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03 setembro 2010

Um jogo inesquecível

Alguém quis saber qual foi, na minha opinião, o melhor jogo de futebol do ano. A pergunta parece embaraçosa, pois 2010, ainda, não terminou. Mas não para mim. Eu vi jogos interesantíssimos no primeiro semestre. Dois deles na Copa do Mundo. Um bem doloroso: a virada holandesa sobre a seleção brasileira na Copa do Mundo. O outro, trouxe emoção e alegria: a goleada que a Alemanha botou na seleção de Maradona. Quatro a zero que lavaram a alma deste sujeito que vos escreve. Apesar dessas partidas da Copa, o melhor jogo do ano aconteceu no campeonato paulista.

Acredito não ser novidade para vocês da minha escancarada torcida pela Sociedade Esportiva Palmeiras. Por isso, me permito escrever um texto que segue na contra-mão do oba-oba que um monte de gente criou em cima do jovem time do Santos. Gente que forçou uma barra para que Ganso e Neymar fossem convocados para o mundial na África do Sul. Discordo das bobagens escritas nas revistas e nos jornais e ditas nas emissoras de rádio e televisão. Por isso, não tenho nenhum constrangimento em afirmar que a melhor partida do ano aconteceu no dia 14/03, domingo no qual Palmeiras foi jogar na Vila Belmiro, reduto santista,  e ganhou de virada (4 a 3) os donos da casa.

O que tornou aquele jogo importante? Para responder a pergunta, é necessário relembrar como foi a semana que antecedeu à partida. Palmeiras e Santos viviam momentos diferentes no campeonato paulista. A equipe do Parque Antárctica não estava bem. Seu rendimento era questionado pela torcida e pela imprensa. Esse clima custou o emprego do treinador Muricy Ramalho, que foi substituído pelo novato Antonio Carlos Zago. 

O Santos liderava o campeonato e seguia em frente na Copa do Brasil. Muitas goleadas eram registradas. Seus jogadores novos eram comparados aos gênios do futebol. Um ou outro cronista afirmou que era volta do futebol alegre e solto, a vitória da técnica sobre a força e assim por diante. Bobagem foi o que não faltou. Um ou outro jornalista insensato tentava transformar em charme as grosserias de Neymar, que, volta e meia, desacatava os adversários. Tem exemplo melhor do que o chapéu dado em Chicão quando a bola estava parada? O zagueiro corinthiano revidou a ofensa com um empurrão.

Lembro de uma outra atitude grosseria dos meninos da Vila. A diretoria santista agendou uma visita do time numa instituição que cuida de crianças vitimadas pela paralisia cerebral. Para lá foi o elenco. Quando chegaram no local e souberam que a instituição era mantida com doações de pessoas Kardecistas, os jogadores protestantes (que adoram se denominar "evangélicos"), liderados pelo zagueiro Sandro Blum, decidiram não realizar a visita. Por isso, ficaram dentro do ônibus cantando pagodes. Um dos mais animados com essa atitude foi Neymar. Sinceramente, o que esses sujeitos fizeram foi um ato de hipocrisia. Infelizmente, há gente que passa a mão nas cabeças desses cidadãos alienados.

Voltando ao clima do clássico. O jogo seria realizado na tarde de domingo. No meio daquela semana, o Santos jogou pela Copa do Brasil contra uma equipe mato-grossense. Aplicou uma sonora goleada no adversário. O resultado encheu de soberba os atletas do Santos, ao ponto deles não sentirem embaraço ao afirmar que o Palmeiras era como o time derrotado na Copa do Brasil. E que, por isso, iria perder tomando 10 gols.

Chegou o domingo. Equipes em campo. O juiz apitou o começo do jogo. A torcida santista lotou o estádio e viu sua equipe dominar os primeiros minutos. Não demorou muito, aos 10, Pará tocou para as redes e botou os donos da casa na frente do placar. Começaram as dancinhas ridículas na comemoração do gol. O jogo continuou com os santistas mostrando superioridade. Fizeram o segundo gol, aos 30, com Neymar aproveitando jogada de contra-ataque. E tome mais dancinha ridícula na comemoração.

Com a vantagem no placar, o time santista passou a jogar de salto alto, fazendo uma gracinha aqui, outra ali. Não acreditava que o adversário pudesse incomodar de alguma forma. Mas o imprevisto aconteceu. A equipe Verde foi, aos poucos, corrigindo os defeitos e tomando conta do jogo. Foi assim que chegou ao empate com dois gols anotados por Robert (aos 40 e 42). A torcida santista teve que calar a boca. O juiz apitou o final do primeiro tempo.

Não sei o que os treinadores disseram para os jogadores no intervalo. Quero crer que Zago mandou os palmeirenses para o ataque, fazendo eles perceberem que os santistas são só um bando de fanfarrões e nada mais. Se esse foi o discurso do técnico, com certeza, foi bem assimilado pelos seus comandados. Com o reinício do jogo, o Palmeiras mostrou que não foi à Vila Belmiro para passear. O time melhorou o entrosamento e, aos 11 minutos, Diego Souza fez um belo gol. O placar era favorável aos visitantes. A torcida santista fez silêncio.

A mudança no placar fez a equipe da casa tira o salto alto, abandonar o rebolado e as dancinhas ridículas para jogar futebol. A soberba foi deixada de lado, era preciso correr atrás do empate. Mas não foi fácil conseguí-lo, qualquer contra-ataque palmeirense fazia aumentar o nervosismo dos garotos santistas. Todavia, o empate aconteceu, aos 34, com o gol anotado por Madson. A igualdade melhorou a vida santista?

Não foi isso que aconteceu. O nervosismo do time continuou em campo. Após o gol do empate, o Santos perdeu Neymar. Ele fez uma falta desnecessária num jogador palmeirense. Por já ter cartão amarelo, o juiz o expulsou. Um cronista puxa-saco enfatizou que esta foi a primeira expulsão do sujeito como jogador profissional. Bem feito! Expulsão mais do que merecida.

Com um jogador a mais, o Palmeiras aumentou o bombardeio na área santista. Aí foi só procurar as brechas na defesa dos donos da casa e apostar no erro eles. Foi o que aconteceu, aos 41, quando Robert percebeu o goleiro adiantado e tocou para as redes. Estava decretada a vitória do Palmeiras. E tome dancinhas ridículas para ironizar os jogadores adversários e a sua torcida. Aliás, uma dessas coreografias ganhou a mídia, ficou conhecida como Armeration, por causa da habilidade coreográfica do eficiente Armero. Depois só tocar a bola e esperar pelo apito final.

Fiquei orgulhoso de minha equipe. Os jogadores do Palmeiras ensinaram aos santistas, que jogaram em casa, uma importante lição: respeito e humildade são atitudes úteis em qualquer lugar. Os caras tiveram que baixar a bola. Setores da imprensa tiveram que conter a euforia exagerada e a puxação de saco irresponsável. Coube à Sociedade Esportiva Palmeiras dar uma aula de futebol aos torcedores que foram à Vila Belmiro. E deu!
Aroldo José Marinho


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