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20 março 2008

Valeu Chiara!


Provavelmente, o fato marcante do dia 14 de março foi a notícia divulgada na Itália sobre o falecimento de Chiara Lubich. Às duas horas da madrugada, do horário de Brasília, a fundadora do Movimento dos Focolares completava sua jornada neste planeta. A italiana de 88 anos, nascida na cidade de Trento, no norte do país, partia para o paraíso, lugar destinado às pessoas justas e bondosas.
Talvez alguns leitores e leiroras deste blog tenham vontade de perguntar quem foi Chiara Lubich e por que sua morte é aqui citada?
Bem, vamos por parte. Conto um pouco sobre Chiara. Ela nasceu no dia 22 de janeirode 1920, numa família de trabalhadores. Seu nome de batismo é Silvia. Posteriomente adotou o nome com que ficou conhecida devido a admiração que sentia por Santa Clara de Assis (Chiara significa Clara em italiano). Como muitas jovens de sua geração, ela esteve ligada às atividades de formação católica. Foi numa delas que, em 1939, intuiu que sua caminhada pessoal estava intimamente ligada ao exercício autêntico da fé cristã.
Por causa da Segunda Guerra Mundial, muitos jovens tiverem que abrir mãos de seu projetos pessoais. Com Chiara não foi diferente. Com as universidades fechadas, ela não pode estudar Filosofia. Porém, embasada nos valores do Cristianismo, junto com outras moças, começou uma experiência de vida comunitária onde a intenção básica era viver para realizar o testamento de Jesus (Pai que todos sejam um).
Depois da guerra, cresceu o número de pessoas que desejam viver com radicalidade a proposta de Chiara e de suas primeiras companheiras. Essas pequenas comunidades deram origem ao Movimento dos Focolares, que Chiara fundou em 07/12/43, que, depois de solidificar sua vida na Itália, alcançou a Alemanha, a Suíça e outros países europeus. Em 1958, o Movimento chegou ao Brasil, estabelecendo sua primeira sede na cidade do Recife, capital pernambucana. Um curiosidade: O Brasil foi o primeiro país não-europeu a receber o carisma dos Focolares.
A proposta de viver a unidade entre os povos foi bem acolhida, primeiro entre os católicos, nos outros ramos cristãos (reformados, luteranos, ortodoxos, etc). Posteriomente, judeus muçulmano, budistas, animistas, entre outros, começaram a compatilhar da experiência de unidade. Por fim, a experiência de Chiara e dos Focolares chegou ao âmbito das pessoas que não expressam nenhuma convicção religiosa mas que comungam da idéia de alcançar um mundo solidário e justo. Atualmente, o Movimento dos Focolares encontra-se nos cinco continentes, em 182 países.
Durante décadas, o Movimento tem oferecido sua contribuição para um autêntico diálogo. Não somente no campo da religiosidade. São conhecidas as ações de promoção de promoção do povo Bangwa (de característcas tribais) na República dos Camarões, na Àfrica; os empenhos da Economia de Comunhão no Brasil e em outros países da América Latina; a ação de evangelização nos países do leste europeu durante o período de dominação socialista. Muitas contribuições podem aqui ser citadas. Mas o espaço para isso, certamente, seria pequeno demais.
Por causa de sua radicalidade na fé, sua fidelidade a Jesus Abandonado e sua coerência cristã, a vida de Chiara inspirou muitas pessoas a seguirem na estrada por ela descoberta. O Movimento por ela fundado atraiu e, continuará a atrair muitas pessoas. Neste sentido, é correto que Deus se vale dos pequenos, dos que têm bom coração para ensinar as suas verdades ao mundo.
Certa vez, em 1992, escrevi uma carta para Chiara Lubich. Contei para ela que fiquei fascinado com sua descoberta e pedi que me indicasse uma frase do evangelho na qual eu pudesse espelhar minha vida. Na carta de resposta, ela citou que o nome Aroldo significa o Campeão, aquele que não tem medo. Ela me pediu para ser um campeão na unidade. Quanto à frase pedida, ela me sugeriu adotar: Vós sois o sal da terra (Mt. 5,13). Sempre que me sinto triste ou desmotivado, lembro do significado de meu nome e da frase sugerida por mãe Chiara e sigo em frente. Este método nunca falhou.
Agora ela está num plano superior de vida. De lá, contempla nós que ficamos. Intercede e torce para que nossas ações sejam concretas e autênticas; para que saibamos superar nossas dores com dignidade; para que possamos ser sempre instrumentos de unidade. Paro de escrever. A emoção é maior que o relato. Por isso, me uno às pessoas que andaram escrevendo nos msns da vida Grazie Chiara! (Obrigado Chiara)! Mas o coração brasileiro me mandar gritar:
Valeuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu Chiara!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Aroldo José Marinho




03 março 2008

Chora de alegria?

O juiz apitou e a alegria tomou conta da grande cidade. Viva! Viva! Viva! Mais do que depressa, a torcida entôou o santo nome pelas ruas. Valdívia! Valdívia! Valdívia! Este foi o desfecho lógico e justo. Claro!
Infelizmente, não pude acompanhar na íntegra ao jogo. Acabou o primeiro tempo, tive que fazer coisas importantes. Mas o coração estava focado na direção do Morumbi e, junto com outros corações sinceros, entoando um hino poético e sagrado: E DÁ-LHE PORCO! E DÁ-LHE PORCO! OLÊ! OLÊ! OLÊ! E deu certo: além de olê, a equipe deu olé no time da segunda divisão. Alguém pensou que seria de outra forma?
Elogiar o time capitaneado pelo santo goleiro Marcos é preciso. Mas citar el mago Valdívia, é uma necessidade. Sabe o que é querer jogar futebol e ver suas pernas virarem alvo preferencial de marcadores poucos habilidosos? Não é nada fácil. Também não deve ser fácil conviver com a indiferença dos juízes que acobertam essas atrocidades e só mostram o cartão para a vítima. E, ainda por cima, vem um outro jogador adversário, sem nenhuma expressão, chamar o craque de chorão. Pode uma coisa dessas? Num futebol desorganizado como o nosso, pode.
Mas Deus existe e faz justiça. Fez ontem. Permitiu que a melhor equipe saísse vencedora e que o gol fosse feito pelo genial artista chileno. A suprema justiça foi feita!
Sem mais delongas, preciso agradecer ao Valdívia pelo jogo de ontem. Se choramos, foi de emoção, de pura alegria. O mesmo não se pode dizer de uma equipe que muito terá que chorar durante a campanha da segunda divisão.
Viva o nosso mago!!!!!
Aroldo José Marinho

25 janeiro 2008

Aniversário de Sampa, festa hoje e sempre.





Salve o dia 25 de janeiro. O dia do aniversário da cidade de São Paulo. A mais importante metrópole do país. São 454 anos. Ela é quatrocentona, de verdade. Mesmo assim, nunca perdeu (e não pederá) aquela aparência de modernidade que, aliás, é o seu charme. Muita coisa ela tem a dizer para todos os nascidos no Brasil. Foi em São Paulo que começou o movimento industrial brasileiro. Foi lá que os ideias de liberdade fizeram oposição aos desmandos de governos tirânicos; onde teve início o movimento modernista que tanto influenciou a arte do Brasil. Poderia citar outros exemplos, mas creio não ser necessário.

