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20 maio 2006

Crônica de um tumulto anunciado

Na sexta- feira passada, o país, soube de uma notícia muito alarmante. O estado de São Paulo foi vítima de uma onda de violência sem proporções anteriores. Era a organização criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) demonstrando seu descontentamento contra as restrições impostas aos seus membros recolhidos nas diversas penitenciárias instaladas no estado. A ousadia dos bandidos foi o tema principal do Fantástico, da Rede Globo, e de outros programas jornalísticos ou de variedades, além de ter colocado nosso país na ordem do dia dos principais meios de comunicação mundial.

De repente, lá estavam os bandidos do PCC atacando delegacias policais e disparando contra viaturas da lei. Nem o corpo de bombeiros nem a guarda metropolitana da prefeitura da capital foram poupados. Pior, na mais perfeita sincronia, eles organizaram vários motins nas penitenciárias em estão cumprindo pena os chefes da organização.

Segundo a mídia, o motivo para tanta violência é a restrição à certas regalias oferecidas aos bandidos detentos. Como represália, estes usaram telefones celulares e mandaram que os membros não encarcerados atacassem alvos policiais na sexta-feira. A polícia reforçou suas bases. Então, o PCC começou a incendiar ônibus e alvos civis. Lógico, que numa situação assim, começaram os debates sobre segurança nos grandes centros, etc. Mas antes de pensar em aderir aos debates, há algo que desejo comentar e que me parece muito incômodo.

Algumas autoridades da segurança de São Paulo informaram terem conhecimento prévio sobre os ataques. Estas pessoas teriam recebido telefonemas anônimos comunicando a ocorrência da ação do PCC e nada fizeram para impedí-la. Preeriram ignorar as ligações, fazendo de conta de que não havia nenhuma gravidade no fato.

O PCC cansou de ser ignorado e decidiu mostrar sua força. Difícil negar que as ações do grupo são bem coordenadas. Todavia o mesmo não pode ser dito sobre as ações das autoridades. O governador foi à televisão dizer que estava tudo bem. O secretário de segurança fez bravata frente aos jornalistas. Um show dw palavras vazias.

Parece ser claro que as autoridades não estavam preparadas para lidar com esta onda de violência. Nunca levaram a sério a ação do PCC e pensam que a administração pública é uma máquina a ser utilizada para fins eleitorais. Enfim, não sabiam nada de nada. Nesta tragédia foram meros coadjuvantes.

Acredito que as autoridades paulistas, em vez de ocuparem somente com as situações eleitorais, poderiam ter trabalho para melhor equipar a força policial e dar treinamento aos policiais. POderiam melhorar o salário destes e também promover uma política de segurança pública dentro de um enfoque que valorize a cidadania.
Aroldo José Marinho

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