauro Filho, o Tuco, por exemplo, não se sentia à vontade para fazer graça sobre a confusão do jogador Ronaldo com um travesti --e a cena caiu. "Conseguimos fazer graça sem vulgarizar", diz o ator.
Para Marco Nanini, "tudo o que não contribuir para contar a história, é dispensável".
"A moral é muito díspar. Você tem que seguir uma base que tenha coerência com uma família de subúrbio. E é preciso arranjar um jeito de introduzir temas mais ousados, como a maconha", afirma.
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País volta a ser oitava maior economia

Segue postagem que li no na edição de hoje (28/03/10) do blog do jornalista Ricardo Noblat. vale a pena comemorar?
Harold


deu na folha de s.paulo

Após 11 anos, Brasil voltou ao posto que havia sido perdido para a Rússia segundo ranking que considera PIBs em dólares
Crescimento ajuda a atrair mais investidores e a elevar influência geopolítica; dados foram compilados pela Economist Intelligence Unit
A recente crise mundial alçou o Brasil à condição de oitava maior economia do mundo em 2009. É a primeira vez desde 1998 que o pais ocupa essa posição no ranking global com o PIB (Produto Interno Bruto) medido em dólares.
A crise econômica no mundo desenvolvido, a fortaleza do real e políticas anticíclicas bem sucedidas adotadas pelo governo contribuíram para esse resultado.
Mas por trás da performance brasileira há também deficiências, como uma economia ainda fechada, que se travestiram de vantagem durante a crise, mas que no longo prazo tendem a voltar a pesar negativamente na trajetória do país.
O desempenho da economia brasileira já havia sido favorável entre 2007 e 2008, quando passou da décima à nona posição no ranking mundial, deixando para trás a Espanha e o Canadá, embora tenha sido ultrapassado pela Rússia.
Com esse movimento, o Brasil também passou a ser a segunda maior economia das Américas, atrás apenas dos Estados Unidos.
Ganhar posições no ranking de maiores economias é positivo porque torna o país mais atrativo para investidores externos e aumenta seu peso geopolítico.
Mas desde que a mudança seja sustentável; e, de preferência, se trouxer chances de mais progresso no futuro.

09 março 2010

Para as mulheres com atraso mas também com muito carinho

Ninguém gosta de chegar atrasado nos eventos importantes. Nem eu. Porém ontem não pude vir aqui prestar uma legítima homenagem às por ocasião do sagrado dia 8 deste mês. 
Peço perdão pela falha às mulheres que fazem parte do Harold's universe. O motivo é que, no fim de semana, fiz viagem até Goiás. Voltei ontem à minha base, lá pelas 12:00.
 Todavia, não foi possível, vir ao blog e escrever algo que possa ser digno de tantas mulheres valorosas que , graças a Deus, eu conheço. Gente como as leitoras deste humilde espaço. 
A falta de tempo também me faz perdir desculpas,  novamente, pois vou postar um clipe-homenagem com uma tradução que não foi feita por mim. Todavia, eu  assino embaixo o texto da canção. Viva o dia 8 de março!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Beijos!
Harold John Lennon- Woman

03 março 2010

Com vocês, Cravo-da-Terra

Quero apresentar para as pessoas que visitam o blog o grupo Cravo-da Terra (foto). Foi meio que por acaso que descobri o trabalho deste grupo catarinense. Lembro que corria o ano de 2006. Era uma sexta-feira, eu estava lendo o caderno de cultura do principal jornal da cidade. De repente, li um texto que contava que um grupo acústico, vindo de Santa Catarina, faria show num espaço alternativo. À medida que ia lendo, ia ficando animado. Queria saber desta gente, escutar sua música. Porém havia um problema: eu estava quebrado de grana, não tinha condição para pagar a bilheteria.

Apesar da desolação, decidi colocar o nome do grupo num site de busca. Fiz bem! Entre as referências que vieram, consegui acesso ao site oficial do Cravo-da-terra. Me pus a lê-lo de ponta a ponta. Lá estava a agenda de apresentações. Uma notícia me fez vibrar: além, da apresentação da sexta-feira, os cinco músicos tocariam, na hora do almoço, na UnB. E o mais importante: seria gratuito.

