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01 março 2010

Espanto e esperança

A política é uma situação instável. Num momento, os seus militantes têm todas as glórias. Noutro, nada que mereça boa lembrança. Provavelmente, esta constatação não é invenção minha. Porém, desde os meses finais do ano passado, se tornou muito forte para mim e demais pessoas residentes no Distrito Federal (DF). O escândalo envolvendo personalidades políticas da cena local foi o fator motivador dessa constatação.

Corria a segunda metade do mês de novembro de 2009. Tudo parecia tão comum para a administração de José Roberto Arruda (o sujeito calvo aí da foto), governador com administração aprovada por grande parte dos moradores do DF. Do jeito que a carruagem ia, parecia que a reeleição dele e do vice Paulo Octávio, em 2010, era só uma questão de tempo. Provavelemente, uma vitória de primeiro turno, tal como ocorreu em 2006. Essa calmaria eleitoral parecia ser compartilhada por deputados distritais como Leonardo Prudente, Junior Brunelli, Eurides Brito, membros da base de apoio ao governo. O mesmo poderia ser dito de Rogério Ulysses (PSB), teoricamente, membro da bancada de oposição ao governo Arruda.


Mas eis que uma bomba explodiu e desfez a calmaria da vida eleitoral local. Não foi uma bomba igual à que dizimou milhares de pessoas em Hiroshima e Nagasaki. Foi uma bomba simbólica. Porém seus efeitos foram mais do que devastadores. Deixaram vítimas e destroços nas carreiras de personalidades políticas. Quem jogou esta bomba não foi nenhum avião norte-americano. Foi um homem, um homem-bomba (sem trocadilhos, por favor). Seu nome é Durval Barbosa (esse que aparece à esquerda na foto).


Policial de origem, este indivíduo sempre atuou nos bastidores políticos do DF. Tinha trânsito com muitas lideranças. Um exemplo é o fato de ter atuado como secretário de Relações Institucionais do DF na administração de Joaquim Roriz (que era do PMDB, atualmente no PSC), que não apoiou a candidatura da dupla Arruda/Octávio. Apesar de policial, Durval se meteu em muitas situações excusas. Foi descoberto. Passou a ter seus passos vigiados pela justiça e pela polícai federal. Muita coisa se descobriu dele. Se fosse contar teríamos panos para várias mangas. Trinta processos ou mais podem acabar com a existência livre de qualquer pessoa.


Será que esse foi o pensamento de Barbosa? Não é possível afirmar que sim. Todavia ele tomou uma atitude não comum nos meios onde a corrupção parece ser um pássaro que ninguém nunca vai alcançar. Mas desta vez o pássaro foi fisgado. A justiça do DF condenou Durval a devolver aos cofres públicos 9 milhões de reais. Temendo condenações mais contundentes, ele mudou de postura e passou a colaborar com as autoridades jurídicas. Por isso, entregou às pessoas da lei diversas horas de gravação de vídeo. Nelas ele aparecia pagando propina políticos locais. Gente citada nos parágrafos anteriores: Arruda, Octávio, Prudente, Brunelli, Brito, Ulysses e outros mais. Haja grana! Haja gente passando a mão nela.
As primeiras gravações foram divulgadas. As pessoas implicadas comentaçaram desmentir os fatos. Normal! Desculpas estaparfúdias foram dadas para justificar as gravações. Super-normal! O governador, através de sua assessoria, explicou que o dinheiro recebido de Barbosa era destinado para comprar os panetones que seriam distribuídos às populações de baixa renda. A explicação não colou porém deu um saboroso nome para o escândalo: Panetone gate! Prudente, deputado presidente da Câmara Legislativa, e líder de uma igreja protestante muito querida na classe alta, justificou que colocou dinheiro nas meias pelo fato de não usar bolsa ou pasta. Aliás, junto com Brunelli, que é filho de um pastor cuja igreja é bastante estimada nas classes menos favorecidas, fez uma oração dedindo para Deus abençoa Durval, o santo provedor de todos eles. Amém!
Com as imagens divulgadas, foi difícil para os envolvidos jogarem a história para baixo do tapete. Por debaixo dessa ponte começou a rolar muita água. A enxurrada trouxe resultados surpreendentes para a cena política nacional: Arruda está preso, Octávio renunciou ao mandato no governo. O mesmo fizeram Prudente e Brunelli. A Câmara Legislativa abriu processo de impeachment para o governador detido e, pelo andar da carrugem, deverá cassar o mandato de Brito.

Pouco? Sim! Contudo já é um começo. pela primeira vez na vida democrática nacional um governador é preso em plena vigência de mandato. Essa desmoralização da classe política local pode propiciar uma intervenção federal na cena política do DF. Há pessoas que não desejam esse acontecimento. Não penso como elas. Acredito que tudo que puder ser feito para reconstruir o sentido da ética e do respeito neste lugar deve feito. Doa a quem doer. Esse é o melhor presente que se pode oferecer para Brasília quando esta se prepara para comemorar 50 anos de fundação.

Aroldo José Marinho







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