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26 junho 2010

Polanski preso

O texto aqui postado foi escrito por Rubens Ewald Filho em setembro de 2009. Ele é comentarista de cinema bastante reputado. O tema de seu comentário foi a prisão do cineasta franco-polonês Roman Polanski (foto). Seu texto foi publicado no site (www.noticias.r7.com/blogs/rubens-ewald-filho/2009/09/28/polanski-preso/).

Ao contrário de um país que conhecemos bem, onde ninguém é punido e rico não fica preso, essa história da prisão de Roman Polanski, manda uma mensagem: não se foge da justiça norte-americana, mesmo que ela possa ser injusta. É provável que vocês se lembrem da história toda que o levou a esta situação (Polanski foi preso quando chegou a Zurich, suíça alemã, para participar de Festival de cinema, sem se dar conta que havia um mandato de prisão contra ele e que aquele país havia acordo de extradição com os Estados Unidos. Ou seja, uma mancada de alguém que conseguiu esses anos todos viajar pelo mundo evitando as consequências, inclusive algumas vezes aqui no Brasil.

Será justo prender uma pessoa que foi condenada a sua revelia por um crime que teria cometido há mais de 30 anos? Será que não teria caducado? Embora hoje até mesmo a moça, então menor com 13 anos em 1977, com que Polanski havia feito sexo, já tenha se apresentado e deposto a seu favor, o processo nunca foi encerrado oficialmente. Nem mesmo quando Polanski ganhou o Oscar de melhor diretor por O Pianista ele não ousou ir a Los Angeles para receber o prêmio.

Sabe-se um pouco aqui no Brasil, dos antecedentes de Polanski, um judeu polonês de 76 anos, que durante a guerra para escapar dos nazistas, foi acolhido por uma família católica e passou por todo tipo de necessidade e privação. Estudou cinema e se consagrou cedo. Por sorte, tinha nascido na França e por isso conseguiu nacionalidade francesa, o que ajudou a construir uma carreira internacional brilhante (já que a Polônia estava sob a ditadura comunista e uma severa censura).

Sempre teve com a Polônia uma relação estremecida, fez lá apenas seu primeiro longa, A Faca na ÁguaRepulsa ao Sexo com Catherine Deneuve, Armadilha do Destino com a irmã de Catherine Françoise Dorleac e em 67, a Dança dos Vampiros, onde conheceu o amor de sua vida, a americana Sharon Tate. Foi por causa dela que aceitou o convite americano de ir dirigir na Paramount onde realizou duas obras primas (O Bebe de Rosemary com Mia Farrow, 68 e Chinatown, 74). (62), fez também curtas famosos, trabalhou como ator nos filmes de Wajda e depois ocasionalmente voltava ao palco em Varsóvia, como fez na peça Amadeus. Logo se consagrou   com os filmes seguintes (Repulsa ao Sexo com Catherine Deneuve, Armadilha do Destino com a irmã de Catherine Françoise Dorleac e em 67, a Dança dos Vampiros, onde conheceu o amor de sua vida, a americana Sharon Tate. Foi por causa dela que aceitou o convite americano de ir dirigir na Paramount onde realizou duas obras primas (O Bebe de Rosemary com Mia Farrow, 68 e Chinatown, 74).

O sonho americano virou pesadelo quando em agosto de 1969, Sharon foi assassinada grávida na casa deles em Los Angeles, pela Gang de fanáticos religiosos:  a Família Mason. Foi uma tragédia de que ele nunca mais se recuperou, adquirindo uma fama de rebelde, maníaco sexual (por ninfetas) e excêntrico. O que poucos sabem - porque não foi exibido no Brasil - é que existe um documentário, Roman Polanski, Wanted and Desired, 2008, de Marina Zenovich, que demonstra que todo o seu julgamento foi armado, havia por trás um juíz corrupto em busca de publicidade que complicou as coisas e foi diante da certeza de que não teria um julgamento justo e leal, que Polanski decidiu fugir do país.

É um filme fascinante e com depoimentos reveladores (no mínimo deixa claro que o encontro sexual com a ninfeta foi consensual, mesmo que a lei considere isso um estupro!) e como o juíz já morreu, os que estiveram no processo puderam depor às claras sobre o caso na esperança de que as coisas fossem esclarecidas. Não foi o que sucedeu. O filme teve certa repercussão,  mas a justiça continuou cega e obstinada. Muita água ainda vai rolar.Como Polanski é francês, não duvide que o presidente interceda por ele e o caso vá se estender ainda por muito tempo. Não sei se Polanski é ou não culpado, as várias vezes que estive com ele, sempre se revelou uma pessoa desagradável, por vezes grosseira, rude, mandona (principalmente com sua nova mulher com quem está de 89 até hoje, a francesa Emmanuelle Seigner).

Mas não estamos avaliando bons modos.  Nem talento. Neste momento, dá para ver que os longos braços da lei podem se estender tanto tempo quando nos Miseráveis (cabe a comparação com Jean Valjean e a perseguição de que foi alvo no livro de Victor Hugo). Justo ou injusto.

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