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20 dezembro 2005

Nunca

Depois de uma ausência quase desesperadora, venho postar novo texto. Desta vez, o poeta destacado é o norte-americano T. Freeman, radicado no Recife (PE), trazido para nosso meio por Daniel Amanajás. Necessário também é agradecer a Thiago Amanajás, tradutor da obra de Freeman para a língua portuguesa.
Boa leitura!
Aroldo José Marinho



Nunca
T. Freeman

Penso que existe o nunca
E nunca acontece aquilo que penso.

Parece que nunca vai existir um sentido pra isso tudo lá dentro da alma
Mas nunca vou desistir.

Penso que o nunca existe e sempre aparece
Mas nunca acontece no dia que tem stress

Se tudo agora faz sentido
Pra mim nunca houve.

Hoje não é dia do nunca
É dia de dizer que te quero
E nunca diga nunca.

30 novembro 2005

Quero

Tudo bem? Vim apresentar uma pequena poesia, que foi escrita por uma talentosa baiana: Alice Lordêlo. É um texto breve mas muito belo e cheio de significações amorosas. De certo modo, a figura meiga de Alice está refletida na sua poética, no seu jeito de oferecer doçura ao mundo.
Boa leitura!
Aroldo José Marinho


QUERO

Alice Lordêlo

"Quero, quero tanto
Quero contigo tudo
Sorrir, falar, cantar
Ser e sonhar
Viver
Eu e você
Nós em um único momento
E mais ninguém!"
                

28 novembro 2005

Um poeta lá nas Gerais

Hoje este espaço é aberto para Bruno Brito, um poeta que mora em Belo Horizonte (MG). Quanto não está militando na poesia, Bruno atua como gerente comercial do Unibanco, na capital mineira.
Este poeta gosta de brincar com as palavras, surpreendê-las e, ao mesmo tempo, surpreender aos leitores. Sem dúvida, não se pode ficar indiferente ao seu texto. Espero que vocês gostem de sua publicação.
Quem desejar fazer contato com o citado poeta, deve acessar: brunobritosouza@yahoo.com.br



Uiofobia

Como alguém pode sofrer disso?
Alguém sabe o que é?
Sentir aversão ao próprio filho.
Algo que eu quero cada vez mais.
Ter...
Criar...
Educar...
Amar...
Um, dois, três... mais de seis.
Eu seria uma mistura de Dona Graça e Seu Edmilson.
Meus pais.
Minha única referência.
Num mesmo ninho.
Emoção e razão, respectivamente.
Extrema abdicação.
Fico imaginando.
O dia do nascimento.
Estarei lá?
Que pergunta idiota.
Depois, o que viria?
O primeiro sorriso.
Os primeiros passos.
E depois de algum tempo.
Escutar...
Pai.
Porém, sinto medo.
Medo de colocar uma vida nesse mundo tão cruel.
Medo de não poder ensinar o que eu não aprendi.
Medo de ele ser ela ou ela ser ele.
Acho que encararia numa boa.
Mas todos os pais pensam nisso.
Você nunca pensou?
Enquanto os dias passam.
Continuo vivendo.
E me perguntando.
Quando serei pai?
Aos 25 ou aos 50?
Sei lá... quando a hora chegar.
A mãe...
Paraense ou mineira?
Seria pelo menos uma brasileira?
Que pergunta difícil.
Não diria difícil.
Diria sem importância.
O mais importante seria.
Que ela... a mãe...
Não sofresse de uiofobia.

24 outubro 2005

O detetive e a moça

Bom dia para todos e todas!
Desejo uma excelente semana para os visitantes deste 'blog'. Quero lhes convidar para ler e comentar mais um texto de minha autoria. A inspiração do poema ocorreu em 1996. Eu estava assistindo um filme na televisão. Era Dick Tracy, estrelado e dirigido por Warren Beatty, com as participações de Anette Benning e Madonna. O filme não era lá grande coisa mas teve seus momentos de brilho. Um desses momentos serviu de inspiração para o texto que vocês vão ler.
Espero que a leitura lhes seja agradável. Peço que deixem seus comentários.
Um abraço!
Aroldo José Marinho


O detetive e a moça
Aroldo José


Você é a única!
Foi o que disse o detetive
Que usava capa amarela
Para bela a moça
Que ele amava.
Ela era tão bonita
E se tornava mais bonita
Quando ficava indecisa.



A moça de chapéu,
Que era tão clara.
Sonhava com uma vida feliz
E calma assim como ela.
Ela queria uma vida burguesa
E um vestido de princesa.



Você é a única!
Ela sabe que ele disse a verdade.
Ele a quer para toda vida:
Dividir histórias,
Unir corpos suados,
Pagar contas
E levar as crianças na escola.



Ele lembra de quando a viu
Pela primeira vez.
Era dia de chuva,
Ela estava ensopada.
Ele lhe ofereceu um guarda-chuva.



Ela era tão bonita.
Ele lhe deu também o seu coração,
Seu jeito simples e honesto
Que fica sem jeito
Quando fala dos assuntos do coração.



Ele não disse que a amava
Porque é difícil explicar
O que se sente.
Porém acariciou seus cabelos molhados
E contemplou seus olhos claros.
Ela pensou o quanto ele era elegante.
O homem da capa amarela,
O homem que respeitava a lei
E fazia a chuva parecer
Um dia de primavera.



