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11 outubro 2006

A Voz

Saudações para os fãs e as fãs da Legião Urbana no dia em que se completam 10 anos da partida de Renato Russo rumo à morada dos justos. Infelizmente, não pude preparar um texto especial para esta data. Por isso, me desculpo geral e, apresento um texto escrito no período em que morei em Belém (PA). Ao mesmo tempo em que homenageio o Trovador Solitário do Planalto, faço homenagem também aos queridos familiares Célio Alício, Ivan Daniel e Aline Maria. Sem eles, não me seria possível conhecer o respeitar a obra da Legião Urbana e de seu poeta maior.
O amor vence tudo!
Aroldo José Marinho


A Voz

Aroldo José

A voz que canta é profunda,

Dá alegria ao ouvinte,

Mas está cansada de olhar a janela

E ver nuvens cinzentas;

A água do rio ao lado é turva

E há gente que nela quer entrar.


A voz soluça de pena e rancor,

O que era melodia virou barulho,

Diamante falso e cena banal.

O que era vida virou outra vida

Que nunca foi vida.


A voz que falava, agora só sussurra

gemidos inexplicáveis,

Por que será que é tão bonito

Ver um artista sofrer?


Não queria olhar para o céu,

As estrelas não têm brilho,

A luz da lua foi cortada

Porque ninguém pagou a conta

Enquanto o homem de óculos

Gritava no beco escuro:

"-- Ma che bella vita!"


A voz canta no rádio,

Há um novo tempo, tudo é novo,

A rua é nova, o amor é novo,

Mas minha dor continua a mesma.



Quem bebeu o chopp sorriu,

Mas não soube dizer porquê

Que tudo que é estranho

Deve permanecer estranho.



Agora as cinzas voam,

Os carros passam pela via principal;

Mudei de casa

E no planalto tudo continua igual.



Só vou ligar a televisão

Quando estiver pronto para

ver meu rosto feliz,

Beijando a boca da esperança.

Belém, 23/10/96

Para Renato Russo

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