Aproveitando o aniversário de São Paulo, quero dizer, Sampa, quero fazer minha homenagem a esta importante cidade. Para ela, dedico dois textos. O primeiro foi escrito no dia em que aconteceria a corrida de São Silvestre. Eu estava em frente à televisão vendo imagens anteriores à corrida e relembrando minha primeira visita à cidade. O segundo texto é uma referência romântica para a capital paulista, tão grande e especial que, muitas vezes, parece uma grande mulher.

Conheço São Paulo. Fui três vezes naquela cidade. Em todas as vezes, fui bem recebido pelo povo paulistano. Admiro alí o jeito elétrico que move a vida dos cidadãos de lá. Lembro da frase de Caetano Veloso: "São Paulo é como o mundo todo". Ele tem razão, a cidade é superior aos percalços, segue sempre adiante.

Sei que há pessoas que gostam de fazer mil e tantas críticas à São Paulo. Eu, ao contrário, sempre encontro algo de belo naquele lugar. Parabéns São Paulo!

Aroldo José Marinho


Para Sampa
Aroldo José
Eu conheço tuas ruas,
Tuas calçadas,
Tua gente bonita
Que anda apressada e feliz.

Já provei do teu sabor,
Teus aplausos, risos,
Tua cultura multi-étnica
Que fez o meu medo desaparecer.

Eu conheço teu jeito,
Tua elegância invisível,
Teu charme europeu discreto.

Eu já sei da tua dor
E da tua alegria,
Teu painel colorido,
Teu metrô veloz.

Já descobri teu mistério,
Já conheço a Brigadeiro,
Já senti teu perfume na paulista,
Já me descobri paulistano.

Já sei da tua paisagem
E, sobretudo, já sei do teu amor
De verde-porco palmeirense.

Eu já vivo a tua vida:
São Paulo!
Macapá, 31/12/93


Paulistano Amor
Aroldo José

Não sei se é tudo por amor
Ou se foi só um sonho bom que tive
Porque lembrei dos seus olhos
E iluminei minha rua com a luz do seu olhar;
E a lua fez um sinal no céu: era o tempo,
O tempo de querer seu caminhar.

Paulistana vida, paulistano amor.

O que restou foi a emoção de lhe ter,
De querer seguir no seu passo veloz,
Oh! Mulher veloz, como a chama da cidade;
Que me consome de dor e beleza.

Paulistana vida, paulistano amor.

E a dor do Verde me fez chorar,
Apagaram meu fogo, cortaram minhas asas;
Para eu não lhe encontrar,
Para eu não delirar
Nem brincar de erguer sua taça.

Paulistana vida, paulistano amor.

Paulistana é a dor do Mário magro
Que lhe encantou,
Do louco Oswaldo que lhe desvairou
Paulistana é a minha dor, que é amor:
Que é paixão transformada em ardor.

Paulistana vida, paulistano amor.

Macapá, 21/09/95

27 dezembro 2007

Vem prá cá

Com algum atraso, saúdo vocês leitores e leitoras. Que a festa natalina tenha sido muito bela, digna da alegria de vocês. E mais, torço para que 2008 seja um ano de realizações. Que vocês tenham mais motivos para as comemorações. Também espero que as dificuldades nunca sejam maiores que a vontade de crescer e superar obstáculos.
Agradeço os comentários generosos e carinhosos deixados por vocês. Tenho consciência de que não sou merecedor das opiniões de vocês sobre meus textos. Sei que, ainda, tenho que melhorar. Porém o incentivo de vocês me comove.
Antes de lhes envio um texto que foi escrito em Macapá, em 1985, conto uma historinha. Eu estava caminhando por volta das 19:00, ia para uma reunião. De repente, uma garoa começou a cair. Apressei o passo. À medida que caminhava, um texto em veio na mente. Para não esquecer, comecei a repeti-lo até chegar ao local da tal reunião. Chegando lá, peguei uma folha de papel e escrevi o texto de uma vez só, sem alterar nada do que me veio à mente.
Depois mostrei apra algumas pessoas. Elas adoraram. Mostrei para outras, que adoraram também. Agora lhes mostro. Espero que gostem.
Obrigado! Beijos e abraços!
Aroldo José Marinho


Vem prá cá
Aroldo José

Vem prá cá!
Me contar uma história.
Vem prá cá!
Desvendar meu segredo.
Vem falar
Sobretudo o que eu fiz,
Não fiz.


Vem dizer:
Contigo eu não estou só.
Vem lembrar
Daqueles nossos avós.
Vem dizer
Que o que eu fiz ontem
Mudará amanhã.


Vem chamar!
Convida prá passear
Pelo teu jardim,
Pelo teu país;
Nos teus domínios,
De muitos fascínios.


Vem prá cá!
Me contar uma piada.
Vem contar
Aquela bem animada.
Vem falar
Que esse encanto
Nunca se quebrará.


Vem prá cá!
Me contar uma história.
Vem prá cá!
Ficar junto comigo,
Juntos no meu abrigo.
Vem prá cá!
Eu te peço:
Vem prá cá.

Macapá, 20/05/85

18 dezembro 2007

Vídeo-jockey

Bem... que graça tem um cara escrever textos poéticos e não dedicá-los, pelo menos uma vez na vida, à uma musa? Resposta: nenhum sentido. Então, posto este texto escrito em Belém. Era o ano de 1996. A MTV mostrava em seus programas rostos interessantes. Não interessava se suas apresentadoras, as Vídeo-Jockeys (VJs), sabiam alguma coisa de música. O negócio era mostrar beleza. E isso elas tinham de sobra para dar, emprestar e vender.

Uma delas mereceu atenção. Quem? Christine Niklas (a moça da foto ao lado), é lógico. Por quê? Bem... não interessa. Por que fazer perguntas se há um texto aí embaixo para ser lido como se fosse a homenagem mais singela da face da terra?

Boa leitura!
Aroldo José Marinho

Vídeo-jockey

Aroldo José

Mostra teu rosto,

Anuncia uma nova canção

E uma nova imagem.


Mostra tua beleza,

Estranha e comum.

Ao mesmo tempo

Inspirada e também banal.


Mostra tua novidade,

Teu talento para

Hipnotizar a cidade;

E não deixar

Ninguém procurar outra paisagem

Que não seja reflexo do teu olhar.

Belém, 09/06/96

Para Christine Nicklas


Irritação


Estava mexendo nos meus arquivos, procurando um texto para oferecer às pessoas que me honram com sua visitas ao meu blog. Confesso que não estava conseguindo encontrar um texto que estivesse à altura das visitas aqui recebidas.
Foi então que encontrei este aqui. Não sei se é muito ou pouco poético. Mas me lembrou, um pouco, a energia do trabalho de Tom Zé. Who's that Tom Zé? O baiano tropicalista, parceiro de Caetano e Gil, que alguns davam como morto artisticamente. Mas os gênios só adormecem. Esperam o momento de serem acordados para oferecerem suas preciosas pérolas os donos dos ouvidos massacrados por tanta idiotice. Haja música de corno e pagode idiota no país.
Bem... sem muito papo, vamos ao textos que mereceu o comentário feito acima.
Aroldo José Marinho

Irritação

Aroldo José

Vá cuidar da sua vida

E não me chateie mais.

O mundo por si só já é complicado,

Não venha destruir minha paz.

Faça tudo que é necessário,

Pague as contas e regue a flor.

Depois feche as cortinas,

E fique em casa curtindo a sua dor.