Chegou a segunda-feira. Lá estava eu na platéia. No palco estavam, tal como na foto à esquerda: Mateus Costa (vocal, contrabaixo acústico), Otávio Rosa (violão, vocal), Ive Luna (vocal, flauta transversal), Rodrigo Paiva (percusssão, vocal) e Marcelo Mello (violino, viola, violão, vocal). O grupo foi mostrando suas pérolas. Quanto mais eu ouvia, mais gostava daquela banda. Era como se eu conhecesse essas pessoas há muito tempo. No final, fui conversar com os integrantes. Falei muito com Ive. Ela é legal! Tem boa vontade e simpatia. Dialogou comigo de maneira afetiva e igualitária.

Posteriormente, consegui um cd da banda. Ouvi diversas vezes. Sempre com a mesma alegria. O passo seguinte foi buscar imagens do Cravo-da-Terra no You Tube. Infelizmente, não há muita coisa. Todavia consegui este vídeo. Tenho orgulho de oferecê-lo para vocês.
Harold

Cravo-da-Terra- Infinito som


01 março 2010

Mais mensalão do DEM

Reproduzo neste espaço matéria escrita por Maurício Savarese, que o UOL divulgou no dia 24/02. Nela, o articulista trata da desitegração política do democratas. Boa leitura!
Harold
Perda do governo do DF acelera declínio do DEM, dizem especialistas
Maurício Savarese- Do UOL Notícias