Você é a única!
Ele disse que sabia disso.
Ela disse que o amava
Enquanto a chuva caía.
Ele a protegia
E ela sabia que ele a amava.
O homem da capa amarela
Que tornava sua vida bela.
Belém, 23/11/96

18 outubro 2005

A vinda do amor

Hoje apresento um texto escrito por mim no início do mês. Naquele período, estava lendo um livro sobre a obra de Carlos Drummond de Andrade, meu poeta favorito (ao lado de Fernando Pessoa). No livro há citação sobre a história de amor vivida pelo poeta ao lado de Lygia Fernandes. No depoimento dela dá para perceber o quanto foi intenso este amor que atravessou décadas, só encerrando com a morte do poeta em 1987.
Esta leitura me motivou a homenagear o poeta e sua amada. Segue o texto. Espero que vocês leiam e depois escrevam seus comentários.
Harold


A vinda do amor
Aroldo José
Me veio o amor, foi Deus quem me deu.
Veio assim, de fininho. Surpreendente!
Quando eu menos esperava.
Melhor assim. Abençoado acaso!


Este amor foi chegando, dominando meu espaço,
Mexendo com os móveis e as coisas do meu mundo.
Renovando meu estoque de fatos
Que exaltavam o marasmo.


De repente, percebi o meu renascimento.
Foi algo assim como o aparecimento do sol
Naquela manhã de tempo nublado.
O prêmio de loteria foi oferecido
Para alguém que nunca soube apostar.


Agora eu tenho um amor, que é o maior;
Que é o amor que eu queria ter há tempos,
Mas não sabia como alcançá-lo;
Como invocá-lo nos becos de desesperada paixão.
Então tudo mudou com a vinda do amor.
Devo dizer adeus aos fabricantes da dor
E dançar exaustivamente pelas ruas.


Brasília, 02/10/05
Para Carlos Drummond de Andrade e Lygia Fernandes

17 outubro 2005

Um poeta gaúcho

Tudo bem com vocês? Depois de um tempo ausente, volto a movimentar meu 'blog'. Faço isto com alegria. É sempre bom vir aqui. Sobretudo quando se tem algo bom para se apresentar.
Hoje apresento um novo poeta. Chama-se Carlos Augusto Piccinini. Guto é um gaúcho, da cidade de Montenegro, estudante de Psicologia na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Além de ser um cara legal e de bons princípios, é um poeta de afinada sensibilidade. Quando estive em Porto Alegre, em agosto, puder tomar contato com a obra deste artista.
Então, sem mais demoras, vamos ao texto do Guto.


Por que decidir entre o acostamento e a estrada
Carlos Augusto Piccinini
Por vezes não agrada a forma
insatisfeito dos ciclos insatisfeitos
só no respirar complica o jeito
anseia a mudança da velha norma


nessas incursões do ser profundo
desvarios imprecisos de momentos
colhe nas grandes dúvidas o tempo
viver pra dentro, e não pra fora


acaba enfim, em busca do eu
silencioso, se recolhendo em tocas
correndo atrás das próprias costas
não vê que a vida, de repente, morreu.

30 setembro 2005

Tortura nos aeroportos

Uma saudação de alegria para todos que freqüentam este 'blog'. Tomara que os seus projetos estejam sendo vitoriosos.
Hoje divulgo um texto que escrevi em 2003. Eu estava indo de ônibus para uma cidade do interior de Goiás. A viagem foi cansativa. De repente, comecei a pensar sobre como é vantajoso ir de avião.
Depois, entendi que o único inconveniente de uma viagem aérea é a espera quase eterna do momento de embarcar. Concluí que aeroporto é algo que não me emociona.
Espero que vocês enviem seus cometnários sobre este texto.
Um grande abraço!
Harold


Tortura nos aeroportos

Há pessoas que gostam dos aeroportos. Certamente, eu não faço parte desse grupo. Não consigo amá-los. As pessoas que encontro nos aeroportos me encantam. Por exemplo, as funcionárias sorridentes nos balcões de atendimento e as aeromoças sempre prestativas. Mas o encanto não se estende ao avião, às condições de voô nem ao espaço físico chamado aeroporto.
Não vejo nenhum atrativo naquele movimento frenético que há nos 'boxes' das empresas aéreas, o ato do 'check in' e a constatação quase óbvia: excesso de peso na bagagem e, principalmente, nos corações viajantes. A sina humana não dá alívio para ninguém.
Depois vem a espera. Será que o vôo terá atraso? Os aeroportos nos impõem a espera, um pré-cansaço para uma viagem, muitas vezes, longa. E, nada contribui para o alívio do sufoco. As lojas com produtos caros e os bares onde os garçons mostram que só sabem trabalhar dentro do melhor estilo tartaruga.
Lógico que não vou negar o valor dos aeroportos e dos aviões. Há neles a rapidez não oferecida pelos portos e rodoviárias, navios, ônibus e trens. Apesar da eficiência inconteste, é possível questionar o jeito impessoal sempre presente na estada no aeroporto e na viagem aérea.
Por isso, a possibilidade de poesia parece vir das pessoas ligadas ao vôo. Sei de pessoas que detestam todas as situações de vôo, inclusive, a tripulação. Apesar da impessoalidade vista nos aeroportos e nos aviões, não deixo de botar um olhar afetuoso sobre as moças sorridentes que trabalham durante a viagem. Sempre fui bem tratado por elas nas minhas viagens. Cortesia, respeito e despnibilidade. Foi isso que recebi. Foi isso que ajudou a suportar a impessoalidade dos aeroportos e dos vôos.
Além do mais, quem me conhece sabe que as pessoas sempre terão mais valor para mim do que as situações nas quais elas estão envolvidas.

Brasília, 25/06/03

31 agosto 2005

De volta e com Freeman

Saúdo todos e todas!
Depois de um tempo de recesso, devido motivos políticos e emocionais, este 'blog' volta a ser freqüente. De cara, apresento um novo autor chamado T. Freeman. Confesso que nunca ouvi nenhum comentário sobre a obra deste escritor norte-americano radicado no Recife, em Pernambuco. Até que meu primo Daniel, através de Thiago Amanajás (que é o tradutor do autor no Brasil), teve acesso à obra e me mostrou as pérolas de Freeman.
Li e gostei do material recebido. Creio que Freeman é um irmão espiritual e estilístico de Leinad, o argentino que toca fundo nos nossos corações.
Sem mais demoras, eis aqui o poema ''Verdade". Leia e depois enviem seus comentários. Viva eu (que nasci em setembro)! Viva vocês que são pessoas de muito caráter!
Harold


Verdade
T. Freeman

Se pudesse ser feita a minha vontade
Então acabaria com o tempo
E tudo que durava pouco passaria à eternidade.

Se pudesse ser feita nossa vontade
Então excluiria a ânsia
E passaria ser tudo tranqüilidade.

Mas como posso contar tempo?
E como irei ficar ansioso?

Pediria apenas que o tempo ao teu lado seja eternidade
E minha tranqüilidade não se transforme em ansiedade.

Que a vontade não se concentre só em mim
Mas que passe a ser sua para que um dia
Seja apenas verdade.

16 maio 2005

Um poeta de São Paulo

Através do grupo Gen 2 Brasil, do qual sou freqüentador, recebi um texto de Marlon Lelis, um psicólogo e poeta atuante na cidade de São Paulo. Nunca tive notícias do trabalho deste autor até a data de hoje. Recebi seu texto, li e gostei do conteúdo. Então, decidi divulgá-lo para vocês.
O texto aqui apresentado foi publicado no livro "Em Tuas Mãos", que o autor lançou através da José Maria Editores.
Espero que o trabalho de Marlon conquiste vocês.
Aroldo José Marinho


DE FIO A FIO
(o fio e o cardume)


Cada um tem um fio
Cada fio se liga a outro fio
Formando um único fio
Tecendo a rede fio-a-fio

Que por distante seja o fio
Uma é a trama do fio
Peça inteiriça o fio
Liga de rabo a pavio, fio-a-fio

Corpo, mente, e alma num fio
Cordão umbilical é um fio
Fé que liga e re-liga outro fio
Eu e você; Tear, tecelão e fio

Nada é solto, há o fio
Harmoniza, sem o saber, pelo fio
Policrômico, qual a vida, tal fio
Une, desune, e re-une sempre no fio



12 maio 2005

Um novo autor

Saúdo todos com muita alegria!

Hoje que lhes apresentar um novo autor. Navi Leinad. Poucas informações tenho sobre sua pessoa. Soube de seu trabalho através de meu primo Ivan Daniel. Meu primo informa que o autor é de origem argentina e que já escreveu alguns livros muito elogiados em seu país, sendo, por alguns, comparado ao grande Jorge Luís Borges.

Parece que o trabalho de Leinad começa a ganhar espaço em nosso país. Publico aqui um texto seu, que Daniel me enviou. Espero que a leitura seja agradável para vocês.

Aroldo José Marinho


O amor, inquieto, um dia perguntou ao tempo:
-- Por que a vida precisa de mim?
E o tempo, muito sábio, respondeu:
-- Espera, e terás a resposta!
A vida, muito esperta, não perdeu tempo e falou para o amor:
-- Dê-me sua mão e vamos esperar juntos!
E assim o amor compreende dia após dia sua importância na vida.
Navi Leinad


05 maio 2005

Desconstruindo Ratzinger

Parece que foi ontem. Mas aconteceu na terça-feira, dia 19 de abril, quase 14 horas. A rede Globo interrompeu a edição normal do jornal Hoje para transmitir direto do Vaticano, onde os cardeais estavam reunidos no conclave para escolher o sucessor de João Paulo II.
Percebi que havia muita expectativa e fumaça branca no ar, sinal de que um novo pontífice tinha sido escolhido. Não deu outra, o cardeal chileno Mendez Medina ocupou a tribuna para proferir, em latim, a frase tão esperada: Habemus Papam!

Para suceder o papa polonês foi anunciado o alemão Joseph Ratzinger, cardeal bastante conhecido por vários teólogos e especialistas em assuntos católicos. Ratzinger recebeu a cátedra com o nome de Bento XVI. Fim da expectativa para muitos católicos. Fim do conclave iniciado no dia anterior.
Segundo a imprensa, não houve surpresa na eleição do cardeal nascido na Baviera e, por causa de sua defesa da ortodoxia católica, conhecido como o 'Rothweiller do Vaticano'. Foi publicado que ele era o grande favorito para a eleição; que representava a continuidade do pontificado de João Paulo II, principalmente, no campo da moral e da ética.

Os fiéis presentes na praça de São Pedro vibraram com o anúncio feito pelo cardeal Mendez Medina. Mas será que a alegria sentida na praça foi compartilhada ao redor do mundo? A simpatia, como se sabe, nunca foi o forte do cardeal Ratzinger. Ao contrário, sua atuação à frente da Congregação para a Propagação da Fé (o antigo Santo Ofício, organismo famoso por causa da inquisição acontecida na idade média) sempre causou polêmica e ressentimento. Sua figura sempre inspirou respeito, cautela e desconfiança.

Mas muita coisa mudou. Ratzinger virou papa. Em lugar do decano dos cardeais, o mundo terá que conviver com o herdeiro d difícil tarefa de suceder João Paulo II, o papa peregrino, que conquistou carinho e reverência em todos os cantos do planeta. O que terá passado na cabeça do cardeal alemão no momento em que sua eleição foi confirmada no conclave?

