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03 março 2005

A eleição surpreendente

A Câmara dos Deputados tem novo presidente. O pernambucano Severino Cavalcanti assumiu o cargo causando espantos. Ele não era o candidato favorito, não tinha apoio da presidência da república. Apareceu como azarão e ganhou a disputa. Foi a vitória do 'baixo clero' (deputados sem muita expressão nacional) sobre os medalhões do parlamento.

Cavalcanti assumiu e logo se fez notar para a maioria dos brasileiros que, de modo geral, nunca ouviu falar de seu nome nem de sua atuação política. No cerimônia de posse, fez um discurso que causou espanto e indignação. Ele prometeu aumentar os salários do deputados e fez pesadas críticas às posições pró-aborto e aos defensores do projeto que oficializa a união civil entre pessoas do mesmo sexo no Brasil. Grande parte da sociedade brasileira considerou ridícula a proposta de aumentar os salários da Câmara, pois os trabalhadores do nosso país não tem seus contra-cheques reajustados desde o final do século passado. Ecos do neo-liberalismo.

O deputado também usou sua posição de presidente parlamentar para lançar afirmações preconceituosas e difamatórias contra as pessoas defensoras do aborto e da união civil entre pessoas do mesmo sexo. O deputado, que citou ser católico praticante, por pouco não envia para o inferno as pessoas que defendem as posições por ele atacadas.

Não acredito que a eleição de Severino Cavalcanti seja uma conquista ética da Câmara dos Deputados. Mas sou democrata e respeito sua vitória. Lamento que sua postura seja descuidada. Como presidente parlamentar, ele deveria saber que suas opiniões ganham muito espaço na mídia e que, como deputado, é preciso respeitar qualquer posição defendida por grupos da sociedade brasileira, mesmo que sejam posições que ele não goste.

As críticas de Cavalcanti aos ativistas pró-aborto e da união civil entre pessoas do mesmo sexo soaram como condenações de caráter moral e religioso. Certamente, a presidência da Câmara não é o foro adequado para este tipo de discurso. Que ele seja contra as militâncias, não há nenhum inconveniente. O problema é querer usar a posição que exerce para tentar influenciar a sociedade brasileira de forma antiética e irresponsável.

Espero que a eleição de Severino Cavalcanti para a direção da Câmara dos Deputados sirva como estímulo tanto os deputados quanto à sociedade do nosso país. Que tal fazer uma bela reflexão sobre a importância do voto responsável?

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