Um partido que mudou de nome para se reanimar, elegeu apenas um governador em 2006, minguou no Congresso e nas prefeituras, viu a estrelada cúpula da gestão no Distrito Federal cair por denúncias de corrupção e sofre ainda com críticas à administração da maior cidade do país. Apesar de tudo isso, o pior pode estar por vir para o Democratas, disseram analistas ao UOL Notícias.
Para eles, a perda do governo do Distrito Federal no primeiro momento alivia a pressão interna e na opinião pública, iniciada com a série de vídeos que implicam, além de empresários e deputados distritais, o governador afastado José Roberto Arruda (sem partido, ex-DEM) e o vice Paulo Octávio, que renunciou ao mandato nesta terça-feira (23).
Mas o afastamento imposto a Arruda e a Octávio dão aos adversários um poderoso argumento para acelerar o processo que faz o ex-PFL, fundado por um grupo dissidente do que sustentou o Regime Militar (1964-1985), minguar seu poder político desde a eleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2002.
O partido que já teve o senador Marco Maciel (PE) como vice-presidente da República hoje sofre para emplacar um companheiro de chapa na provável composição com o presidenciável tucano e governador de São Paulo, José Serra. Em 2008, perdeu quase 40% dos seus prefeitos, ficando com cerca de 500. Levou a gestão paulistana por ser aliado de tucanos que rifaram a candidatura do ex-governador Geraldo Alckmin.
A sigla que na reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso somava 105 deputados, derreteu para 84 na votação de 2002. Quando Lula foi reeleito, em 2006, encolheu para 65 parlamentares na Casa. Ao longo do segundo mandato do petista no Palácio do Planalto, diminuiu de tamanho para 56 – muitos deles migraram para siglas satélites do governismo como PR, PTB, PP e PMDB.
“Será um resultado excelente se eles conseguirem eleger 40 deputados neste ano”, disse Luciano Dias, do Instituto Brasileiro de Estudos Políticos. “A bancada do PFL em 2006 dependia de resultados bons na Bahia, no Rio de Janeiro e em São Paulo. Já não foram muito bem. Desta vez, com esse escândalo no Distrito Federal – perdeu todo o comando no único lugar onde venceu – repetir o resultado já será difícil.”
Nas pesquisas eleitorais divulgadas até agora, o DEM só aparece na liderança no Rio Grande do Norte, com a senadora Rosalba Ciarini. Oferece candidaturas já competitivas no Pará (Valéria Pires), Mato Grosso (Jayme Campos), Tocantins (Kátia Abreu), Santa Catarina (Raimundo Colombo). “Mas os adversários vão cair de pau neles com a história de Brasília, dizer que o partido não sabe governar e isso trará efeitos negativos que manterão a queda”, disse David Fleischer, da Universidade de Brasília (UnB).
Nos quatro maiores colégios eleitorais do país, o DEM só deve ter candidato na Bahia. Mas ali o governador Jaques Wagner (PT) é favorito para vencer já no primeiro turno. O ex-governador Paulo Souto (DEM) está em segundo lugar, em busca do vazio deixado pela morte de um dos principais representantes do auge do antigo PFL, Antonio Carlos Magalhães (1927-2007).
No Rio de Janeiro, o partido pode ganhar impulso se o ex-prefeito Cesar Maia tentar o Senado. Em Minas Gerais a tendência é de adesão a Antonio Anastasia (PSDB), hoje vice de Aécio Neves. Em São Paulo, a aprovação em queda do prefeito Gilberto Kassab pode prejudicar decisivamente o voto em deputados do partido. “O cenário é de declínio. Se não mudou até agora, não vai ser no auge da eleição”, disse Claudio Couto, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV).
Otimismo democrataO ex-prefeito do Rio vê chances de o DEM avançar sua fatia no eleitorado em quatro Estados onde teria chance de conquistar o governo estadual: Rio Grande do Norte, Bahia, Santa Catarina, Mato Grosso. E avalia que a perda da cúpula do governo do Distrito Federal não terá impacto nas eleições gerais.
“Em países continentais como Brasil e Estados Unidos, os ‘escândalos’ regionais ficam sempre restritos a esse âmbito. Vide a cidade de São Paulo, com vereadores presos durante a gestão de Celso Pitta, ou o Rio Grande do Sul com os escândalos do PT e a contravenção e o (mais recente) do Detran”, afirmou Maia.
As referências dizem respeito ao escândalo da máfia dos fiscais durante a gestão de Pitta em São Paulo (na eleição seguinte a petista Marta Suplicy venceu), às denúncias de omissão do governo de Olívio Dutra no combate ao jogo do bicho (o peemedebista Germano Rigotto tirou o PT do governo pouco depois) e de desvios de recursos do Detran na gestão de Yeda Crusius (a tucana conta com minguado apoio para tentar se reeleger neste ano).
Também com base nesses dados estaduais, o líder do partido na Câmara, Paulo Bornhausen, prevê aumento de 65 para 75 deputados eleitos da sigla neste ano. “Durante a campanha as coisas se equilibram. Antes o governo avança, porque tem toda a máquina a seu favor. Na campanha a oposição equilibra”, disse ele, que vê preconceito da imprensa com o partido por “colocar a situação no Distrito Federal como se ela representasse todos que estão lá”.
“Isso é o que o PT, de forma stalinista, deseja: dizer que somos todos iguais. Mas não somos, porque a saída deles dois (Arruda e Octávio) demonstra que não somos tolerantes com a corrupção como eles foram”, afirma.
Couto, da FGV, não vê razão para tanto otimismo do deputado. “O DEM é um partido em declínio e isso é ruim para o cenário político brasileiro. Falta uma direita orgânica, porque a que temos é a patrimonialista, que é predadora do Estado e vai do PMDB para a direita. O DEM poderia ocupar esse espaço. Mas não ocupa”, afirmou.
“A tentativa de modernização de anos atrás poderia ter revigorado o partido, mas Arruda acabou e Kassab está patinando. Sobra quem? Só os filhos e netos daqueles que mandavam no partido pouco tempo atrás. Também por isso não haverá uma candidatura de direita nestas eleições. O encolhimento do DEM torna a disputa no Brasil polarizada entre a esquerda moderada do PT e o PSDB, de centro e liberal.”

Espanto e esperança

A política é uma situação instável. Num momento, os seus militantes têm todas as glórias. Noutro, nada que mereça boa lembrança. Provavelmente, esta constatação não é invenção minha. Porém, desde os meses finais do ano passado, se tornou muito forte para mim e demais pessoas residentes no Distrito Federal (DF). O escândalo envolvendo personalidades políticas da cena local foi o fator motivador dessa constatação.

Corria a segunda metade do mês de novembro de 2009. Tudo parecia tão comum para a administração de José Roberto Arruda (o sujeito calvo aí da foto), governador com administração aprovada por grande parte dos moradores do DF. Do jeito que a carruagem ia, parecia que a reeleição dele e do vice Paulo Octávio, em 2010, era só uma questão de tempo. Provavelemente, uma vitória de primeiro turno, tal como ocorreu em 2006. Essa calmaria eleitoral parecia ser compartilhada por deputados distritais como Leonardo Prudente, Junior Brunelli, Eurides Brito, membros da base de apoio ao governo. O mesmo poderia ser dito de Rogério Ulysses (PSB), teoricamente, membro da bancada de oposição ao governo Arruda.