Difícil responder. Acredito que, de certo modo, a vida de Ratzinger, anterior à sua eleição, terá que desaparecer. Como cardeal de influência na Cúria, ele tomou atitudes e fez afiramações que irritaram diversos grupos de católicos, de cristãos ecumênicos, de não cristãos, de feministas, de ativistas das minorias sexuais e assim por diante. Como cardeal ele podia comprar várias brigas. Talvez isto fizesse parte das atribuições do cargo que exercia.

Contudo a coisa mudou. Agora ele é o papa, o pai do povo católico. Uma coisa é brigar com metade dos católicos. Outra é ser artífice da unidade deste grande povo. Se antes, Ratzinger podia esbravejar contra o mundo contemporâneo, Bento XVI não pode separar o rebanho.

Parece que ele entendeu isto. Tanto é que, em seus pronunciamentos, tem defendido a maior aproximação dos católicos com os demais cristãos; também frisou a importância do trabalho dos teólogos. Na cerimônia de sua entronização, o novo pontífice falou de como é importante o diálogo com as grandes religiões e, no último primeiro de maio defendeu a inserção dos jovens no mercado de trabalho. Enfim, o papa assumiu posições que poucas pessoas imaginariam sair da boca de Ratzinger. O que mudou afinal?

Antes de tentar responder, me permito fazer uma comparação banal. Considerando o item carisma, João Paulo II era uma pessoa inconteste. Assim também é o presidente Lula. Porém o mesmo não se pode dizer de Ratzinger e de José Dirceu. Os dois últimos são homens de gabinete, das conversas reservadas, do uso da articulação política como arte, etc; que não se sentem bem quando estão no meio da multidão. No caso de Dirceu, com exceção do mandato para deputado federal, ele nunca foi o tipo de político que cativa o eleitorado.

Creio que já deu para perceber aonde quero chegar com a explanação do parágrafo anterior. Imagine se Lula, por algum motivo, tivesse que abandonar o posto de estrela maior do Partido dos trabalhadores (PT) e fosse substituído por José Dirceu. Será que este daria conta do recado? Será que a massa petista daria para ele a consideração dispensada ao líder metalúrgico? Sinceramente, duvido que ele seria vitorioso na missão.

É mais ou menos dessa forma que me parece que foi pintado o quadro da sucessão papal. Será que o sucessor alemão conseguirá dar continuidade á obra do seu antecessor? Ou será que sucumbirá ao carisma de Woytila? Difícil saber. Só o tempo dirá!

Como sou católico, vou rezar para que o pontificado de Ratzinger seja conhecido como um marco positivo na história da igreja católica em sua relação com a catolicidade, com as igrejas cristãs, com as grandes religiões e com as situações vindas do mundo contemporâneo. É verdade que a atuação anterior do atual papa não serve como estímulo para este tipo de pensamento. mas não se pode ficar olhando toda hora para o passado e, além disto, a esperança é uma característica tipicamente cristã.
Aroldo José Marinho

26 março 2005

Harry Potter

Muitos de vocês devem ter lido os livros da série infanto-juvenil Harry Potter ou, talvez, assistido aos filmes baseados nas aventuras do menino bruxo. Li três desses livros (já estou finalizando o quarto) e assisti aos três filmes já lançados. Gostei muto dos livros e dos filmes e indico para meus amigos.

A história do garoto é fantástica, um menino que vive com tios e um primo que o maltratam. Até que um dia as coisas se modificam. daí começa a aventura. Lembra um pouco a gata borralheira.Mas as semelhanças acabam neste ponto.

Depois de rever o primeiro filme, pensei como seria interessante contá-lo para as pessoas que não assistiram, sem tirar o interesse pela fita. Então escrevi um texto poético que tenta mostrar alguma coisa do menino bruxo para quem não sabe dele.

Leiam e façam comentários informando se consegui cumprir meu objetivo.

Harold


Harry Potter
Aroldo José

O menino está em perigo, nada lhe é favorável.
Ninguém guardou nenhum sorriso para ele.
Parece que sua vida ficou em perigo
E pode ser encolhida dentro de um armário
Ou escondida embaixo da escada
Que tem um compartimento falso.

Ele não sabe porque é infeliz.
Nunca lhe deixaram correr pelo campos
Para sentir a liberdade do vento no rosto
Nem experimentar a folga do feriado.

Pobre sofredor, marionete em mãos aproveitadoras.
Mas ele sabe que, um dia, algo irá mudar.
Alguma igreja brigará em sua honra
E sua cicatriz será objeto sagrado.

Portas e janelas fechadas não lhe impedirão
De conhecer um mundo especial e novo,
Cheio de novidades e histórias ancestrais,
De gente que adora viver além do normal.

Então, o menino poderá sorrir para a lua,
Mandar bonitas mensagens através da coruja,
Que espera o momento para anunciar a festa
Ansiada pelas pessoas que nunca se esqueceram de amar.
Brasília, 07/12/04

19 março 2005

José

Hoje é dia de São José, o padroeiro de Macapá, a cidade onde nasci. É feriado lá. Mesmo quando a data cai num dia de semana, a cidade pára para homenagear o santo com cerimônias religiosas, arraial, shows, etc. Também faço minha homenagem ao santo por alguns motivos que independem de Macapá. Um deles é que eu me chamo José. Isto mesmo! Sou Aroldo José.

