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25 junho 2011

Poema de Bandeira

Boa tarde!

Espero que todos e todas tenham aproveitado o feriado, que aconteceu na última quinta-feira, para fazer um monte de coisas necessárias e/ou divertidas. Do meu lado, coloquei algumas coisas em ordem, telefonei para a noiva e fui ver um filme na mostra de cinema e moda do CCBB.

Agora  mudo de assunto para lhes apresentar um poema. Este texto foi escrito por Manuel Bandeira (foto). O poeta nascido em Recife (19/04/1886) é considerado um das mais importantes vozes do modernismo brasileiro. 

Além do talento como escritor, exerceu os ofícios de crítico de literatura e arte, tradutor e professor universitário. Membro da Academia Brasileira de Letras (ABL). Partiu para a eternidade em 13/10/1968 O motivo da partida foi a hemorragia gástrica, decorrente da tuberculose que que foi a sua companheira mais constante.

Leia com carinho e atenção. Depois deixem um comentário sobre a poética de Bandeira. Tudo de bom!!!

Harold

 

Profundamente
Manuel Bandeira
Quando ontem adormeci
Na noite de São João
Havia alegria e rumor
Estrondos de bombas luzes de Bengala
Vozes, cantigas e risos
Ao pé das fogueiras acesas.

No meio da noite despertei
Não ouvi mais vozes nem risos
Apenas balões
Passavam, errantes

Silenciosamente
Apenas de vez em quando
O ruído de um bonde
Cortava o silêncio
Como um túnel.
Onde estavam os que há pouco
Dançavam
Cantavam
E riam
Ao pé das fogueiras acesas?

— Estavam todos dormindo
Estavam todos deitados
Dormindo
Profundamente.
*

Quando eu tinha seis anos
Não pude ver o fim da festa de São João
Porque adormeci

Hoje não ouço mais as vozes daquele tempo
Minha avó
Meu avô
Totônio Rodrigues
Tomásia
Rosa
Onde estão todos eles?

— Estão todos dormindo
Estão todos deitados
Dormindo
Profundamente.


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