O que era causa de alegria,

Era e esqueceu o caminho.

Quem acreditou na falsa promessa,

Ganhou o passaporte rumo à melancolia.


Tipos estranhos estão por aí a girar,

São seus companheiros de limbo.

Corra ao encontro deles. Leve seus desatinos,

Não venha mais me perturbar.

Rosto de pedra, coração que parou

E que não sabe que já não existe mais.

Tenta esconder a tristeza,

Faz de conta que nunca chorou.

Brasília, 17/11/98


Desejo na madrugada


Há momentos na vida em que nada parece ter sentido. Apesar das coisas atraentes mostradas na televisão o dia inteiro, dos agitos anunciados como salvação da humanidade para nossa inesquecíveis noites, etc. Nada! Chega a madrugada e fazemos uma bela descoberta: nada não só parece não ter, como não tem mesmo nenhum sentido.

O que fazer para vencer a monotonia e melancolia que surgem nesses momentos? Tem gente que se desespera e aceita a primeira pregação religiosa que encontrar na esquina. Sai de uma chatice para entrar noutra. Eu proponho um caminho de sensatez para não aceitar a amolação destes pseudo-salvadores da raça humana.

Que tal ouvir música?

Good!!!!! Que música? Rock'n'roll, ora bolas.

É mole ou quer mais?
Aroldo José Marinho

Desejo na madrugada

Aroldo José

Já é madrugada e eu continuo aqui,

Escrevendo novos versos sobre um velho sentimento:

A dor de querer e não pode fazer

O mundo dançar no ritmo de um bom rock'n'roll.


Devo dormir mas não quero sonhar de novo

Aquele filme onde sou o mocinho ingênuo

Que foi condenado a assistir filmes de terror.

Quero ter olhos para contemplar seu sorriso,

Ouvidos para escutar sua boca dizendo

Que hoje faremos revolução.


Todo mundo escuta o bater do tambor

Mas minha cabeça insiste em não dançar

Na tribo do índio neo-capitalista


Enquanto houver folia de boi e de vaca.

Celebrarei a loucura de alguém assim

Que não se perder de si próprio

Nem deixar que a mídia envolva

A certeza de que, depois do novo dia,

Eu serei muito feliz, após descobrir,

Que meu estilo é de louco aprendiz.

Belém, 28/110/96


01 outubro 2007

Melhores e segundos






































Ontem eu assisti ao jogo final da copa do mundo de futebol feminino. Fiz uma torcida muito grande por nossas aguerridas meninas. Porém a coisa não saiu do jeito que eu desejei: o título foi de vice e a medalha, de prata. Porém lembrei do esforço que essas atletas fazem para praticar esporte num país onde o apoio dado é nota zero. Logo, me senti orgulhoso de nossa equipe. Também percebi algumas coincidências que quero dividir com vocês agora.

O jogo de ontem foi a versão feminina da decisão da copa do mundo de 2002. Assim como ontem, brasileiros e alemães decidiram a copa promovida na Àsia. Eles no Japão. Elas na China. Nos dois jogos o placar foi 2x0. Os gols saíram no segundo tempo tanto no Japão quanto na China. No masculino deu Brasil. Mas as moças da Alemanha deram o troco ontem. Curiosamente, a pessoa escolhida como melhor da competição estava na equipe derrotada. Oliver Kahn, goleiro alemão, foi eleito o melhor jogador (em que pese as contestações das pessoas que queriam premiar Rivaldo). Na disputa feminina, não houve dúvida: todos apostavam em Marta antes mesmo do início da competição.

Kahn e Marta foram eficientes durante as duas copas. Só erraram no momento da decisão. O goleiro falhou ao soltar uma bola nos pés de Ronaldo e que culminou com o primeiro gol brasileiro. Nossa camisa 10 desperdiçou o pênalti que poderia mudar a história do jogo. Vale lembrar que foi só na última partida que ele e ela falharam. De certa forma, ambos confirmaram a afirmação popular de que nem sempre o é o vencedor.

Dos dois jogos ficaram lembranças de um futebol vistoso, fascinante. Foi bom ter visto esses jogos. Espero que outros desse nível possam ocorrer.

Creio que escrevi demais por hoje. Tudo de bom para vocês sempre.
Aroldo José Marinho

04 setembro 2007

O sangue da flor









Uma saudação de de alegria eu dedico às pessoas que visitam este blog. É verdade que não o atualizo com freqüência. Faço mea-culpa. Procurarei ser eficiente neste item.

O texto que publico hoje já foi, anteriormente, postado. Foi escrito há dez anos para homenagear Diana Spencer, falecida em Paris, no dia 31 de agosto de 1997, num acidente automobilístico. Sua morte causou comoção mundial por causa das circunstâncias. Ela e o namorado Dodi Al Fayed tentavam fugir da curiosidade e das lentes dos fotógrafos paparazzi nas ruas de Paris. O acidente foi inevitável.
Este fato me indignou. Não tive a intenção de escrever sobre uma princesa. A homenageada era, na verdade, uma mulher lutando pelo direito de viver em paz. Mas nem sempre é fácil convencer as outras pessoas de que o direito à privacidade é algo sagrado. Boa leitura!
Aroldo José Marinho


O sangue da flor
Aroldo José
Já faz um certo tempo que um poeta brasileiro,
Sem dúvida, o maior e o melhor de todos,
Prestou homenagem ao homem do povo:
O genial Chaplin, o vagabundo.


E como disse, já faz um certo tempo.
E agora outro poeta esforçado,
Não tão iluminado quanto o grande Drummond,
Ergue sua voz em honra de outra personalidade britânica


Ao saber que veio a notícia
de que morreu uma princesa,
Uma mulher que procurava a felicidade.
Alguém que queria ser um simples alguém.



Mas eis que a tranqüildade é vã
E que surge alguém atrás da melhor pose.
Niguém quer saber sua opinião:
"-- Posso fotografá-la senhora?"
"Paparazzo", "paparazzi", papagaio!
"-- Lá vai ela!"
"-- Atrás dela!"
"-- A melhor pose é de quem chegar primeiro."


A bela só queria ser feliz,
Ter um amor verdadeiro.
Mas a vida é assim:
Por amor se morre,
Pela fofoca se mata.
Assim é a vida.


Então ela fugiu.
Mas para toda borboleta bonita
Que voar neste jardim,
Haverá um monte de caçadores,
Colecionadores da vaidade,
Jardineiros da flor da morte.


Oh mulher! E o seu sangue fica espalhado pela rua,
Sua face exprime sofrimento.
Alguns gritarão o seu nome incessantemente,
A flor ferida, a flor despedaçada.
Todavia os abutres pensarão sobre o quanto é belo
Registrar o sofrimento da flor.
Quanto sangue,
Quanto perfume,
Que pose bonita ela empresta ao sofrimento.


E sua beleza é contemplada pela insensatez.
Talvez este lamento seja invalidado
Por opiniões sobre ir e vir,
Entrar e sair das vidas alheias


Ela era apenas uma mulher.
Apesar de tudo,
Apenas uma mulher.
Porém ninguém quer saber da mulher,
O mito é maior.


Assim é o mundo do fim do século:
Registrar a vida é preciso.
É um serviço público,
Mesmo que isso atrapalhe o viver alheio.


Nossas vidas, pobres vidas.
Grandes espetáculos jornalísticos,
Propriedades públicas.
Pessoas viram imagens
E imagens não têm direito ao respeito,
Não têm dignidade.