Certa vez fui num dicionário onomástico para saber mais sobre meu segundo nome. Descobri que o significado de José é "O Justo". Então relacionei o significado com a narração bíblica da descoberta feita pelo carpinteiro José: sua noiva Maria estava grávida. A narração de Lucas mostra que eles não viviam juntos portanto o carpinteiro não seria o pai do filho esperado por Maria.

De acordo com a tradição judaica, José poderia denunciar sua noiva como adúltera. Ela seria apedrejada. Mas Lucas cita que José era homem justo e não queria difamar a noiva. Por isso, resolveu abandoná-la na calada da noite. O resto já é sabido: o anjo lhe visita em sonho e comunica que Maria espera um filho gerado pelo Espírito santo. Então José assume a paternidade do filho de Deus.

Me fascina na história o caráter de José. Se ele denunciasse a noiva, ela seria marginalizada pela comunidade. Porém ao abandoná-la ele passaria a idéia de que era um homem fugindo do compromisso assumido anteriormente. Então, neste caso, a comunidade acolheria Maria e amaldiçoaria o noivo fujão. Quer dizer, ele preferiu manchar sua imagem, do que desmoralizar o conceito de Maria perante as pessoas do lugar onde viviam. Convenhamos, não é qualquer inocente que aceita levar a culpa no lugar do outro.

Antes de saber do plano de Deus, o carpinteiro já estava preservando Maria. Então, seu exemplo é fabuloso. Seu senso de justiça vai além de seu prejuízo moral. Depois da visita do anjo, ele se torna o pai efetivo do filho de Deus.

Como qualquer dos muitos José que estão pelo mundo, eu prezo bastante a justiça social. E me orgulho de ter este nome e prestar reverência ao carpinteiro de Nazaré. Na sociedade em que vivo, a justiça é fato banalizado e a postura de José serve como convite para resgatar a importância deste princípio no mundo.

Felicito todos que se chamam José e peço ao nosso padroeiro que interceda para que Deus nos transforme em homens justos.

Feliz dia de São José!

Aroldo JOSÉ Marinho

08 março 2005

Viva elas!

Hoje é o dia internacional da mulher. Parabéns para elas que nos aturam e também nos amam muito. Já foi dito que se Deus fez algo melhor do que a mulher, guardou só para ele. É legal cantar a alegria de termos nossas mulheres por perto, mesmo nos dias em que elas sentem o mundo avermelhar dentro de si e explodem em raivas incontidas e incompreendidas.

Um educador lá do Pará, o professor Meirevaldo Paiva, certa vez disse que o maior mal que um país pode fazer aos seus cidadãos é permitir que mulher não seja alfabetizada. Quando ouvi Paiva falar isto, no início dos anos 90, pensei que ele estava querendo agradar a imensa platéia feminina. Depois refleti e vi que ele está correto. Pois, é a mulher que põe os cidadãos no mundo. É ele que os educa; que lhes dá noções de ética, amor e tudo mais que é preciso haver no mundo para que a felicidade não seja só uma bela utopia.

Então, é necessário sempre dar valor à presença da mulher no mundo. Eu, como qualquer virginiano seletivo, não vou atrás de qualquer onda. Mas é só conhecer uma moça que seja inteligente (algo importante) e bonita (para alegrar meus olhos carentes de poesia) que começo a pensar que os Estados Unidos têm jeito, que Bush ainda vai criar vergonha na cara; que o Brasil vai valorizar seus filhos, etc. No plano pessoal, a mulher sempre faz com que minha bagunça interna se torne aceitável.

Então, sem muitas enrolações: FELIZ DIA INTERNACIONAL DA MULHER! Que Deus, no seu infinito amor dê muitas bençãos para o ser feminino. Hoje comemoramos uma data que homenageia à mulher. Mas tenho fé que chegará o dia em que a festa será para o DIA INTERNACIONAL DO SER HUMANO, data que surgirá para celebrar as tentativas de construção de diálogo entre mulheres e homens. Um diálogo que privilegia a solidariedade, a igualdade, o respeito, outro monte de coisa boa e positiva, e, sobretudo o AMOR!
Viva as mulheres agora, daqui a pouco, hoje e sempre! Amém!
Harold

Um texto do Celso

Hoje é meu dia de fazer gentileza aos amigos e familiares. Apresento um poema escrito por Celso Antonio Pereira, que é casado com minha prima Rose. Ele é um carioca com alma de amapaense. Foi conhecer Macapá, em 2001, e se apaixonou pela cidade, como se tivesse nascido no lugar. Chegou 2005. A saudade de lá bateu e, lá foi ele de novo com a Rose passar o carnaval em Macapá. Ele aproveitou para bater um monte de fotografias e ouvir as músicas produzidas em Macapá.
Aqui está o poema que Celso fez para Macapá. Fiquei contente e agora publico. Deu ânimo para que um dia, eu também escreva sobre a cidade onde nasci.
Tudo de bom para vocês!
Harold


Querida Macapá
I

Vou seguir aquela estrada rumo à Belém do Pará.

Sou viajante e por mais distante eu não levo nada,

Só uma mochila velha e o meu coração. Eu só tenho

Medo da solidão.

II

Sou filho da terra e com orgulho sou do mês de Julho.

Tenho saudade do meu povo, da beira-rio; do tucupi e do

Tacacá. É a beleza daquele lugar; é a cidade de Macapá.

Meu pensamento vagueia aqui e acolá. Quero pro Norte

Voltar!

III

Pode até dar em nada a minha jornada, mas tenho

Pressa de chegar. Estou cheio de esperança de tanto

sonhar. Quero pra minha terra voltar, O Norte !

Minha querida Macapá.


