Pesquisar este blog

15 maio 2009

Agnelo e as incertezas petistas

A corrida rumo ao governo do Distrito Federal (DF) inquieta o Partido dos Trabalhadores (PT). A intenção do partido não é apenas fazer boa figura nas eleições de 2010. O PT ambiciona voltar a ocupar o Palácio do Buriti, sede do governo local. Já esteve lá no período 1994-1998, quando elegeu Cristovam Buarque. Seu governo teve caráter popular e priorizou a educação. Mesmo assim, Buarque não conseguiu a reeleição. Motivo: não prometeu aumento de salário para os servidores distritais. Seu oponente, Joaquim Roriz (PMDB), de aspirações populistas e demagógicas prometeu, foi eleito e não cumpriu.

De lá para cá, muitas coisas aconteceram na seara petista. O partido elegeu Lula para ser presidente da república e Buarque para o senado. Mas os problemas internos começaram a aparecer e minar o relacionamento entre os companheiros. Neste contexto, a permanência de Buarque no partido, se tornou insustentável. Insatisfeito, o senador foi para o PDT. Quanto ao DF, o governo foi parar nas mãos de José Roberto Arruda, o homem do painel, do Democratas (DEM), que venceu de lavada no primeiro turno.

Agora parece que a volta do PT ao comando do governo local é uma possibilidade plausível. Pelo menos, este é o pensamento corrente entre os analistas da cena política do DF. O que justifica tal pensamento? A filiação de Agnelo Queiroz (na foto à esquerda, ao meu lado) no partido de Lula, de cujo governo foi ministro dos Esportes. Ele deseja ser governador. Sabe que seu nome é bem avaliado pelo eleitorado. Porém teria que contornar um velho problema que sempre dificulta a união das esquerdas no DF: a intrasigência petista. O partido, em nenhuma situação admite perder a cabeça de chapa da coligação. Assim foi em 2006. Agnelo, na época, filiado ao PCdoB, precisou abrir mão de sua candidatura ao executivo, em favor da petista Arlete Sampaio, para disputar uma vaga no senado. O resultado mostrou o equívoco da coligação. Arruda deu uma goleada em Arlete enquanto que Roriz teve alguma dificuldade para vencer Agnelo.

Para as próximas eleições, com o incentivo de Lula, Agnelo deixou seus velhos camaradas de PCdoB, indo ao encontro dos novos companheiros petistas. Sua nova filiação era o aval para poder concorrer ao cargo de governador. Era!!! Por que era? Quando tudo já parecia sacramentado, eis que surge o deputado Geraldo Magela avisando sobre seu desejo de ser o candidato do PT. Em 2002, ele tentou mas foi derrotado no segundo turno por Roriz, numa eleição de aspectos bem duvidosos. Magela acredita que 2010 será o seu ano de sorte e, invoca sua condição de petista histórico, ligado ao presidente da república, para ter seu nome indicado na convenção.

Sabendo de sua condição de pássaro novo no ninho petista, e das pretensões de Magela, Agnelo decidiu abrir mão de sua candidatura em favor da unidade partidária. A notícia foi dada em primeira mão por RMS, no blog www.politicanodf.blogspot.com. Para aquele blog, Agnelo sinalizou ser o momento de não deixar que nenhuma pretensão pessoal abale a unidade que começa a ser construída no PT local. Sua desistência pegou de surpresa os analistas políticos e encheu de alegria os partidos adversários do PT. Ninguém acredita que Magela seja, de fato, um candidato competitivo. Há quem aposte que, se, de fato, ele concorrer, a reeleição e eArruda será fato concreto.

Todavia, política é um caixinha de surpresas, não será espanto se, de uma hora para outra, a situação se inverter. E, em nome da unidade partidária, Magela abra mão da sua pretensão executiva e, como bom soldado, jure apoio ao candidato indicado pelo partido seja Agnelo ou um outro. Difícil imaginar que o ex-ministro de Lula tenha dado um passo tão difícil, como romper com o PCdoB apenas para passear numa outra agremiação. tem gente afirmando que a desistência dele é só um jogo de cena. Foi a forma encontrada por ele para forçar a direção do PT a antecipar as prévias internas. Nelas, se os comentários forem fidedignos, não existe a menor possibilidade do histórico Magela bater o novao Agnelo. Esperemos os próximos capítulos.

Aroldo José Marinho

Nenhum comentário: