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10 agosto 2009

O caratê do cara

A postagem que segue foi publicada na edição de hoje (10/08) do jornal Correio Braziliense. O texto é atual e serve como incentivo à reflexão.
Boa leitura!
Aroldo José Marinho


O caratê do cara

RUBEM AZEVEDO LIMA

Que dizer das idas e vindas do presidente Lula, na barafunda de posições por ele assumidas, em relação à crise do Senado, que o consagram como um dos mais irresolutos protagonistas da política brasileira, em 120 anos de república?

Um bom programa de nossa televisão, Toma lá, dá cá, responde à pergunta, comicamente. O autor e ator Miguel Falabella, sobre a atriz no papel de sua filha — que muda de ideia como biruta em aeroporto —, a cada birutagem da moça, repete o bordão: “Essa garota é mau caráter!”.

O próprio Lula, há tempos, referindo-se às suas mudanças bruscas, noutros assuntos, autodenominou-se “metamorfose ambulante”, da música de Raul Seixas e Paulo Coelho, o jeito humorístico de explicar sua irrefreável volubilidade política, aos brasileiros.

Seja o que for, em seu último ato volúvel, Lula incluiu a grosseria de chamar de “imbecis” os críticos de seu programa assistencialista, sem políticas eficazes de criação de empregos. A rigor, somos todos imbecis em alguma coisa. Sócrates, mais modesto do que Lula, dizia: “Eu sei que não sei”. Mas Pierre Vadeboncoeur, em Les grandes imbéciles, diz haver lugar, “entre esses, para inteligentes ou não”.

Já David Bescond, no Dossier crise financière, em relação às ideias de Sarkozy, sobre a crise mundial, sustenta que nós, pobres mortais, vítimas das bobagens dos governantes, “somos dirigidos por imbecis perigosos”. Lenine, surpreendentemente, foi mais generoso: “Um imbecil pode propor problemas que 10 sábios juntos talvez não resolvam”.

Confortado pelo elogio à imbecilidade, o repórter saúda o reencontro do presidente com o cidadão Lula, por tirar a máscara de tolerar a crítica e aplaudir ex-inimigo, hoje seu aliado, fotografado dia 3, em debate senatorial feroz. O Senado, cuja crise Lula agravou, não merecia tanto.

Que se podia esperar? O novo estilo de Lula identifica-se com o desse velho novo amigo, em agressividade na linguagem. Lula deixou de ser o que foi nas últimas eleições: Lulinha paz e amor. Só lhe falta praticar caratê político e treiná-lo com ou contra jornalistas. A propósito: Bom-dia, R. Frajmund (Auschwitz 133381, Esso de fotojornalismo 1963).

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