Celso Antonio Pereira

Um texto do Klaus

Saudação para todos e todas!
Olha eu aqui para colocar mais um texto no blog. Desta vez, a autoria não é minha. Quem escreveu o material que vocês vão ver foi o Klaus Brüschke, um amigo que mora no interior de São Paulo e que trabalha na editora Cidade Nova.
Espero que vocês gostem do texto. Quem quiser fazer algum comentário, fique à vontade. Garanto que farei com que todas as opiniões cheguem até o Klaus.
Boa leitura!
Beijos, abraços e saúde sempre!
Harold

Celebridades? Celebridades?

É interessante o culto atual prestado às celebridades. Depois de a cultura moderna - especialmente a literatura - ter substituído a saga de nobres, heróis e mitos pelas crônicas do "homem sem qualidades" (R.Musil), da gente como a gente, parece que ficou um vazio, preenchido por pessoas que ocupam (muitas vezes estrategicamente) colunas sociais impressas e eletrônicas, notabilizadas sabe-se lá porque? No noticiário, a vida afetiva da realeza britânica e a expulsão da modelo de uma festa dividem, em igualdade de condições, espaço com o caminho da paz na Palestina, os conflitos da Terra do Meio paraense e as questões bioéticas das células-tronco.

Uma possível explicação para esse fenômeno é o ser humano contemporâneo ver-se frustrado numa cultura que lhe traçou o caminho do "ser" para o "ter". Não lhe sendo possível ter o que deseja (quer por estar excluído do restrito círculo dos que podem consumir, quer porque cada desejo saciado provoca outro por saciar), é lhe oferecida a opção do "parecer-ter". Assim ele se projeta nos que têm ou parecem ter (casa,glamour, holofotes?). Referências, as celebridades não são perfeitas, como os heróis ou os santos, mas vivem suas intrigas, como os deuses gregos, apaziguando a consciência da pessoa comum ante as próprias fraquezas e improbidades.

Ademais, ligado a isso, é curioso nos talk-shows e assemelhados a bisbilhotice alcançar o status de informação. A linguagem - que percorrera dezenas de milhares de anos para evoluir do burburinho de nossos ancestrais (evolução do esgaravatar mútuo dos primatas) até a conversa articulada, o discurso -volta às origens: abdica-se da crítica e da razão em favor do palavrório, do mexerico, da platitude. Mas a questão dos referenciais pode ser vista de outro lado, um lado construtivo. Temos necessidade do outro. O outro pode me dar algo realmente precioso; eu posso conhecer-lhe "o Céu" (C. Lubich), enriquecer-me dele - e, por minha vez, enriquecer a outros. Não só nas "grandes questões da visão do mundo", mas também no que diz respeito a temas do dia-a-dia, nem por isso menos importantes. Sem abrir mão da capacidade humana de articular com a razão a linguagem. Pelo contrário, elevando esta sempre mais do nível do discurso ao nível do diálogo.

E aqui a literatura - especialmente o gênero das biografias - tem um papel insubstituível. Ler a vida de alguém é participar de seus tesouros, é tomar parte de sua vida, é, enfim, tornar-se seu amigo. Ao mesmo tempo, a biografia se enriquece da leitura de seus leitores (J. L. Borges).

Cidade Nova lançou nesse verão duas biografias de pessoas na aparência diametralmente opostas: Charles de Foucauld e Chiara Luce. Ele, um francês, que viveu na virada do século XIX para o século XX e buscou imitar Jesus de Nazaré retirado entre os tuaregues no deserto do Saara. Ela, uma jovem italiana, praticamente contemporânea nossa, que procurou viver o Evangelho segundo uma espiritualidade de comunhão na normalidade de sua vida juvenil. Ambos deram a própria vida; ele, brutalmente assassinado; ela, consumida por um câncer. Ambos deixaram um legado; ele, especialmente em seus escritos; ela sobretudo no testemunho dos que a rodearam. Ambos alcançaram uma meta: a plenitude de vida, que a Igreja estuda reconhecer como vida de santidade.

Ambos são modelos. Não para serem aplaudidos na passarela de alguma Fashion Week, mas para serem nossos companheiros na bem mais árdua e interessante senda da vida.

Klaus Brüschke

03 março 2005

A eleição surpreendente

A Câmara dos Deputados tem novo presidente. O pernambucano Severino Cavalcanti assumiu o cargo causando espantos. Ele não era o candidato favorito, não tinha apoio da presidência da república. Apareceu como azarão e ganhou a disputa. Foi a vitória do 'baixo clero' (deputados sem muita expressão nacional) sobre os medalhões do parlamento.

Cavalcanti assumiu e logo se fez notar para a maioria dos brasileiros que, de modo geral, nunca ouviu falar de seu nome nem de sua atuação política. No cerimônia de posse, fez um discurso que causou espanto e indignação. Ele prometeu aumentar os salários do deputados e fez pesadas críticas às posições pró-aborto e aos defensores do projeto que oficializa a união civil entre pessoas do mesmo sexo no Brasil. Grande parte da sociedade brasileira considerou ridícula a proposta de aumentar os salários da Câmara, pois os trabalhadores do nosso país não tem seus contra-cheques reajustados desde o final do século passado. Ecos do neo-liberalismo.

O deputado também usou sua posição de presidente parlamentar para lançar afirmações preconceituosas e difamatórias contra as pessoas defensoras do aborto e da união civil entre pessoas do mesmo sexo. O deputado, que citou ser católico praticante, por pouco não envia para o inferno as pessoas que defendem as posições por ele atacadas.

