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03 julho 2006

De novo a França, a velha decepção

No sábado passado (01/07) houve o jogo entre Brasil e França pelas quartas-de-final da copa do mundo. O resultado, já sabemos e lamentamos bastante. Eu pensei que a nossa vitória era coisa certa. Talvez por 1 x 0, 2 x 1. Enfim, um placar suado e heróico. Não gostei do resultado mas, confesso, não fiquei surpreendido. Na minha cabeça de psicólogo havia a certeza de que este jogo representava muito para as duas seleções. Primeiro porque vencê-lo significava seguir adiante na copa. Depois por causa do fator psicológico: vencer a seleção francesa representaria a desforra sonhada pelos brasileiros. Para os "azuis" seria o início da superação da má fase vivida por eles na copa de 2002 e na Eurocopa de 2004.

Veio o jogo. O mundo de olho no festival de boa arte que seria oferecido. Infelizmente, nossa seleção foi apática. Havia vontade de ganhar. Mas a incompetência para transformar o desejo em vitória não existiu. Que pena! Do lado dos franceses, a coisa foi diferente. Zidane mostrou esforço para fazer uma boa aposentadoria, para sair aplaudido por seu povo e pelos amantes do bom jogo.

A vitória da França foi incontestável. Mas não creio que nossa equipe foi derrotada naquela partida. O fracasso começou quando Parreira e Zagalo foram chamados para, novamente, dirigirem a seleção. Até onde sei, as equipes dirigidas por estes senhores sempre foram amigas de um jogo defensivo e pouco brilhante. Eles convocaram os melhores jogadores do país. Porém atrofiaram o talento dos atletas.

Na sua maioria, eles atuam no estrangeiro e são artistas nos seus clubes. Porém bastava se apresentarem ao comandante Parreira para que a arte dos craques fosse diluída em benefício dos interesses dos dirigentes de futebol. Por isso, lá ia nosso selecionado disputar amistosos contra equipes inofensivas da Ásia ou de qualquer outro lugar determinado pela Nike. Para os bolsos do patrocinador e dos cartolas, estes jogos significaram muita coisa, muito lucro. Contudo, para o bom e belo futebol, nada representaram.

Depois veio o embarque para a Suíça, nas vésperas da copa. Enquanto outras seleções procuravam amistosos contra equipes que também participariam do evento na Alemanha, o Brasil enfrentava a seleção de Lucerna, uma equipe de pouca expressão no campeonato suíço e uma equipe juvenil do Fluminense. Outros problemas aconteciam, mas tudo era abafado com a conivência de setores da grande imprensa.

Os erros foram acontecendo e ninguém falava nada. Não posso ser injusto nem irracional, aqueles que faziam alguma crítica, eram silenciados e acusados de anti-patriotismo. A soberba foi crescendo na comissão técnica da seleção. Era vendida a idéia de que nós, os pentacampeões mundiais, os líderes no ranking da FIFA, não precisávamos melhorar em nada. As demais seleções é que deveriam alcançar o nosso elevado nível.

Então, veio a copa. As vitórias na fase inicial da competição serviram para encobrir uma verdade: o Brasil, nos últimos tempos, era uma equipe vencedora, mas que, quase sempre, só vencia equipes fracas. Assim foi contra Croácia, Austrália e Japão. Em seguida, novo triunfo contra Gana. Bastou vir a nova fase e o desafio de um adversário forte da Europa, que têm jogadores talentosos, para as deficiências serem melhor percebidas.

Fim do ato de uma tragédia quase sempre anunciada. O sonho do hexa foi dissipado na incompetência. Sem querer endossar a hipocrisia de jornalistas, como os Galvão Bueno da vida, que antes faziam "oba-oba" para a dupla Parreira-Zagalo e, que agora, lhes atiram pedras, creio que esta derrota foi positiva. Se quisermos aprender com nosso erros, vamos ter a chance de assumir nosso futebol com ética, com calendário organizado e com coragem de botar para fora dirigentes como Ricardo Teixeira. Teremos condições de mandar a Nike se colocar no seu lugar e não encher mais a paciência.

Avante Brasil! A olimpiada está chegando. O momento de ser diferente é este.
Aroldo José Marinho

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