Por fim, a morte!
A flor deixou de enfeitar o jardim,
Ninguém sabe o que aconteceu.
Tudo tão rápido,
velocidade ultra-máxima,
Destroços... sangue... morte...
A flor em pedaços...


Agora é hora de chorar,
Os espinhos machucaram a flor.
Porém o mais importante para os construtores da notícia,
É poder registrar a perda do sangue,
A perda do encanto,
A perda da vida.


Passou o tempo, a flor virou semente
E foi plantada no fundo dos eu quintal.
o mundo viu a flor-princesa descer ao solo.
A lágrima era real,
Outras flores cobriram a eterna morada da flor-mulher.


Para cada flor que fenece,
Nasce outra flor noutro jardim.
Tão bela quanto a anterior,
Talvez até mais bela.


Mas, mesmo com o desencanto,
O espanto,
O assombro,
A foto indiscreta não disfarçará
A dignidade humana,
O direito de felicidade de toda mulher


Belém, 19/09/97
Para Diana Spencer

04 julho 2007

Festa de mais um amigo


Faço uma saudação de alegria para os meus leitores e as minhas leitoras. Obrigado pelo carinho explicitado nos comentários. Hoje é mais um daqueles dias que este blog deixa de lado, temporariamente, sua função de divulgador de textos poéticos (meus e de outras pessoas) para fazer um registro de aniversário. Não é coluna social mas há pessoas que merecem eterna citação neste espaço. Aqui foram citados os aniversários de Julie e Daniel. O mesmo faço neste quatro de julho, data da independência norte-americana e, principalmente, de Celso Antonio Pereira.
Quem é o sujeito homenageado? Por que ele merece tal citação?
Celso é um carioca criado no Distrito Federal (DF). Um cara de muito caráter e consideração. Alguém a ser sempre respeitado e aplaudido. Eu o conheci em 2005, período em que conheci Rosemaria, ela é prima de meu pai e mora no DF desde os anos 70. Celso é esposo dela.
A história dos dois é impressionante e bonita. Rose foi afastada da família natural e depois de andar, um pouco, com a família adotiva pelo país, se instalou aqui no DF. Não foi uma coisa fácil. Muita chateação. Muita incompreensão. Sua história poderia ser letra de um blues. Mas diferente da poesia de Drummond, no meio do caminho de Rose apareceu um Celso e não uma pedra. Aí, o negócio virou alegria e mais uma história de amor aconteceu.
Quando soube que meu pai tinha uma prima morando na mesma cidade que eu, fui visitá-la. Aí conheci o Celso e fiz uma boa amizade com ele. Volta e meia, trocamos informações sobre muitos assuntos. De modo especial, música e poesia. Vale dizer que ele é um poeta que merece atenção. Provas disso podem ser encontradas no me blog.Ele me pediu ajuda para montar um blog fotográfico (www.celso-fotos.blogspot.com). Fui auxiliá-lo. Volta e meia, sou chamado pelo amigo para colaborar na postagem de novas fotos.
Sobre o Celso há muita coisa boa para dizer. O cara é da pesada. Tem dignidade. Todo mundo sabe disso. Falar bem dele é chover no molhado. Todavia não esqueço que vivo num país onde as notícias ruins tomam conta do cenário. Cada dia, um fato violento, um desrespeito vindo dos bandidinhos da classe média ou da classe política. Então, é importante citar as situações boas, as pessoas boas. Por isso, eu cito com respeito e orgulho Celso Antonio Pereira. Feliz aniversário grande amigo!
Aroldo José Marinho

18 junho 2007

Amor escondido




O amor é uma necessidade humana, um sentimento que nunca vai morrer mesmo que desapareçam todos os amantes da Terra. No último dia 12, houve comemoração do dia dos namorados. Gosto da data, não pelo seu significado. Mas porque nos faz pensar com maior atenção nas pessoas que amamos tanto e desejamos transfomá-la na outra parte nossa. Além disso, como a maioria das pessoas do mundo ocidental, para mim, o dia dos namorados, de verdade, é 14 de fevereiro. Neste dia, pedimos ao bom São Valentino para interceder para Deus nos fazer sempre capazes de perceber que o amor é construido diarimente, com esforço, diálogo e muito carinho.
Para finalizar o discurso, publico um poema que escrevi para homenagear as pessoas que amam nos momentos em que tudo nos convida a ignorar as manifestações do coração.
Por favor, leiam e me ofereçam seus comentários!
Aroldo José Marinho


Amor escondido
Aroldo José

Tem gente que ama na sombra,
Que nunca mostra sua paixão.
Mas para amar assim
É preciso amar demais,
Estar muito embriagado,
Cheio de amor.

É preciso ter muito amor
Para suportar a barra
E não demonstrar afeto
E não se deixar vencer
Nunca pela dor,
Pelas agruras da solidão
Nem esperar acontecer
Um milagre que sirva
Como redenção.

Nada pode ser mostrado:
O ciúme nunca é citado;
O sentimento sempre se cala
E faz o amor sofrer.

Tam gente que ama escondido,
Que não mostra para o mundo
Sua paixão
E administra os perigos
De ousar e ter que calar;
De não poder comunicar o bem
Que lhe faz o amor;
Que enxuga as lágrimas na cozinha
Para o mundo não saber
Que, por trás de uma face feliz,
Há uma pessoa que sabe o que é sofrer;
Que guarda da paixão a cicatriz.

Brasília, 24/01/07

23 maio 2007

Amar é para ser

Há pouco tempo, divulguei neste blog um texto de Paola Vannucci (a moça do sorriso bonito que aparece aí, na foto, de camiseta branca). Ela é uma moça paulistana exilada em Curitiba. De lá, a moça da alma poética espalha sua arte para este país e para as galáxias mais próximas. Como ela faz isto? Simples, através de um blog muito interessante: o http://pvannucci.blogspot.com
A divulgação de seu texto no meu espaço teve uma repercussão acima do normal. Diversos leitores escreveram suas impressões de alegria por causa do poema escrito por ela. Quem, ainda, não teve a chance de conhecer o trabalho dela, não pode deixar de passear por este lugar de tranquilidade que é o blog de Paola.
A reação dos leitores me fez querer publicar outro texto de Paola. Então eis aqui "Amar é para ser", que é, ao mesmo tempo, uma injeção de otimismo e um convite a nunca parar de acretidar no amor que é, de fato, um dom maior.
Eu li e gostei bastante. Claro que me emocionei! Agora é a vez de vocês. Leiam e não esqueçam de registrar suas opiniões sobre esta pequena peça da grande arte de Paola Vannucci.
Aroldo José Marinho


Amar é para ser

Paola Vannucci
Quando o amor está em causa,

Não quero ter

Apenas quero ser.

Ser é amar, é viver.

Ter é ter certeza de não mais amar.

Por isso eu não o tenho,

Apenas sou,

E me faço ser notada por simples jeito de ser.

Eu amo,

Assim dou espaço àquele que me ama...

Deixo de ter amor para

Ser amor.

Deixo de ter ardor para

Ser puro amor.

E,

Amar é para ser.

E,

Não para ter...