Não acredito que a eleição de Severino Cavalcanti seja uma conquista ética da Câmara dos Deputados. Mas sou democrata e respeito sua vitória. Lamento que sua postura seja descuidada. Como presidente parlamentar, ele deveria saber que suas opiniões ganham muito espaço na mídia e que, como deputado, é preciso respeitar qualquer posição defendida por grupos da sociedade brasileira, mesmo que sejam posições que ele não goste.

As críticas de Cavalcanti aos ativistas pró-aborto e da união civil entre pessoas do mesmo sexo soaram como condenações de caráter moral e religioso. Certamente, a presidência da Câmara não é o foro adequado para este tipo de discurso. Que ele seja contra as militâncias, não há nenhum inconveniente. O problema é querer usar a posição que exerce para tentar influenciar a sociedade brasileira de forma antiética e irresponsável.

Espero que a eleição de Severino Cavalcanti para a direção da Câmara dos Deputados sirva como estímulo tanto os deputados quanto à sociedade do nosso país. Que tal fazer uma bela reflexão sobre a importância do voto responsável?

01 março 2005

O fracasso carioca

Um amigo quis fazer pirraça de mim só porque eu aprecio o futebol de São Paulo e não dou um tostão furado pelo campeonato carioca. O amigo disse que não é só o campeonato paulista que tem campeões vindos do interior. Ele cita o Volta Redonda, campeão da Taça Guanabara, como exemplo do domínio interiorano no carioca de 2005.

Mas o amigo cometeu um erro de raciocínio. Apesar de ser verdade que a Taça Guanabara não foi conquistada pelos grandes do Rio, isso não quer dizer que no interior do Rio se pratica um futebol de qualidade.

No caso de São Paulo é diferente. O campeão do ano passado é o São Caetano, que é do ABC paulista, assim como o Santo André, que derrotou o Flamengo no Maracanã e conquistou a Copa do Brasil de 2004. As duas equipes, mais o Ituano, que chegou às semifinais do campeonato brasileiro da segunda divisão do ano anterior, mostraram eficiência. Esta é a diferença entre os interiores de São Paulo e Rio de Janeiro.

O Volta Redonda e o Americano decidiram a Taça Guanabara não tanto pelo talento de seus atletas ou pela estrutura de suas diretorias. Essas equipes foram à final por causa da incompetência dos times da capital. O mesmo raciocínio não é válido para o campeonato paulista. A possível incompetência dos quatro grandes paulistanos. Lá há uma capacidade de organização e aproveitamento de talento não percebidos no futebol carioca.

Portanto, o amigo não tem razão ao tentar comparar a realidade do futebol paulista com a do carioca. Prá dizer a verdade, muita água vai ter que rolar por baixo da ponte até que o futebol carioca possa novamente ser levado a sério. Enquanto isto não ocorre, que tal dar uma olhada na tabela do final de semana do campeonato de São Paulo?

22 fevereiro 2005

Declaração de amor

Neste dias conversei 'on-line' com meu primo Daniel, que retornou para Belém no fim do ano passado. Disse para ele que escrevi um texto baseado num diálogo que assisti na série Smallville, que passa no SBT. A idéia surgiu de uma conversa entre Clark Kent, o herói, e Lana Lang, a amada. Lana disse alguma coisa sobre ter medo de se cansar de esperar por Clark. Ele nada respondeu.
Depois que acabou o episódio, fiquei pensando que resposta Clark poderia ter dado para Lana. Então, imaginei a declaração dele. Daí surgiu o texto que vocês lerão agora. Por favor! Não esqueçam depois de ir no Comments oferecer opiniões.
Beijos, abraços e saúde!
Harold


Juras de amor (De Clark Kent para Lana Lang)

Aroldo José
Lana!
Eu Clark, aceito te encontrar.
Fazer teu caminho virar meu caminho
Para nossas vidas se tornarem coisa única.
Seguir contigo para sempre
Por todos os lugares
E ser teu ser amado.

Vou dividir minha vida em duas fases:
Antes e depois do nosso encontro.
Meu passado será lembrado
Como um palco pouco iluminado.
Só terão valor os sonhos vividos ao teu lado.
Eu te abraçarei, te acolherei
Para juntos dançarmos a valsa da lua cheia
E da noite estrelada.

Quando eu ficar triste
Lembrarei de tua face sorridente
Me incentivando a nunca desistir
De ser superior às dificuldades;
Às maledicências alheias
E às desventuras da humanidade
O teu amor será a minha referência.

Daqui por diante dedicarei minha vida
Ao amor que me foi dado pelo teu ser.
Serei devoto da fé no teu olhar
E nunca deixarei calar a canção
Que foi composta para te homenagear,
E acreditarei que este mundo só é bonito
Porque nele eu posso te encontrar.

Lana!
Eu Clark, prometo nunca deixar
De oferecer meu amor à tua figura
De musa inspiradora;
De mulher autora do bem querer;
De jardineira da flor do amor.
Brasília, 07/02/05

25 janeiro 2005

Dia de Sampa

Salve o dia 25 de janeiro. O dia do aniversário da cidade de São Paulo. A mais importante metrópole do país. São 451 anos. Apesar da idade longeva, a cidade nunca perde aquela aparência de modernidade que, aliás, é o seu charme. Sim! Foi em São Paulo que começou o movimento industrial brasileiro. Foi lá que os ideias de liberdade fizeram oposição aos desmandos de governos tirânicos; onde teve início o movimento modernista que tanto influenciou a arte do Brasil. Poderia citar outros exemplos, mas creio não ser necessário.

