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25 março 2009

Flores do mais


Saudações palmeirenses aos leitores e às leitoras do blog. Hoje posto um poema de Ana Cristina César (1952-1983), poeta carioca de talento, que fez parte de um grupo de poetas alternativos que atuou na década de 70, do século passado. Esse grupo recebeu rótulos variados e engraçados (geração mimeógrafo, literatura udigrudi, marginal).


Publicou poemas e textos em prosa em coletâneas, revistas e jornais alternativos. Seus primeiros livros, Cenas de Abril e Correspondência Completa, foram lançados em edições independentes. Em 1982 lançou A teus pés, pela editora Brasiliense. Segundo alguns críticos, em sua produção há uma fina linha entre o ficcional e o autobiográfico.

Apesar do talento, Ana Cristina não conseguia lidar com as dificuldades emocionais de forma serena. Em 1983, praticou ato de suicídio, se jogando do apartamento dos pais.

Com respeito e carinho, publico o texto As flores do mais. O título é um trocadilho com o poema As flores do mal, do simbolista francês Baudelaire.
Aroldo José Marinho


Flores do mais


Ana Cristina César

devagar escreva

uma primeira letra

escrava

nas imediações construídas

pelos furacões;

devagar meça

a primeira pássara

bisonha que

riscaro pano de boca

aberto

sobre os vendavais;

devagar imponhao pulso

que melhorsouber sangrar

sobre a faca

das marés;

devagar imprima

o primeiro

olhar sobre o galope molhado

dos animais;

devagar

peça mais

e mais e

mais

2 comentários:

Paola Vannucci disse...

Aroldo,

o que mais gostava na vida de Clodovil realmente era sua lingua solta, rsssssss

Mas que bela poesia, é muito bom ler e aprender um pouco a cada dia com vc, confesso que nossa amizade vai durar muito e muito tempo,

beijinhos pra vc e muitos aprndizados mais teremos.....

tem poesia nova no blog

Paola

Harold disse...

Paol!
Seu comentário me dá alegria e faz eu me sentir útil.
Obrigado!
Beijos e vida!!!!