03 maio 2007

A Paixão

Hoje eu lhes apresento uma poeta genial que chegou há pouco tempo em minha vida. Ela é Paola Vannucci, uma paulistana que espalha seu talento pelas ruas frias e européias de Curitiba. Sua poesia é urgente e terna, cheia de sacações e propostas de encontro; uma mistura de ternura com música. Eu poderia continuar a escrever mais coisas sobre o trabalho de Paola. Mas seria tudo inútil. O que cada leitor deste blog precisa mesmo é dar um passeio pelo poético blog da moça.
Aqui vai um pouco deste grande talento. Leiam e depois me ofereçam comentários. Garanto que ela saberá suas opiniões.
Tudo de bom sempre!
Aroldo José Marinho

A Paixão
A paixão desenfreada que sinto é única e plena
sinto gana
sinto vontade
sinto prazer
não perco jamais por estar apaixonada
não perco brilho
Agarro
agarro o destino com unhas e dentes
a paixão que sinto não me sufoca
mas me liberta
sinto sua força
sou guerreira
sou sem brilho pra alguns
mas pra outros tantos
hummmmmmmmmmmm
me arrepia a alma
a paixão que sinto
é por você vida minha que me alenta
mas me derruba
também ao mesmo me ensina
me engrandece
me faz conhecer gente como tu
adoro esta vida
é uma paixão viver
depois de noite a chorar
ainda bem que sou mulher e choro
pra ter forçar a lutar
pobre dos homens

kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
PAOLA VANNUCCI
02/03/2007

17 abril 2007

Alegria no céu



Geralmente, sempre que faço um comentário sobre alguma pessoa, apresento um texto poético. Hoje farei diferente, vou economizar as palavras. Minha intenção é apenas fazer uma homeangem-citação à grande atriz Nair Bello, que faleceu na tarde de hoje, em São Paulo, onde estava internada, desde novembro de 2006. Com 75 anos, Nair foi vítima de uma parada cardiorrespiratória. Como seu caráter, sua alegria, dignidade e talento já são por demais conhecidos do público que tanto a amava, abro mão de comentários adicionais e encerro aqui.
Viva Nair sempre!!!!
Aroldo José Marinho

07 março 2007

Uma singela homenagem



Saudações às pessoas que sempre visitam este humilde espaço!
Com base num importante fato ocorrido na tarde de domingo (04/03), na cidade de São Paulo, venho aqui fazer minha homenagem.
Desculpem o tom amoroso deste registro. Não deu para segurar.
Viva a diversidade VERDE deste país.
Aroldo José Marinho
Hino da Sociedade Esportiva PALMEIRAS


Letra Gennaro Rodrigues
Música Antonio Sergi

Quando surge o alvi-verde imponente
No gramado em que a luta o aguarda
Sabe bem o que vem pela frente
Que a dureza do prélio não tarda
E o Palmeiras no ardor da partida
Transformando a lealdade em padrão
Sabe sempre levar de vencida
E mostrar que de fato é campeão.

Defesa que ninguém passa
Linha atacante de raça
Torcida que canta e vibra (repete).

Por nosso alvi-verde inteiro
Que sabe ser brasileiro
Ostentando a sua fibra.

16 fevereiro 2007

A Cidade e Você




O texto que segue foi escrito em Belém, na década de 1990. Há nele alguma influência do rock inglês daquele período.
Leiam e depois façam seus comentários.
Harold





A Cidade e Você
Aroldo José
A chuva cai e eu caminho,
A cidade é intensa,
Minha vontade é imensa
E eu caminho pelas calçadas.
Queria tanto que ontem fosse feriado,
Para eu dormir o dia inteiro
E sonhar que lhe tenho
A todo momento,
Sobretudo quando bate em meu peito
A batida do sofrimento.

A cidade que não é a minha cidade
Tem mistérios.
Mas eu só quero descobrir
Qual é o caminho mais rápido
Para chegar em casa.
O time do povo quer o craque de volta,
O irresponsável moleque deseja voltar ao ninho
E , eu só quero você.
Seus olhos claros me olhando,
Dizendo que é bom viver,

Sua casa e nossa casa,
Sua dor e minha alegria,
Seu sangue e meu pouco caso,
Sua pontaria certeira
E minha cabeça levando pontos.

A chuva caiu, vai cair de novo.
Tempo frio e chocolate quente,
Prá gente beber perto da lareira.
Vamos aquecer nossos corpos
Ao som das suas mentiras
Que rimam com a minha insegurança.
Depois, o mundo me tratará como gênio
E lhe chamará de musa.
Seremos tão felizes
Que lhe darei de presente uma blusa
E você me chamará de paixão.

Vou fechar a janela
Prá chuva não molhar nossa casa,
Inundando nossa solidão
E nossa vontade de amar.
Belém, 26/10/96

31 janeiro 2007

Daniel e o dia. De quem?



O gorducho fenômeno jogará, de novo, na Itália. Os deputados se preparam para eleger seu presidente. Jack Bauer continua sua luta contra os terroristas. Etc. Diante de tantos assuntos palpitantes, saúdo com alegria Daniel Amanajás neste dia muito especial. Que dia? O Daniel's day é óbvio. O dia em que tal sujeito deu ao mundo o esplendor de sua chegada.
Mas quem é ele e por que merece tanto registro o seu nascimento? Bem, ele é cara aí da foto junto com Denille e Lilica. O valoroso primo é uma das pessoas mais dignas desta nação sedenta de coisas boas, de alguma coisa que chame mais atenção do que o carnaval-exportação e a babaquices dos big brothers da vida. Daniel é assim, um amapaense que ama o Amapá natal mas sabe admirar a coisa boa de qualquer lugar. Que sempre toma as decisões corretas. Que olha com tranqüilidade e igualdade para o juiz de direito, o faxineiro do prédio, os astros do pop rock e quem mais passar pelas adjacências.
Além disso, ele também é um incentivador da cultura e da integração latino-americana. Exemplo desse empenho é sua ação como tradutor da obra do genial poeta argentino Navi Leinad. Ele traduz e, a seguir, divulga na internet. Sei de pessoas que lêem os textos de Leinad e se emocionam. Claro que o talento do argentino cativa mas não se pode esquecer a ação do seu tradutor, que serve como ponte para que possamos compreender e amar tal obra. Este é Daniel. Ele é a ponte! Ele é o cara!
Legal também citar sua relação com Denille, a esposa. Me sinto a vontade para citar esta união. Fui no casamento deles. Ser padrinho não é fácil. Mas é legal! Ainda mais quando é de gente tão nobre e doce. Um belo par: ela traz o perfume, ele oferece a serenidade. Juntos representam uma força amorosa que nada pode destruir. Às vezes, formam um trio esperto com Lilica, a poodle candanga, lembrança da passagem deles por aqui. Que saudade!
Daniel é assim! Um cara bom: filho, irmão, primo, sobrinho, neto, esposo. Quer mais: bicolor, palmeirense, rubro-negro. Um grande especialista em descobrir talentosas bandas de rock. Quem o conhece pessoalmente pode endossar o que escrevo. Não há exagero! Feliz aniversário! Muitas bençãos na sua vida sempre!
Aroldo José Marinho

17 janeiro 2007

Entre os dois, nenhum!





A imprensa nacional vem noticiando, diariamente, sobre a eleição para a presidência da Câmara dos Deputados, que será realizada no 01 de fevereiro. Os candidatos ao cargos são os deputados Arlindo Chinaglia (PT) e Aldo Rebelo (PCdoB), ambos de São Paulo. Os dois fazem parte da base aliada do governo Lula no parlamento. Na prática, são farinhas do mesmo saco. Como não sou eleitor, esta disputa não deveria chamar minha atenção. Porém sou um brasileiro incoformado com os rumos da vida política nacional. Não posso me omitir.