Aproveitando o aniversário de São Paulo, quero dizer, Sampa, quero fazer minha homenagem a esta importante cidade. Um texto que escrevi no dia em que aconteceria a corrida de São Silvestre. Eu estava em frente à televisão vendo imagens anteriores à corrida e relembrando minha primeira visita à cidade.

Conheço São Paulo. Fui três vezes naquela cidade. Em todas as vezes, fui bem recebido pelo povo paulistano. Admiro alí o jeito elétrico que move a vida dos cidadãos de lá. Lembro da frase de Caetano Veloso: "São Paulo é como o mundo todo". Ele tem razão, a cidade é superior aos percalços, segue sempre adiante.

Sei que há pessoas que gostam de fazer mil e tantas críticas à São Paulo. Eu, ao contrário, sempre encontro algo de belo naquele lugar. Parabéns São Paulo!

Aroldo José Marinho


Para Sampa
Aroldo José
Eu conheço tuas ruas,
Tuas calçadas,
Tua gente bonita
Que anda apressada e feliz.

Já provei do teu sabor,
Teus aplausos, risos,
Tua cultura multi-étnica
Que fez o meu medo desaparecer.

Eu conheço teu jeito,
Tua elegância invisível,
Teu charme europeu discreto.

Eu já sei da tua dor
E da tua alegria,
Teu painel colorido,
Teu metrô veloz.

Já descobri teu mistério,
Já conheço a Brigadeiro,
Já senti teu perfume na paulista,
Já me descobri paulistano.

Já sei da tua paisagem
E, sobretudo, já sei do teu amor
De verde-porco palmeirense.

Eu já vivo a tua vida:
São Paulo!
Macapá, 31/12/93

21 janeiro 2005

Viva Belém!

Vocês conhecem Belém, capital do estado do Pará? Eu conheço, morei lá 9 anos. Foi no período em que fiz faculdade. Gostei muito do lugar. O povo é bom, hospitaleiro. A cidade é muito charmosa. Enfim, há muito o que se admirar em Belém.
No dia 12 deste mês, Belém fez aniversário. Imagino que deve ter rolado um festão. Apesar da distância geográfica, eu também me uni à alegria das pessoas que residem em Belém. Fiz um poema em homenagem à terra abençoada pela Virgem de Nazaré, pelo sabor do cupuaçu e pelo maravilhoso Paysandu. Felicidades Belém!


Belém
Aroldo José
Hoje é dia de Belém!
É preciso fazer festa
Em todos os lugares,
Em todos os bairros.

Sair cantando a alegria
De conhecer a cidade;
De saber da sua existência
Gloriosa e humana.

O sino da Sé toca.
Anuncia a festa da Virgem
Que protege Belém
Com ternura e flor.

Viva a cidade das mangueiras!
Que abraça e beija o visitante;
Que sugere o retorno
De quem se apaixonou por sua gente.

Assim é Belém!
Dos vários perfumes;
Do peixe gostoso;
Da poesia e da paz.
Brasília, 12/01/05

Mais um

Tudo bem com vocês!
Olha eu aqui nesta Brasília de muito calor. Vim colocar outro poema no blog. A falta de tempo não me permite, no momento, escreve textos maiores e mostrar para vocês. Logo, logo as coisas serão melhor organizadas.
Segue um poema que fiz a partir de uma frase de Hermann Hesse: "O caminho dos outros é fácil, o nosso é difícil. Caminhemos."
Beijos, abraços e saúde!
Harold


Outra lição

Aroldo José
O caminho dos outros é fácil,
É mais fácil se perder
Ou se vender.
Como dói saber que aprender
É dizer que nada sei,
Que nada farei antes de me despir,
De me despedir da segurança,
Da coisa normal,
Do que é certo para quem só faz
O que não é bom.

Se o nosso caminho é difícil,
Caminhemos sem demora,
Para dar tempo de olhar nos olhos,
Bem dentro nos olhos dos imorais,
Donos da falsa realidade,
De quem pensa que ser feliz
É machucar quem quer ser feliz.

O caminho dos outros é fácil.
Eu digo não ao que é fácil,
Facilmente vulgar.
Melhor não se entregar à dor,
À falsa ilusão,
Ao discurso de contenção nacional.

O caminho nosso é difícil:
É hora de pavimentar corações,
De aprender humildemente,
De brincar para ter razão;
É hora de fazer,
É hora de ser,
É hora de viver.
Brasília, 11/10/01

18 janeiro 2005

Outra poesia

Saúdo todos e todas!
Gostaria de atualizar com mais freqüência este blog. Mas ainda não consegui me organizar melhor.
Hoje apresento um texto que faz referência à viagem feita, em janeiro do ano passado, às cidades de Belém (PA) e Macapá (AP).
Leiam e me ofereçam seus comentários elogiosos ou severos.
Um abraço!
Harold


Viajando

Aroldo José
Nós viajamos pelo mundo
E descobrimos um outro mundo.
Diferente deste
Que é sofrido,
Indiferente
E triste.

Experimentamos a alegria
Vinda da espontaneidade
Das pessoas que nos abraçaram
Na festa bonita,
Revestida de dignidade.

Tudo ficou colorido:
Os grandes problemas
Se tornaram menores
E desapareceram
Ante nossos olhos espantados.

Em cada lugar visitado
Foi sentida a energia
Positiva
E inspiradora,
Que deu a certeza final:
O desamor foi vencido!

Fim da viagem:
Retornamos à base,
Ao ponto do contato
Entre a fantasia
E a realidade.

Restou a promessa,
O desejo latente
De fazer nova viagem
E descobrir que todo dia
É sempre belo
Para quem quer viver,
Sonhar
E amar.
Brasília, 28/03/04