Mas eis que uma bomba explodiu e desfez a calmaria da vida eleitoral local. Não foi uma bomba igual à que dizimou milhares de pessoas em Hiroshima e Nagasaki. Foi uma bomba simbólica. Porém seus efeitos foram mais do que devastadores. Deixaram vítimas e destroços nas carreiras de personalidades políticas. Quem jogou esta bomba não foi nenhum avião norte-americano. Foi um homem, um homem-bomba (sem trocadilhos, por favor). Seu nome é Durval Barbosa (esse que aparece à esquerda na foto).


Policial de origem, este indivíduo sempre atuou nos bastidores políticos do DF. Tinha trânsito com muitas lideranças. Um exemplo é o fato de ter atuado como secretário de Relações Institucionais do DF na administração de Joaquim Roriz (que era do PMDB, atualmente no PSC), que não apoiou a candidatura da dupla Arruda/Octávio. Apesar de policial, Durval se meteu em muitas situações excusas. Foi descoberto. Passou a ter seus passos vigiados pela justiça e pela polícai federal. Muita coisa se descobriu dele. Se fosse contar teríamos panos para várias mangas. Trinta processos ou mais podem acabar com a existência livre de qualquer pessoa.


Será que esse foi o pensamento de Barbosa? Não é possível afirmar que sim. Todavia ele tomou uma atitude não comum nos meios onde a corrupção parece ser um pássaro que ninguém nunca vai alcançar. Mas desta vez o pássaro foi fisgado. A justiça do DF condenou Durval a devolver aos cofres públicos 9 milhões de reais. Temendo condenações mais contundentes, ele mudou de postura e passou a colaborar com as autoridades jurídicas. Por isso, entregou às pessoas da lei diversas horas de gravação de vídeo. Nelas ele aparecia pagando propina políticos locais. Gente citada nos parágrafos anteriores: Arruda, Octávio, Prudente, Brunelli, Brito, Ulysses e outros mais. Haja grana! Haja gente passando a mão nela.
As primeiras gravações foram divulgadas. As pessoas implicadas comentaçaram desmentir os fatos. Normal! Desculpas estaparfúdias foram dadas para justificar as gravações. Super-normal! O governador, através de sua assessoria, explicou que o dinheiro recebido de Barbosa era destinado para comprar os panetones que seriam distribuídos às populações de baixa renda. A explicação não colou porém deu um saboroso nome para o escândalo: Panetone gate! Prudente, deputado presidente da Câmara Legislativa, e líder de uma igreja protestante muito querida na classe alta, justificou que colocou dinheiro nas meias pelo fato de não usar bolsa ou pasta. Aliás, junto com Brunelli, que é filho de um pastor cuja igreja é bastante estimada nas classes menos favorecidas, fez uma oração dedindo para Deus abençoa Durval, o santo provedor de todos eles. Amém!
Com as imagens divulgadas, foi difícil para os envolvidos jogarem a história para baixo do tapete. Por debaixo dessa ponte começou a rolar muita água. A enxurrada trouxe resultados surpreendentes para a cena política nacional: Arruda está preso, Octávio renunciou ao mandato no governo. O mesmo fizeram Prudente e Brunelli. A Câmara Legislativa abriu processo de impeachment para o governador detido e, pelo andar da carrugem, deverá cassar o mandato de Brito.

Pouco? Sim! Contudo já é um começo. pela primeira vez na vida democrática nacional um governador é preso em plena vigência de mandato. Essa desmoralização da classe política local pode propiciar uma intervenção federal na cena política do DF. Há pessoas que não desejam esse acontecimento. Não penso como elas. Acredito que tudo que puder ser feito para reconstruir o sentido da ética e do respeito neste lugar deve feito. Doa a quem doer. Esse é o melhor presente que se pode oferecer para Brasília quando esta se prepara para comemorar 50 anos de fundação.

Aroldo José Marinho