Se eu fosse eleitor, certamante, não votaria no petista nem no comunista. Por que? Basta dar uma refrescada na memória e lembrar que, como membro da liderança do PT, Chinaglia fez a defesa veemente dos parlamentares envolvidos no escândalo do mensalão. Tentou convencer à opinião pública da inocência de José Dirceu e outros coleguinhas. Rebelo (que tenta a reeleição) não fica atrás. É verdade que não teve atuação tão desastrosa no caso do mensalão. Todavia não se pode esquecer da defesa feita por ele do aumento de 91% que os líderes partidários deram aos parlamentares. Detalhe: Chinaglia era um dos líderes defensores da medida. O vergonhoso aumento revoltou à sociedade, gerou os protestos mostrados em duas fotos da postagem e só foi superado por um ato da justiça federal.

Estes são os candidatos apoiados pelo presidente da república. Estranho que um governo que se pretende defensor das classes desfavorecidas tenha, entre seus colaboradores, políticos que parecem estar mais envolvidos na defesa de seus privilégios. Pior, quando se verifica quem são os apoiadores dos candidatos. Com Chinaglia estão o PMDB, o partido mais fisiológico do Brasil, e os partidos da base aliada do governo (PL, PTB, etc). Até Severino Cavalcanti, o nefasto, votou à ribalta para fazer campanha para o petista. Este, ao justificar o apoio a Chinaglia, disse que " deputado gosta de carinho". O carinho citado por ele é sinônimo de compensação financeira. Também não é possível esquecer que a maioria dos envolvidos no mensalão pertence à base governista. A candidatura de Rebelo tem como suporte os deputados do PFL. Que coisa irônica, um candidatura comunista ser alicerçada por um partido de direita.

Diante deste quadro pessimista, é importante que surja uma terceira candidatura que, de fato, represente, uma resposta a série de absurdos acontecidos na Câmara. Ontem (16/01), o grupo chamado de Terceira Via lançou a candidatura do deputado Gustavo Fruet (PSDB- PR). Segundo os analistas, a entrada de Fruet na eleição dá a certeza de que haverá segundo turno. Não sei ao certo. Tomara que sim. O pouco que conheço do deputado paranaense me faz ter certeza que sua entrada, trará um pouco de ética (artigo em falta na política nacional) à desgastada movimentação da Câmara.
Aroldo José Marinho

08 janeiro 2007

Eterno

Vim aqui fazer uma homenagem para Denille Moreira Amanajás. Mas quem é a figura homenageada? Por que merece este espaço? Para a primeira pergunta, a resposta é rápida: ela é esposa de meu primo Daniel Amanajás, tradutor para o português da obra do poeta argentino Navi Leinad. A segunda resposta é óbvia: para saudar seu aniversário que aconteceu no dia 07. Por isto, este texto chega atrasado. Deveria ter sido publicado ontem. Porém, não foi possível acessar a internet no Denille's Day. A citação ficou para hoje.
Tenho uma amizade especial com Daniel. Aprecio nele o caráter e a dignidade com que se coloca diante das situações que a vida lhe impõe. Então aprendi a valorizar as escolhas feitas por ele nos mais variados níveis. Aqui é que entra Denille, que conheci através de Daniel quando eles vieram morar no Distrito Federal (DF). Era um casal de namorados interessante. Deu para perceber que ela é legal. Além do mais, se faz dupla com Daniel, é porque é uma pessoa a ser sempre olhada com carinho e respeito.
Algumas vezes, deu para conversar com ela sobre espiritualidade, sonhos profissionais, música, etc. Pude perceber que Denille tem uma qualidade que considero importante: gostar das pessoas pelo que elas são e não pelo que têm. Depois o tempo foi passando e os namorados decidiram oficializar a união. Me chamaram para ser testemunha (na prática, padrinho) do lance. Fui lá com muita honra, também com um pouco de orgulho (rs).
Poderia escrever mais coisas em honra do Denille's Day. O problema é que faltam palavras. Então, simplifico tudo com duas citações. A primeira é "Como sou girassol você é meu sol." É de uma música do IRA!, grupo muito querido por Daniel. A outra citação é o poema "Eterno", publicado originalmente no www.navileinad.blogspot.com, que Daniel traduziu para o português. É necessário dizer que ele é o autor da foto que ilustra o texto?
Por hoje é tudo! Feliz aniversário Denille!
Beijos e saúde!
Harold




Eterno

Penso viver...
Você sobrevém
indicando sentido
em minha existência.

Procuro entender...
É substancioso
e enfraquece o que eu
sempre tento acreditar ser.

Não desisto...
Se perco a luta íntima
volto a existir
sem viver.

Então compreendo...
Só você me liberta
da tormenta interior.
Resgata em mim
apenas o que é puro
E torna eterno
um sentimento
que é uno.





02 janeiro 2007

Mudanças


Retomo o velho e saudável hábito de apresentar textos de poetas aos leitores do "blog". Hoje apresento "Mudanças", texto de Rêgo Júnior, poeta maranhense, radicado no DF. No trabalho dele, é possível perceber a influência (publicamente assumida) de Paulo Leminsky. Uma boa influência.
O texto foi publicado, anteriormente, no Recanto das Letras, na edição de 29/12/2006.
Leiam e depois façam comentários. O poeta saberá que emoção seu trabalho suscitou em vocês.
Aroldo José Marinho


MUDANÇAS
Rêgo Júnior
Tudo muda!
A lagarta vira borboleta,
voa, espalhando cores ,com sua asas Kandinskiana
Àgua muda : vira gelo, para esfriar a mente
Do mais terrivel serial killer,
ou alcoolizar o profundo depressivo
O tempo muda : de cor, clima, estação.
Até o ser, que antes era espermatogônia, hoje
É um humano, inadequado, insano .
tudo muda :
Até o mundo muda de rotação,
para transgredir com a lua
Muda o meu gostar,
se hoje lhe chamo de Cinderela,
amanhã,lhe deixo na contra-mao
para nao sofreres desilusão
Muda o sim, muda o não
Muda-se de sexo, gosto, religião
muda: planta,casa, direção.

Um bandido foi. O outro ficou!


O ano que findou nos deixou uma notícia meio boa e meio ruim. Qual notícia? Está aí na tela, na excelente ilustração de Angeli: a execução de Saddam Hussein, o tirano do Iraque, enforcado no dia 30 de dezembro. Notícia boa porque sua punição foi decidida num julgamento. Ruim porque põe em evidência que no século 21, ainda, se usam métodos medievais (como o enforcamento) para castigar bandidos. Por uma questão de princípios, sou contra qualquer tipo de assassinato. Porém reconheço que a morte de Saddam não me inspirou pena nem vontade de fazer um movimento contra sua execução. Primeiro lembrei de milhares de pessoas assassinadas pelo seu regime. É verdade que George Bush não é, nunca foi nem será um santo, um exemplo a ser imitado pelas pessoas de bem do mundo. Vai ver até que Hugo Chavez estava coberto de razão quando o chamou de "demônio". Mas a conduta imperialista de Bush não pode ser usada como justificativa para tentar invalidar o castigo do bandido iraquiano. Os dois são farinhas do mesmo saco. Um já recebeu punição. Quando virá a destinada ao patético norte-americano?

