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09 julho 2014

Crônica de uma decepção evidente

A postagem de hoje, como a maior parte dos meios de comunicação social brasileiros, tematiza a derrota da seleção brasileira para a Alemanha na fase semifinal da copa do mundo. Todavia, na medida do possível tentarei fugir da abordagem chorosa e inquisidora percebida na maioria de rádios, televisão e mídia eletrônica. Tentarei!

Como citei em postagem anterior, não seria motivo de espanto se a vitória no jogo do Mineirão fosse de um lado como de outro. Pensei que seria uma vitória de placar mínimo (1x0, 2x1, 3x2, etc), decidido no último minuto, numa falha boba da defesa ou de falta ou pênalti inexistentes. Não esperava uma goleada histórica. Creio que ninguém em sã consciência esperava. Provavelmente, teve quebra nas bolsas de apostas e bolões sem vencedores.

Houve um descontrole na seleção brasileira. Apesar de começar o jogo no ataque, a equipe tinha dificuldade para finalizar. Poucas vezes, Neuer, goleiro adversário, tocou na bola. A Alemanha absorveu a pressão inicial e, aos poucos, começou a impor seu toque de bola. Seus primeiros chutes não causaram problema. Todavia causou espanto a facilidade com que tomava a bola na defesa e a levava para o ataque. A abertura de placar era apenas uma questão de tempo.

Alemanha ganhou escanteio no lado direito, aos 10 minutos, a bola sobrou para Müller, livre de marcação, fazer o primeiro gol. Normal! Pensei que a seleção brasileira se recuperaria do golpe sofrido e iria atrás do empate, para forçar a virada. Aconteceu o contrário, a Alemanha apertou a marcação, ligando rapidamente a defesa e o meio campo com os jogadores de frente. Foi dessa forma que Kroos cruzou na área, onde estava Klose, que chutou duas vezes. A bola entrou no segundo chute. Eram 22 quando este jogador tornou-se o maior artilheiro das Copas, totalizando 16 gols.

Numa partida comum, uma derrota por dois gols de diferença deveria motivar a equipe que perde a ir para cima do adversário na busca pelo empata. Mas não era uma partida comum e não foi isso que aconteceu. O nervosismo tomou conta da seleção brasileira e permitiu que, aos 24, os alemães voltassem ao ataque para marcar o terceiro, fruto do passe que Müller entregou para Kroos deixar o seu. Nova saída de bola brasileira, nova perda de bola, novo gol, novo gol de Kroos, aos 26.

A porteira estava aberta e a Alemanha partiu para o rodeio. Quatro a zero não era um placar agradável? Esse deve ter sido o motivo que fez Özil mandar a bola para Khedira, que, aos 29, só teve que mandar a bola para as redes. Final do primeiro tempo. Ainda bem! O técnico Scolari poderia conversar com os jogadores para diminuir a diferença de gols marcados pelos alemães.

A conversa aconteceu? Não sabemos! Se houve, certamente, não surtiu efeito. O certo é que o segundo tempo só diferiu do primeiro porque a Alemanha deu algum espaço para o Brasil tocar bola. Todavia a falta de organização brasileira deixou tudo na mesma, a Alemanha continuou a mandar no jogo. Até aqui não havia citado Joachim Löw, técnico alemão. Não o fiz porque a tática montada antes do início do jogo fez dele um mero coadjuvante do espetáculo dado por seus pupilos.

Diminuir o ritmo de jogo não significou que a Alemanha tenha desistido dele. Apenas passou a cadenciá-lo. As tentativas de ataque do Brasil sempre acabavam nas mãos de Neuer. Então os germânicos voltaram ao ataque, conseguindo, aos 23, o sexto gol, feito por Schuerrle, que havia entrado no segundo tempo. Schuerrle queria mais, por isso, aos 33, marcou o último gol alemão. Sete gols marcados, só um milagre tiraria a vitória da seleção européia. O último ato da tragédia foi o gol brasileiro que Oscar marcou ao 45.

Para finalizar, cabe aqui uma reflexão: o resultado foi justo! A Alemanha impôs seu futebol e mostrou como foram imprudentes  os comentários sobre seu empate com Gana e a vitória mínima contra os Estados Unidos. Não se pode banalizar uma seleção que tem história, camisa e tradição. Há jornalistas que parecem entender de bobagens, não sabendo nada sobre bom senso. Quanto à seleção brasileira, esteve numa tarde infeliz, onde nada deu certo. Precisa aprender a se libertar das armadilhas do sucesso, da super-exposição, do nervosismo que faz a equipe chorar por qualquer motivo. Alguém citou a dependência do ausente Neymar. Tal argumento não é aceitável numa equipe que tem 23 jogadores. Também precisa ter olhos abertos para a mídia e seu oportunismo. Jogador de futebol é atleta e não celebridade do mundo dos espetáculos.
Aroldo José Marinho 


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