Uma curiosidade: da mesma forma que Hussein encontrou a morte num período de comemoração que diz muito à humanidade, fato precedente aconteceu na Europa, no natal de 1989. No dia 25, foi fuzilado Nicolau Ceausescu, o ditador que governou com mão de ferro a Romênia. Lembro que alguns cidadãos comentaram: "No dia em que nasceu Jesus, nós nos livramos de um anti-cristo."

Adeus ano velho! Feliz ano novo

Aroldo José Marinho

10 dezembro 2006

O Aniversário da Adorável Julie



Geralmente, utilizo meu blog para publicar comentários e poemas meus e de outras pessoas queridas. Hoje vou o utilizar o blog de uma forma diferente. Em vez de textos, uma foto e um comentário elogioso. Quero louvar este dia como sendo um dia de muita festa. Dia do aniversário de Julie. Who's that Julie? É uma amiga que mora na cidade de Sapucaia do Sul, pertinho de Porto Alegre. Ela é uma das melhores amizades que tenho. Uma pessoa de um coração belo e genial. Do bem e só para o bem.

Concordo com as pessoas que têm receio em relação aos contatos feitos na internet. Conheço gente que sofreu incômodos por causa desses contatos. Isto é muito chato. Graças a Deus, nunca tive problema assim. Pelo contrário, só as pessoas boas e dignas vieram em minha direção. Uma delas é uma moça que conheci em 1999. De lá para cá, a amizade foi crescendo. Os bons amigos botaram a correspondência em dia e conversaram ao telefone. É incrível? Sim! E muito. Em 2005 fui fazer uma tarefa profissional lá no Rio Grande do Sul. Foi a chance de encontrar minha amiga e perceber que a dignidade mostrada na net, nas cartas e no telefone é fato real. Esta moça é da pesada. Do coração bom e digno. Com ela, eu troco opiniões e idéias. Ajudo e sou ajudado. Conto de minha afetividade, de minha namorada. Ela me conta as histórias da faculdade e do namoro que está vivendo.

Para finalizar, desejo muita alegria e festa para JULIE GRAZIELA ZANIN.

Beijos e saúde!

Harold

08 dezembro 2006

Como John e Yoko


Nestes dias lembramos que, há 26 anos, John Lennon partiu para um plano superior de vida. Sua partida não foi uma escolha pessoal mas a decisão de um fanático. Para nós ficou a dor e as lembranças de belas e importantes canções. Também a lembrança de sua relação com Yoko Ono, a esposa, às vezes, rejeitada pelos fãs e citada como pivô da crise que encerrou a carreira do fabuloso quarteto de Liverpool. Não entro neste tipo de discussão. Gosto de lembrar a beleza do amor por eles vivido.
O texto que coloco hoje no blog é, ao mesmo tempo, a minha homenagem ao ilustre casal e, também, a uma moça muito especial aqui do Distrito Federal.
Depois de lido o texto, me ofereçam seus elogios ou suas críticas.
Tudo de bom!
Aroldo José Marinho



Como John e Yoko
Aroldo José
Ela vai para a festa,
Eu sigo atrás dela.
Não questiono seus planos.
Só me interessa o seu lance,
Seu olhar certeiro e esperto.
Finjo que não sei de nada.
Mas depois me entrego
E apoio sua jogada.



Ela quer dançar
Até chegar a madrugada.
E eu só quero amar
Esta mulher alucinada.



Nossas boas reputações
Foram destruídas.
Agora somos dois loucos
Vivendo como John e Yoko.



Ela quer o paraíso.
Eu só quero andar na rua.
Pelas noites do Leblon
E saborear vinho Bourbon.
Ela quer ser a rainha da corte.
Eu só quero que ela seja minha
E que venha me aquecer
Nas noites frias.



Nossas tristezas desaparecem.
Uma nova vida nos oferecem.
Agora somos dois loucos,
Vivendo como John e Yoko



Ela não sabe quando parar.
Não quer dá um tempo,
Nem fechar os olhos
E sonhar com repouso.
Sua energia é vida,
Sua entrega é infinita.
Ela nunca vai abraçar
O que é banal ou tradicional.
Brasília, 06/11/05

25 novembro 2006

O sangue da flor

Saudações amigas!
Nestes dias estive revisando meu arquivo de poemas e encontrei este escrito há nove anos. Antes de lhes oferecer para a leitura e comentário, devo informar que nunca fui fã da pessoa aqui homenageada. Ao contrário, sempre olhei com um certo distanciamento para sua imagem. Não me inspirava confiança. Porém um fato trágico acontecido com ela, me indignou. Não agüentei e escrevi este texto em sua honra. Como cidadão não quis ficar indiferente à sua dor.
Façam suas leituras e deixem seus comentários. De hoje em diante, me comprometo a responder as coisas escritas por vocês.
Beijos e saúde!
Harold


O sangue da flor

Aroldo José

Já faz um certo tempo que um poeta brasileiro,
Sem dúvida, o maior e o melhor de todos,
Prestou homenagem ao homem do povo:
O genial Chaplin, o vagabundo.



E como disse, já faz um certo tempo.
E agora outro poeta esforçado,
Não tão iluminado quanto o grande Drummond,
Ergue sua voz em honra de outra personalidade britânica



Ao saber que veio a notícia
de que morreu uma princesa,
Uma mulher que procurava a felicidade.
Alguém que queria ser um simples alguém.



Mas eis que a tranqüildade é vã
E que surge alguém atrás da melhor pose.
Niguém quer saber sua opinião:
“-- Posso fotografá-la senhora?”
Paparazzo”, “paparazzi”, papagaio!
“-- Lá vai ela!”
“-- Atrás dela!”
“-- A melhor pose é de quem chegar primeiro.”



A bela só queria ser feliz,
Ter um amor verdadeiro.
Mas a vida é assim:
Por amor se morre,
Pela fofoca se mata.
Assim é a vida.



Então ela fugiu.
Mas para toda borboleta bonita
Que voar neste jardim,
Haverá um monte de caçadores,
Colecionadores da vaidade,
Jardineiros da flor da morte.



Oh mulher! E o seu sangue fica espalhado pela rua,
Sua face exprime sofrimento.
Alguns gritarão o seu nome incessantemente,
A flor ferida, a flor despedaçada.
Todavia os abutres pensarão sobre o quanto é belo
Registrar o sofrimento da flor.
Quanto sangue,
Quanto perfume,
Que pose bonita ela empresta ao sofrimento.



E sua beleza é contemplada pela insensatez.
Talvez este lamento seja invalidado
Por opiniões sobre ir e vir,
Entrar e sair das vidas alheias



Ela era apenas uma mulher.
Apesar de tudo,
Apenas uma mulher.
Porém ninguém quer saber da mulher,
O mito é maior.



Assim é o mundo do fim do século:
Registrar a vida é preciso.
É um serviço público,
Mesmo que isso atrapalhe o viver alheio.



Nossas vidas, pobres vidas.
Grandes espetáculos jornalísticos,
Propriedades públicas.
Pessoas viram imagens
E imagens não têm direito ao respeito,
Não têm dignidade.



Por fim, a morte!
A flor deixou de enfeitar o jardim,
Ninguém sabe o que aconteceu.
Tudo tão rápido,
velocidade ultra-máxima,
Destroços... sangue... morte...
A flor em pedaços...



Agora é hora de chorar,
Os espinhos machucaram a flor.
Porém o mais importante para os construtores da notícia,
É poder registrar a perda do sangue,
A perda do encanto,
A perda da vida.



Passou o tempo, a flor virou semente
E foi plantada no fundo do seu quintal.
o mundo viu a flor-princesa descer ao solo.
A lágrima era real,
Outras flores cobriram a eterna morada da flor-mulher.



Para cada flor que fenece,
Nasce outra flor noutro jardim.
Tão bela quanto a anterior,
Talvez até mais bela.



Mas, mesmo com o desencanto,
O espanto,
O assombro,
A foto indiscreta não disfarçará
A dignidade humana,
O direito de felicidade de toda mulher.



Belém, 19/09/97
Para Diana Spencer

Festival: abertura e primeiro dia

O Festival de Brasília do Cinema Brasileiro chega à sua edição de número 39. Como das outras edições, vemos um pouco de tudo: da ação de cineastas inovadores à procura desenfreada de algumas fãs pelos artistas contratados da Rede Globo. Tietagens à parte, muita coisa legal merece registro nestes dias cinematográficos em Brasília.
Como de praxe, a abertura do evento foi no Teatro Nacional. Lá estavam as pessoas bem vestidas (ou quase). A orquestra regida pelo maestro amapaense Joaquim França tocou dois temas belos e se retirou. Em seguida, foi anunciada a exibição "hors concours" do filme "Romance do Vaqueiro Voador", de Manfredo Caldas, inspirado no poema homônimo de de João Bosco Bezerra Bonfim, tematizando o universo mitico do nordestino que, transformado em candango, veio participar da construção da capital federal. Há também a participação de Luis Carlos Vasconcelos lendo trechos do poema de Bonfim. O filme foi bem recebido pela platéia. Particularmente, creio que se fosse exibido na mostra competitiva, o "Romance..." não assustaria os demais concorrentes. Seu conteúdo lírico enternece aos espectadores. Só!
No dia seguinte, a coisa já foi para valer no cine Brasília. Lá estavam público, imprensa, artistas, equipes e organziação esperando o início da mostra competitiva. Os concorrentes de curta metragem, cada um com duração de 15 minutos, eram: "Noite de sexta, manhã de sábado" e "Hibakusha: Herdeiros atômicos no Brasil". O primeiro, dirigido pelo pernambucano Kleber Mendonça Filho, conta a história de um homem que conversa no celular com sua amada na noite de sexta-feira mas volta sozinho para sua casa na manhã seguinte.
O segundo, do diretor paulista Maurício Kinoshita, focaliza as histórias de pessoas que sobreviveram aos horrores de Hiroshima e Nagasaki. A platéia recebeu com gentileza as duas produções. Considerando a boa fase do cinema pernambucano, o filme de Mendonça Filho se coloca como um favorito para levar o troféu Candango na categoria de melhor curta. Porém a forte temática social do filme de Kinoshita não o exclui da disputa.
O único concorrente da noite na categoria longa metragem foi: "Jardim Ângela". O filme dirigido pelo paulista Evaldo Mocarzel tematiza uma região de São Paulo dividida pelos problemas refrentes ao tráfico de drogas. De um lado, estão as pessoas que aceitam a convivência com os traficantes e que, às vezes, também oferecem sua colaboração e/ou passividade para eles. Contundo nem todos se envolvem com as atividades criminais.
O filme de Mocarzel recebeu aplausos entusiasmados da platéia. O diretor também colheu simpatia por causa de sua filha Joana, portadora da síndrome de Down, que participa da novela Páginas da Vida, onde sua personagem é filha adotiva de Regina Duarte.

26 outubro 2006

A Cidade e Você

Faz tempo que nao posto novo material no blog. Acho que estou em crise criativa. Mas, para não deixar o espaço sem uso, vou postar um texto escrito há 10 anos, quando eu morava em Belém. Por favor, leiam e opinem. Pode ser elogio, pode ser crítica. O importante é saber o que vocês pensam dos meus textos.
Tudo de bom!
Harold




A Cidade e Você
Aroldo José
A chuva cai e eu caminho,
A cidade é intensa,
Minha vontade é imensa
E eu caminho pelas calçadas.

Queria tanto que ontem fosse feriado,
Para eu dormir o dia inteiro
E sonhar que lhe tenho
A todo momento,
Sobretudo quando bate em meu peito
A batida do sofrimento.

A cidade que não é a minha cidade
Tem mistérios.
Mas eu só quero descobrir
Qual é o caminho mais rápido
Para chegar em casa.

O time do povo quer o craque de volta,
O irresponsável moleque deseja voltar ao ninho
E, eu só quero você.
Seus olhos claros me olhando,
Dizendo que é bom viver,

Sua casa e nossa casa,
Sua dor e minha alegria,
Seu sangue e meu pouco caso,
Sua pontaria certeira
E minha cabeça levando pontos.

A chuva caiu, vai cair de novo.
Tempo frio e chocolate quente,
Prá gente beber perto da lareira.

Vamos aquecer nossos corpos
Ao som das suas mentiras
Que rimam com a minha insegurança.

Depois, o mundo me tratará como gênio
E lhe chamará de musa.
Seremos tão felizes
Que lhe darei de presente uma blusa
E você me chamará de paixão.

Vou fechar a janela
Prá chuva não molhar nossa casa,
Inundando nossa solidão
E nossa vontade de amar.
Belém, 26/10/96

11 outubro 2006

A Voz

Saudações para os fãs e as fãs da Legião Urbana no dia em que se completam 10 anos da partida de Renato Russo rumo à morada dos justos. Infelizmente, não pude preparar um texto especial para esta data. Por isso, me desculpo geral e, apresento um texto escrito no período em que morei em Belém (PA). Ao mesmo tempo em que homenageio o Trovador Solitário do Planalto, faço homenagem também aos queridos familiares Célio Alício, Ivan Daniel e Aline Maria. Sem eles, não me seria possível conhecer o respeitar a obra da Legião Urbana e de seu poeta maior.
O amor vence tudo!
Aroldo José Marinho


A Voz

Aroldo José

A voz que canta é profunda,

Dá alegria ao ouvinte,

Mas está cansada de olhar a janela

E ver nuvens cinzentas;

A água do rio ao lado é turva

E há gente que nela quer entrar.


A voz soluça de pena e rancor,

O que era melodia virou barulho,

Diamante falso e cena banal.

O que era vida virou outra vida

Que nunca foi vida.


A voz que falava, agora só sussurra

gemidos inexplicáveis,

Por que será que é tão bonito

Ver um artista sofrer?


Não queria olhar para o céu,

As estrelas não têm brilho,

A luz da lua foi cortada

Porque ninguém pagou a conta

Enquanto o homem de óculos

Gritava no beco escuro:

"-- Ma che bella vita!"


A voz canta no rádio,

Há um novo tempo, tudo é novo,

A rua é nova, o amor é novo,

Mas minha dor continua a mesma.



Quem bebeu o chopp sorriu,

Mas não soube dizer porquê

Que tudo que é estranho

Deve permanecer estranho.



Agora as cinzas voam,

Os carros passam pela via principal;

Mudei de casa

E no planalto tudo continua igual.



Só vou ligar a televisão

Quando estiver pronto para

ver meu rosto feliz,

Beijando a boca da esperança.

Belém, 23/10/96

Para Renato Russo